8 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: estratégia da exportação, pesquisas indispensáveis, recursos que demandam, tratamentos fiscais
Muitos são os problemas relacionados com a exploração do pré-sal e o jornal Valor Econômico vêm abordando alguns deles com a profundidade possível. Dada a distância do litoral e a profundidade em que se encontram as reservas localizadas de petróleo e gás, o jornal informou que novas tecnologias terão que ser desenvolvidas, para instalar um complexo submerso, pois as atuais plataformas não seriam suficientes para o volume da produção esperada. Para tanto, a Petrobras está estimulando empresas estrangeiras a estabelecerem centros de pesquisa no Fundão, formando algo parecido com o Vale do Silício, junto a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Os problemas ambientais exigem que o Ibama monte uma estrutura para estudar os assuntos relacionados com as licenças que devem ser concedidas, bem como todas as precauções a serem tomadas para eventuais acidentes, como noticia aquele jornal. A produção do pré-sal deverá ser destinada ao mercado internacional, e o jornal informa que os Estados Unidos veem com simpatia a possibilidade de contar com produções nas Américas, dependendo menos do Oriente Médio. Os problemas de redução dos poluentes preocupam a todos e os decorrentes da exploração do pré-sal exigem avanços adicionais.

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4 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais | Tags: Índia e suas atrações, informações da Folha de S.Paulo no seu suplemento de turismo, os demais aspectos econômicos
O competente jornalista Raul Juste Lopes, enviado especial da Folha de S.Paulo, publicou, no seu suplemento de turismo de 3 de março último, uma série de informações sobre a Índia e sobre o turismo que pode ser efetuado por aquele país, que apresenta uma série de atrações exóticas. Mas também fala da favela de Mombai, que mostra os dois lados da Índia atual, que acabou se tornando famosa com um filme amplamente divulgado por todo o mundo.
A disparidade entre os milionários hindus e a grande massa de seus pobres sempre foi destacada, e o contraste fica mais gritante com o recente desenvolvimento acelerado da Índia. Há 30 anos, a sua economia vem registrando um crescimento médio de 6% ao ano, com uma flutuação relativamente baixa. Certamente, a sua classe média cresceu bastante, estimando-se que cerca de 400 milhões de hindus podem ter o seu imóvel, adquirir um carro e dispor do conforto de todos os eletrodomésticos que desejam. Mas a distribuição de renda tende a piorar nos períodos de rápido desenvolvimento, pois os mais capazes acabam se beneficiando mais rapidamente dos frutos do crescimento.

Taj Mahal, uma das oito maravilhas do mundo, é um dos maiores atrativos da Índia
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1 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: maior estabilidade nos regimes democráticos, situações diversas nos muitos países
Este site vem insistindo que generalizações de observações localizadas são sempre perigosas. Os muitos países do mundo árabe possuem histórias, economias, tradições culturais e estágios de administração política que os diferenciam, não se podendo afirmar que o que acontece em determinada localidade tenderá a estender-se a outras de forma previsível. O que parece comum é que os recentes meios de comunicação eletrônica, como a internet e redes de relacionamento, se generalizaram, fazendo com que controles tradicionais de muitas autoridades tenham um efeito limitado.




Aqueles países que vieram flexibilizando seus regimes políticos nos últimos anos, atendendo parte das aspirações populares, tendem a contar com maiores possibilidades de se adaptar aos novos tempos. A melhoria geral do padrão de renda leva naturalmente às aspirações por maior liberdade política, mesmo que a distribuição da renda seja razoável. Partes de suas populações tiveram oportunidade de estudar no exterior e conhecer regimes democráticos, mesmo que eles também apresentem seus defeitos.
Na maioria dos países árabes, as tradições tribais continuam fortes havendo diferenças étnicas sensíveis, como entre os sunitas e xiitas, e sensíveis problemas religiosos. Mesmo dentro dos muçulmanos existem comportamentos mais radicais até os mais tolerantes, não se restringindo somente aos árabes, como a Indonésia e a Malásia.
Nem sempre se compreende que diferentes sociedades podem ter organizações sociais e políticas que os distinguem. O mundo atual parece ter considerado que os tipos de democracias decorrentes das revoluções francesa e norte-americana apresentam melhores possibilidades de conciliar a eficiência econômica com as naturais aspirações de liberdade dos seres humanos, ainda que não sejam perfeitas.
Com a aceleração do processo de globalização, parece que existe uma tendência para uma evolução dos sistemas políticos em direção a estes que são considerados mais aceitáveis no mundo atual. Mesmo na Ásia, observa-se que países como a Índia, o Japão e a Coreia caminharam neste sentido, como outros países do sudeste asiático parecem evoluir na mesma direção.
A China vem adotando mudanças e ninguém pode dizer que o regime que vigorava durante Mao Zedong, principalmente durante a Revolução Cultural, seja a mesma dos dias atuais, notadamente no seu aspecto econômico. Mas continua com um regime de partido único, considerado autoritário, com suas forças de segurança fortemente controlada pelo Partido Comunista Chinês. Há uma grande possibilidade das novas classes de abastados e o grande contingente da classe média aspirar por maiores liberdades políticas. Suas autoridades acompanham com atenção os acontecimentos no mundo árabe, e mesmo a repressão aos dissidentes não permite o completo controle dos meios eletrônicos de comunicação, principalmente pela internet.
A grande dúvida é se regimes como da Arábia Saudita, onde o rei continua contando com prestígio popular poderá se sustentar, com as medidas de atendimento popular que vem adotando. Como consta de um relatório especial elaborado pela Reuters, o complexo sistema de manutenção dos seus milhares de príncipes e princesas, além de ser custoso, acaba gerando muitas insatisfações. Dada a sua importância no abastecimento mundial de petróleo, muitos começam a considerar alternativas para depender menos dos seus fornecimentos, por via das dúvidas.
Estes complexos processos políticos, sociais e econômicos todos sabem como começam, mas ninguém sabe exatamente como acabam. Parece que estamos vivendo um momento de inflexão na história da humanidade.
28 de fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais | Tags: procura de uma melhor sintonia entre os dois países mais importantes das Américas, visita de Obama
O jornal Valor Econômico apresenta muitas vezes matérias que rivalizam com as dos melhores órgãos de imprensa internacional, como sua análise constante do suplemento Eu & Fim de Semana, sobre a próxima visita de Barack Obama ao Brasil, com três artigos. Um excepcional, de Alex Ribeiro, vindo de Washington. Outro de Assis Moreira, de São Paulo, e um terceiro de Roberto Abdenur, um diplomata aposentado do Itamaraty com larga experiência.
O de Alex Ribeiro com o título “Um novo começo” analisa com cuidado as relações bilaterais recentes, expressando a esperança do estabelecimento de uma nova química entre Barack Obama e Dilma Rousseff. Refere-se ao inicialmente estabelecido por Bush com Lula que não se efetivou por falta de uma agenda bilateral, e eventos internacionais posteriores onde as posições brasileiras não coincidiram com as norte-americanas, culminando nas profundas divergências relacionadas com o Irã. O de Assis Moreira, com o título “Parceria com interrogações”, procura verificar os pontos de vistas a partir do Brasil, e o de Roberto Abdenur trata das “Novas realidades em questão”.

Barack Obama cumprimenta Dilma Rousseff
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26 de fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: difícil seleção das prioridades, imprensa internacional, mundo emergente, problemas asiáticos, problemas sul-americanos
Os principais órgãos da imprensa internacional, agências de informações e revistas estão divulgando tantas análises relevantes que se torna difícil selecionar os que poderiam ser os prioritários. São sinais evidentes que o mundo passa por um período de grandes transformações, sobre as quais ainda não temos a perspectiva histórica para avaliar suas importâncias. O mundo emergente ganhou uma atenção que poucas vezes mereceu, com destaque para na Ásia, com a China e a Índia, mas envolvendo também o Brasil, nas Américas. Os países industrializados procuram escapar das tendências às suas estagnações, com aumento de suas populações idosas. Inovações tecnológicas estão aceleradas. Desequilíbrios surgem, pois as evoluções de todos não conseguem ser simultâneas.
O sistema de mercado indica que os preços dos alimentos e as principais matérias-primas industriais, da energia aos produtos siderúrgicos, acusam altas estimulantes que devem provocar novas iniciativas para ampliar suas produções, que podem levar alguns anos. Ao mesmo tempo, as disseminações das recentes inovações tecnológicas na área da comunicação aumentam os anseios de liberdade de povos que viviam sob autoritarismo, provocando turbulências que elevaram os riscos, sem permitir que se avalie como se propagarão pelo mundo. Como ensina um ditado chinês, os períodos de mudanças também são de oportunidades.

População egípcia foi às ruas para exigir mudanças e derrubou o ditador Mubarak
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25 de fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: chineses construindo hotel de quinze andares em seis dias, informações do Gizmeg Emerging Technology Magazin | 11 Comentários »
Muitos imaginam que o rápido desenvolvimento da construção civil na China decorreu da mão de obra barata. No entanto, um importante artigo do dr. Jaroslav Boublike, constante do site do Gizmeg Emerging Technology Magazine, mostra que as Olimpíadas e a recente Exposição Internacional 2010 em Xangai provocou um desenvolvimento tecnológico apreciável na construção civil daquele país.
Vendo o volume das obras em andamento na China, tanto na infraestrutura como nas construções de habitações, edifícios comerciais e tudo o mais que se necessita num país em rápido desenvolvimento, nota-se um substancial incremento na sua tecnologia, que hoje se compara com as melhores do mundo, onde os operários migrantes do meio rural necessitam de capacitação que não existe em outros países emergentes, inclusive o Brasil.

Prédio construído em seis dias
Veja também os vídeos
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25 de fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: artigo do Valor Econômico, aumento do intercâmbio, o caso da Renuka, uma grande operadora na área do açúcar | 2 Comentários »
Muitos analistas continuam presos a ideia do intercâmbio entre países que apresentam possibilidades de complementaridade, quando o mesmo vem ocorrendo mundialmente nos setores que contam com atividades do mesmo setor. Uma interessante cobertura do Valor Econômico efetuada pela jornalista Fabiana Batista mostra que o mesmo pode acontecer entre o Brasil e a Índia até no setor agroindustrial.
Muitas multinacionais atuam em diversos países e o comércio intraempresas está estimado em torno de 50% do mundial. Assim, empresas como a Fiat produzem alguns modelos e componentes em determinados países e são intercambiados com outros produzidos em outros, reduzindo os riscos cambiais e maximizando as vantagens fiscais. Algumas indústrias de suco de laranja produzem no Brasil e nos Estados Unidos, formando estoques onde são mais convenientes, para colocarem em terceiros mercados.

Shree Renuka, jovem empresário indiano
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23 de fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: exemplos passados, integração local, problemas futuros, relatório especial da Reuters | 1 Comentário »
David Lewis, da Reuters, com a ajuda de alguns colegas, escreveu um relatório especial sobre a recente forte presença chinesa na África, expressando a esperança que os brasileiros poderiam equilibrá-la. Citando diversos casos concretos, tenta mostrar que os chineses estão investindo pesadamente em muitos países africanos, com muitos financiamentos, mas também tendem a levar sua mão de obra. Isto cria resistências locais, como já ocorreu no passado em Angola com os investimentos cubanos, que acabaram abandonando aquele país, deixando uma imagem negativa.
Lula da Silva investiu diplomaticamente nos países africanos, com a pretensão de contar com o apoio deles para um cargo permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, entre outros objetivos. Com um discurso hábil, considerava que o Brasil era como um irmão dos países africanos, por ter sido igualmente colônia de uma metrópole europeia, tendo a contribuição de muitos descendentes de escravos vindos da África, que se miscigenou com outras contribuições étnicas para formar o povo brasileiro. De fato, muitos africanos consideram os brasileiros como irmãos mais velhos, principalmente onde o português é uma das línguas oficiais.

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23 de fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: diferenças nos centros urbanos e no meio rural, melhoria com os recursos enviados pelos imigrantes, o caso chinês | 2 Comentários »
Cris Buckley, da Reuters, elaborou um interessante relatório especial sobre a visita do premiê chinês Wen Jinbao à vila de Zhaoyuan, na Província de Anhui, durante os feriados do Ano Novo chinês, dentro do “novo socialismo para o interior”, que visa à melhoria da distribuição de renda na China. Ele, que é conhecido como o Grande Pai, pela imagem de um homem do povo, só permaneceu lá quarenta minutos, para insatisfação da população local.
Os processos de desenvolvimento acelerado das economias emergentes, como da China e da Índia, infelizmente pioram a distribuição de renda, o que preocupa suas autoridades, principalmente agora que está se assistindo aos problemas do mundo árabe. A China conta com 720 milhões de habitantes rurais e seus trabalhadores migrantes que vão para conseguir trabalho temporário nos centros urbanos. Os idosos e as crianças que permanecem no interior dependem dos recursos enviados por estes migrantes.

Premiê Wen Jinbao durante visita a Zhaoyuan
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21 de fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: artigo no Valor Econômico, comparações com o BG Group inglês, investimentos chineses no pré-sal brasileiro
Um extenso e cuidadoso artigo de Cláudia Schüffner foi publicado no jornal Valor Econômico de hoje, reportando que os investimentos chineses no pré-sal já se aproxima meteoricamente dos da BG Group inglês, com aplicações superiores a US$ 10 bilhões, tendo acesso a uma área de 1.232 quilômetros quadrados nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo. A área do BG Group soma uma área de 1.361 quilômetros quadrados, segundo o artigo.
A China Petroleum & Chemical Corporation (Sinopec) teria adquirido 40% da espanhola Repsol nos campos Carioca e Guará, sendo a maior operação. A Sinochem teria adquirido 40% do campo Pelegrino, da norueguesa Statoil. Os chineses não teriam ido às concorrências da Agência Nacional de Petróleo, dispondo-se de poucas informações sobre os possíveis comprometimentos de fornecimentos das produções.

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