27 de maio de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: demanda de TV LCD chineses, estímulos do governo, mudanças no mercado | 2 Comentários »
Como os norte-americanos lançaram a campanha “Buy Americans” (compre produtos americanos), as autoridades chinesas desenvolveram uma promoção para que o mercado local comprasse mais TV de telas planas produzidas pelas indústrias do país. Isto está fazendo com que produtores japoneses e coreanos percam parte do maior mercado mundial destes aparelhos. As coisas, segundo artigo do jornal japonês Nikkei, estão mudando rapidamente de modo que as entregas destas empresas chinesas superem os norte-americanos e dos europeus, tornando-se o maior mercado do mundo.
A dura política das autoridades chinesas para a compra de imóveis (estão exigindo uma entrada de 50 a 60% na compra do segundo apartamento) ajudou a reduzir, temporariamente, a demanda de televisões no começo deste mês de maio, mas está estimulando a demanda no setor rural, para compensá-la, com subsídios. Muitos chineses adquirem televisores de grande dimensão para usarem coletivamente nos seus edifícios. Eles estão proporcionando descontos significativos, de forma que os de 32 polegadas sejam vendidos por cerca de 300 dólares norte-americanos, quando no Brasil custa cerca mais de 800.

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27 de maio de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: candidatura europeia, emergentes dispersos, sucessão no FMI
Quando tudo indicava que havia um processo de crescente aumento da influência dos países emergentes no mundo, pois suas economias estão crescendo mais rapidamente, nota-se na discussão da sucessão do FMI um sentimento de retrocesso. A reunião do G-8 mostra que o defasado mundo desenvolvido volta a demonstrar ao seu apego ao status anterior, até porque as reuniões do G-20 vêm se mostrando dispersivos, com belos discursos, mas sem conquistas reais que tenham efeitos operacionais.
A aparente consolidação da candidatura da ministra da Economia da França, Christine Lagarde, mostra que o atual poder econômico continua sendo o único e realístico critério das decisões relevantes, ajudando a preservar um mundo decadente. Todos sabem que os Estados Unidos e a Europa vivem hoje dos recursos provenientes do mundo emergente, como na época colonial, deixando as migalhas para o resto do mundo, que não consegue ter uma posição uniforme. Ainda que as declarações dos emergentes sejam para o consumo interno, na hora das decisões cada pais procura agradar os mais poderosos, como sempre foi nas diversas reuniões preparatórias do FMI, lamentavelmente.


Líderes em reunião do G-8 e ministra da Economia da França Christine Lagarde
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25 de maio de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: demora nos efeitos da política econômica, indicadores recentes e futuros, visões defasadas
São frequentes os depoimentos de responsáveis economistas sobre os problemas brasileiros utilizando dados defasados, que refletem quadros já superados de meses atrás. Parece que muitos dirigem seus veículos olhando o vidro retrovisor, sem prestar a devida importância para um horizonte que se vislumbra para o futuro. Mas quase todos admitem que as medidas de política econômica não têm efeitos imediatos, demandando um tempo que não é curto para provocar resultados, ainda que o mercado tenda a antecipar algumas coisas com as perspectivas que se foram sobre o futuro. O risco evidente destas análises é recomendarem excessos de medidas restritivas aprofundando, de forma necessária, uma desaceleração mais forte que vai exigir esforços hercúleos para ser superada.
O jornal Valor Econômico traz o resultado de um artigo de Adriana Mattos e Sergio Lamucci relatando um estudo feito pela consultoria Kantar Worldpanel que visitou 8,2 mil residências brasileiras nas últimas semanas, informando que no primeiro trimestre de 2011 a classe emergente já estaria contendo o seu consumo. Na classe A e B teria havido um crescimento modesto de 3% no consumo dos itens básicos sobre o mesmo período do ano anterior, e 4% nos considerados não básicos. Na classe C, os básicos estariam estáveis, e os não básicos estariam crescendo 13%, e nas classes D e E o consumo dos itens básicos teria decrescido 2% e os dos não básicos teriam aumentado 10%. As informações do setor de construção civil dão conta que neste começo do ano as vendas já estão bem mais difíceis. Muitas outras informações mais atualizadas, como as relacionadas com o emprego, dão conta que a economia brasileira já passou por um pico, estando em desaquecimento que vem se acentuando nas últimas semanas, inclusive por efeito da política econômica do governo federal.


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25 de maio de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: avanço nos entendimentos, China, Coreia e Japão, esperanças de conclusão dos estudos neste ano | 6 Comentários »
O jornal japonês Daily Yomiuri, que tira cerca de 15 milhões de exemplares diários entre as edições matutinas e vespertinas, num artigo escrito por Koichi Uetake, informa que o Japão, a China e a Coreia caminham para chegar a um acordo de Zona de Livre Comércio, depois da visita do premiê da China, Wen Jiabao, e do presidente da Coreia, Lee Myung Bak, que se reuniram com o primeiro-ministro japonês Naoto Kan. A resistência era dos chineses, mas o premiê Wen Jiabao expressou a esperança que o estudo seja concluído ainda este ano, o que reacendeu as esperanças de todos para a negociação no próximo ano.
As economias combinadas dos três países do Extremo Oriente representam 20% do total mundial. A China tenta proteger o seu mercado interno colocando tarifas sobre as importações, mas parece que o desenvolvimento que estão atingindo permite que sejam competitivos com seus vizinhos.

Wen Jiabao, Naoto Kan e Lee Myung Bak
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24 de maio de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais | Tags: além do currículo, artigo emocionante do Yomiuri Shimbum, lições de vida
Existem muitos exemplos de educadores que nos lembram e nos deixam conscientes de que a educação se destina a preparar os jovens para a vida, não se restringindo ao simples cumprimento de uma pauta montada teoricamente, sem levar em consideração cada pessoa que está sendo educada. O Yomiuri Shimbum informa sobre um caso concreto que não pode deixar de nos emocionar, num artigo escrito pela Nao Yako, sobre o que chamam no Japão de “yogo kyoyu” (algo como professor de saúde). Baseia-se na professora Taeko Kokawa, considerada uma enfermeira da escola, e no episódio que se seguiu ao grande terremoto de 11 de março, quando os alunos tiveram que assumir que sua escola se tornou um centro de evacuação. Isto ocorreu na escola primária de Kimachi-dori, em Sendai.
A função básica da professora yogo é manter a saúde mental e física dos alunos, bem como a sua higiene. Aos alunos que tiveram que passar a noite na escola, perguntou como tinham dormido e como estavam. Eram estudantes em torno dos 12 anos. Estas professoras não são necessariamente formadas enfermeiras, mas cuidam dos primeiros socorros, com treinamento especial.

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24 de maio de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: enfrentando as dificuldades, novas associações, outras mudanças necessárias
A Toyota, depois de afetada na sua imagem com os maciços recalls que foi obrigada a efetuar em todo o mundo, está tomando algumas medidas importantes para mudança da sua estratégia de desenvolvimento, visando recuperar a sua posição, com novas formas de relacionamento com seus veículos e clientes. Alan Ohnsman, do Bloomberg, numa notícia publicada em O Estado de S.Paulo, informa que a Toyota assume a necessidade de mudança na administração da segurança de seus veículos, no mínimo no mercado norte-americano, admitindo a sua descentralização. O jornal japonês Nikkei informa que o seu presidente Akio Toyoda anunciou a associação com a Microsoft e com a Salesforce, visando tecnologias para se comunicar com seus clientes mediante tecnologias de controle remoto com os seus produtos.
Ainda que a Toyota seja uma empresa originária da produção de teares, tendo desenvolvido internamente dentro de sua organização tecnologias para a indústria automobilística, acabou sofrendo dificuldades com a eletrônica embarcada, que não era a sua especialidade. Espera-se que a sua associação com a Microsoft e com a Salesforce permita-lhe superar parte destas dificuldades.


Akio Toyoda e Marc Benioff
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24 de maio de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: contratos de longo prazo, disputa pelo suprimento de energia, infraestrutura para tanto
A Reuters está divulgando uma análise informando que a disputa para assegurar o fornecimento estável de gás natural liquefeito (LNG) está se acirrando principalmente entre a Índia, o Japão e a China. Todos necessitam assegurar o abastecimento de variados tipos de fontes de energia para sustentar o seu desenvolvimento, principalmente quando algumas fontes, como a nuclear, sofrem maiores resistências por parte da população. Como envolvem elevados custos para o estabelecimento de uma infraestrutura para o abastecimento estável por longos períodos, as fontes regionais, como as do Oriente Médio e da Austrália, acabam sendo objeto de atenções.
Todos estão se apressando para estabelecer os entendimentos de longo prazo, pois há fortes indicações que nas próximas décadas estes abastecimentos se tornarão cruciais, implicando também em elevações dos seus custos. A Índia procura o suprimento no Qatar e na Austrália, segundo analistas internacionais, tentando antecipar-se ao Japão e a China, até porque não conta com muitas alternativas. No passado, esperavam preços mais convenientes, como no caso do petróleo, mas o mercado está ficando mais disputado.

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23 de maio de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais | Tags: ainda acessíveis, estão desaparecendo, lembranças inesquecíveis, ryokan
Vendo uma publicidade de elevadíssima qualidade de um ryokan, um hotel do estilo tradicional do Japão no jornal The Japan Today, aflorou na minha memória experiências incríveis que passei em alguns destes estabelecimentos. Fui procurar um livro que tenho a respeito destas relíquias, mas como sou muito desorganizado não o encontrei, pois deve estar em algum lugar, ou algum amigo esqueceu-se de me devolver.
Na primeira viagem que fiz ao Japão, há muitas décadas, eu estava hospedado num hotel do tipo ocidental e programei para conhecer um ryokan tipicamente japonês. A minha primeira experiência com um terremoto foi numa recepção, quando muitos convidados estrangeiros não percebiam o que estava acontecendo, mas os japoneses olhavam o teto assustados, enquanto um ruído rouco tomava conta do ambiente, fazendo tremer os lustres do salão. Havia ocorrido um terremoto de razoável intensidade. No dia seguinte, estava no ryokan, quando se repetiu um terremoto secundário, mais fraco, num pequeno edifício de madeira, que balançava todo, gerando um assustador ruído da fricção de madeiras, umas contra outras. Informaram-me que era mais seguro, exatamente por que balançava, mas a impressão que dava era que faltava o chão.

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23 de maio de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: artigos sobre a China, cadeias de lojas, cassinos em Macau, grupos locais, The Economist
O The Economist destaca duas notícias interessantes sobre a China mostrando que seu atrativo mercado atrai muitos grupos internacionais, mas são os internos que ainda dominam o cenário. O primeiro artigo refere-se às cadeias de varejo na China onde aparecem multinacionais como a Carrefour, Walmart e Tesco, mas são as Huaren Wanjia, Honggongshang, Haoyouduo e Wimart que dominam. Suas aparências não podem ser as melhores, mas seus preços são extremamente baixos.

O segundo artigo noticia sobre os cassinos de Macau, o antigo enclave português na China, que se transformou na Las Vegas daquele país. É o único lugar, por acidente histórico, onde o jogo se tornou legal.

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23 de maio de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: desenvolvimento do Nordeste, empregadas domésticas em São Paulo, noticias do The New York Times, The Economist
O Brasil está se tornando um foco de atenção internacional diante da melhoria do padrão de vida de parte substancial de sua população que até agora era considerada desfavorecida. O The New York Times dedica um artigo elaborado por Alexei Barrionuevo relatando o que já está acontecendo com algumas empregadas domésticas. O The Economist publica um artigo sobre o desenvolvimento do Nordeste brasileiro, uma das regiões que era considerada pouco desenvolvida e que passa por uma profunda modificação. São constantes os artigos encontrados na imprensa internacional reportando mudanças importantes que estão ocorrendo, mas que parte da imprensa brasileira contrária ao atual governo procura não admitir.
O artigo do The New York Times trata de alguns casos concretos mostrando que as tradicionais empregadas domésticas que ganhavam pouco e trabalhavam quase sem folgas semanais é coisa do passado, como está sendo constatado por um grande número de famílias brasileiras. Cita o caso da babá Andreia Soares, 39 anos, que ganha atualmente o correspondente a US$ 3.100 para cuidar de uma menina de 10 meses, tendo já adquirido um apartamento de dois quartos para a sua mãe, um pedaço de terra para seu irmão e está com bolsa Louis Vuitton, de Paris, no seu armário, com muito orgulho.


Foto da babá: www.mulheresnopoder.com.br / Porto do Suape
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