11 de janeiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais | Tags: A Garota da Fábrica de Mísseis, Lijia Zhang, outros livros memoráveis
A Editora Reler, do Rio de Janeiro, publicou em 2010 a versão em português do livro de Lijia Zhang “A garota da fábrica de mísseis – Memórias de uma operária da nova China”, originalmente publicada em inglês em 2008, pela Atlas & Co., com o título “Socialism is great!: a worker´s memoir of the new China”. A intenção expressa da autora é o mesmo deste site, aumentar o conhecimento no Ocidente sobre a verdadeira China. Acaba dando sequência a outros clássicos como “Wild Swans – Three Daugters of China”, de 1991, de Jung Chang, e “The Good Women of China”, de 2002, de Xinran, que também estão disponíveis em português. É um livro agradável que vale a pena ler.
Lijia Zhang trabalha hoje na China como jornalista freelancer, publicando em jornais internacionais de prestígio e escrevendo livros: “Como alguém que conhece profundamente uma cultura que permanece grandemente incompreendida em âmbito mundial, e que consegue se comunicar com as pessoas de fora, espero poder funcionar como uma ponte entre culturas”.

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11 de janeiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: atuais dados de construção da China, fusão das empresas chinesas, preparo para a competição internacional
Um dado estatístico de construção da China que assombra todos os competidores internacionais, como a Bombardier, Alstom, Siemens e a Kawasaki Heavy, é o do setor de trem rápido. Em 2010, já completaram 8.358 quilômetros de linhas de trens rápidos implantadas em território chinês, devem atingir 13.000 em 2012 e mais de 16.000 quilômetros em 2015. Atualmente, estão divididas em duas estatais: a CNR – China North Locomotive and Rolling Stock Corp e a CSR – China South Locomotive and Rolling Stock Corp que cogitam fundir-se numa, visando competir nos mercados externos. As autoridades chinesas ainda não deram o sinal verde, esperando que as duas continuem competindo entre elas no mercado chinês, onde atendem em conjunto 90 por cento da demanda. Mas continuam dando todo suporte necessário.
Um artigo de Jamil Anderline, do Financial Times, proveniente de Beijing e publicado no Nikkei, fornece as informações detalhadas, como a meta de aumentarem suas rendas operacionais nos próximos cinco anos para cerca de US$ 22,7 bilhões. Sabidamente, estes dois jornais são responsáveis, não se tratando de propaganda oficial.

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10 de janeiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: consumo de atum no mundo, controle da pesca, produção em fazendas, variedades existentes
Um extenso artigo escrito por Hillel Wright, mais reconhecido como literato, sobre a possibilidade de extinção do atum com o atual consumo mundial, foi publicado no The Japan Times. Discorre sobre a imensa variedade de peixes considerados como atum, com estatísticas elaboradas por diversas agências japonesas e internacionais, classificando os que estão considerados como em risco de extinção. No geral, ele é otimista, chegando à conclusão que somente algumas espécies estão em risco, diferenciando os das mais variadas regiões do mundo, como o Pacífico, Mediterrâneo e de outras regiões.
Usando os dados da FAO, de 2008, ele considera que 1% está se recuperando da extinção, 7% correndo o risco, 17% está sendo superexplorado, 52% está sustentável mesmo plenamente explorado, 20% moderadamente explorado e 3% não explorado. É preciso considerar que estes dados estão defasados, e está havendo um rápido aumento do seu consumo em todo o mundo com a disseminação dos sushis e sashimis, inclusive entre os chineses que não tinham o hábito de consumirem produtos crus, principalmente do mar.

Mercado de Tsukiji, o mais famoso do Japão
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10 de janeiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: determinação do desenvolvimento, esforços tecnológicos chineses e hindus, passando das cópias para as inovações
Um interessante artigo de Steve Lohr, do New York Times, publicado na Folha de S.Paulo, chama a atenção sobre o importante esforço chinês no estímulo das inovações e patentes. Enquanto muitos países ficam se perdendo nas discussões de outros aspectos da política econômica de curto prazo, alguns países emergentes estabelecem um claro programa para estimular um salto nas suas inovações tecnológicas. O Serviço de Propriedade Intelectual da China publicou recentemente a sua “Estratégia Nacional para Desenvolvimento de Patentes (2011-2020). Pretende-se chegar em 2015 a 2 milhões de patentes solicitadas, o que deve ultrapassar os Estados Unidos.
A Thomson Reuters, especializada nos levantamentos dos estudos científicos em todo o mundo, prevê que já em 2011 a China deve ultrapassar os Estados Unidos neste setor. Este processo está ocorrendo a uma velocidade bem superior a esperada pelos analistas. As patentes estão ocorrendo em áreas consideradas prioritárias pelos chineses, como energia solar e eólica, tecnologia da informação e telecomunicações, fabricação de baterias e automóveis.

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7 de janeiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: artigo no Financial Times, crescimento e outros objetivos, economias desenvolvidas
Um estimulante artigo publicado por David Pilling no Financial Times provoca reflexões sobre a atual estagnação econômica do Japão, elevado endividamento e declínio de suas empresas, que podem ser válidos também para outras economias desenvolvidas da Europa. Muitos observadores estrangeiros veem com tristeza o que está acontecendo no país do Sol Nascente, segundo o autor. Em 1994, o PIB japonês representava 17,9% da mundial, e este percentual está reduzido a 8,76% no ano passado, parecendo por outros dados que o Japão perdeu o rumo que tinha. Muitas causas podem ser apontadas para levar a esta situação, mas David Pilling acha que isto não explica toda a história do que está acontecendo.
Segundo ele, um país pode ser avaliado pelos resultados que empresários estrangeiros podem realizar naquele país. Outra forma seria o propósito desta economia nacional ajudar outros países parceiros. Uma proposição diferente pode ser levantada para a avaliação, que seria a finalidade de servir ao seu povo, medida pela a renda real per capita, que resulta num quadro diferente. Nos últimos cinco anos, segundo Paul Sheard, da Nomura, o Japão por este indicador cresceu 0,3% ao ano, enquanto os Estados Unidos 0,0%.

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3 de janeiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: desafios, o Brasil, o mundo
Em que pesem os cenários mais promissores esperados para 2011, ano do Coelho, quando comparados com o do ano anterior, muitos analistas vêm destacando e veiculando pela imprensa somente os obstáculos que precisam ser enfrentados. Mesmo os mais conservadores já admitem uma recuperação em marcha das economias desenvolvidas, esperando que as mais complexas como as dos Estados Unidos e Japão estejam com o crescimento girando em torno dos 2% ao ano nesta passagem do ano. E as emergentes superando o percentual de 7%, que são taxas próximas às anteriores à crise de 2008. Eles previam para 2010 situações pessimistas, e foram desmentidos pelas realidades, mas continuam com as mesmas tendências com viés negativo.
No Brasil, onde há um novo governo fornecendo suas primeiras indicações das diretrizes com as quais pretende atuar, os analistas apontam as pressões inflacionárias. Ainda que partes delas já estejam arrefecendo, pois as ofertas agropecuárias tendem a crescer com os estímulos dos preços. E os preços das matérias primas básicas já atingiram o máximo com a moderação do crescimento da economia chinesa.
Os atuais níveis de preços continuam favoráveis ao Brasil, ampliando as decisões para o crescimento da produção que será destinada, em parte, para as exportações, gerando as divisas necessárias. A presidente Dilma Rousseff vem revelando seu estilo próprio e uma forma de gestão que se diferencia do seu antecessor, ainda que seja de continuidade, preocupando-se com a eficiência da máquina administrativa governamental.

Criança chinesa festeja o Ano do Coelho. Foto: China Daily
Não se deve ignorar os problemas que existem em todo o mundo, com endividamento elevado, desemprego e necessidade de ajustamento às novas realidades globais. Sente-se, no entanto, que as economias emergentes estão compensando as lacunas deixadas pelas industrializadas, num processo que não deixa de ser doloroso. Há que se admitir que isto faça parte do processo de evolução histórica mundial, com uma melhoria geral de distribuição de renda.
Novas perspectivas estão sendo abertas, com o aproveitamento dos recursos humanos e a geração de novas tecnologias para o desenvolvimento sustentável, com a intensificação das pesquisas. As aspirações por melhores padrões educacionais, de saúde, de assistência social e de segurança pressionam os poderes públicos por respostas adequadas, dentro de uma disseminação de sistemas democráticos com respeito aos direitos humanos, mesmo com as resistências existentes.
A comunicação mundial e entre os seres humanos intensifica-se com as conquistas de novas tecnologias, tornando-se realidade a aldeia global em que todos nós convivemos. Como todos os problemas são informados on time, muitos acabam ficando com a impressão que eles aumentaram.
Há um significativo aumento dos bens e serviços colocados à disposição da humanidade, produção que continuará aumentando com o emprego de mais recursos humanos e recursos naturais disponíveis, que estão se ampliando. É natural que haja uma sensação de que não atendem as necessidades de todos, pois os nossos padrões de exigência estão se elevando, mas é essa pressão que vai determinar a necessidade de ampliação constante dos mesmos. É o que se chama desenvolvimento.
O que se pode aguardar é que ao final de 2011 vamos constatar que, mesmo ainda insatisfeitos, estaremos em condições melhores que ao final de 2010. Nota-a a disposição de todos para trabalhar para tanto, pois isto não será dado por nenhuma autoridade, mas conquistada por toda a população.
30 de dezembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: assuntos positivos, balanço de uma década, papel da imprensa
Compreende-se que o papel da imprensa deva ser o exercício da crítica, mas quando se faz um balanço de uma década como a que está terminando é preciso ser muito pessimista para que haja mais destaque sobre os eventos negativos que os positivos. O da Folha de S.Paulo começa com uma capa que destaca: “Terrorismo, terremotos e tuites”. Nas pequenas notas de muitos jornalistas predominam as sobre fatos lamentáveis, e o mesmo acontecendo nos destaques na linha do tempo. A nota principal do balanço escrita por Clóvis Rossi tem o título: “Terror, no ar e na banca, marca a década”.
Este site procura adotar uma linha editorial mais equilibrada. Sem negar os acontecimentos negativos e lamentáveis. Olhando os principais acontecimentos desta década, pode-se constatar que muitos foram alvissareiros, e que apesar de tudo que ainda há que se superar como problemas, o mundo melhorou e o Brasil com ele. Houve uma aceleração da globalização, com a sensível melhoria da comunicação entre as várias partes do universo, popularizando-se o uso da internet, dos telefones celulares e assemelhados. Realizou-se uma significativa melhoria dos grandes países considerados emergentes como a China, a Índia e o Brasil, com grandes populações, aumentando o intercâmbio entre as nações. Apesar dos avanços inferiores ao desejado, há uma maior consciência universal da necessidade do desenvolvimento sustentável, com respeito ao meio ambiente.

A produção agropecuária aumentou de tal forma que se tornou possível melhorar a alimentação mundial, até para o socorro das populações famintas como de alguns povos africanos ou vítimas de desastres naturais. Ampliou-se a utilização dos recursos humanos e naturais, descobriram-se novos como no pré-sal. Energias não poluentes como a solar e a eólica passam a ser mais utilizadas. Mais habitações foram construídas, vestimentas melhores e mais acessíveis foram universalizadas, e bens mais acessíveis como computadores, eletrodomésticos, veículos ficaram disponíveis para uma classe média que aumentou em todo o mundo.
A expectativa de vida aumentou de forma significativa em todo o mundo, mostrando que muitas calamidades que provocavam a mortalidade infantil foram atenuadas, em que pese o reclamo natural e legítimo por melhores assistências médicas, educacionais, previdenciárias e sociais universais até para os mais humildes.
Houve avanços tecnológicos e científicos, aumentando o domínio do conhecimento da humanidade sobre os problemas que ainda a afligem, com aumentos significativos da produção de bens e serviços. Houve uma sensível melhoria na logística mundial, permitindo que os benefícios chegassem até os confins do universo. Os conflitos armados são exceções, ainda que persistam desentendimentos entre nações, e a violência não tenha sido banida do mundo.
Os regimes democráticos se generalizaram, e os ditatoriais sofrem a pressão da humanidade que passou a habitar uma aldeia global, todos se preocupando uns com os outros. Que ainda há muitas questões que continuam como desafios a serem superados não há dúvidas, mas a solidariedade humana tornou-se uma regra.
As tragédias que se abatem sobre os seres humanos, animais como vegetais sensibilizam a todos e são transmitidas quase instantaneamente por todo o mundo, despertando indignações e solidariedades que se transformam em socorros voluntários de organizações de assistência.
O mundo melhorou, mas ainda existem muitas coisas que a humanidade necessita conquistar, e estes desafios estimulam os seres humanos para trabalhos criativos. A perfeição não existe, mas muitos continuam lutando para se aproximar dela.
Não podemos ser dominados pelo pessimismo. Com realismo, a humanidade continua lutando por dias melhores e está avançando. A próxima década deverá ser melhor que a atual, que certamente foi melhor que a anterior.
27 de dezembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Empresas | Tags: atuação no mundo globalizado, comportamento na crise, duas últimas notas de Carlos Ghosn
Carlos Ghosn, o empresário brasileiro que comanda a aliança da Renault-Nissan, completa com duas notas sua série de cinco artigos publicados no jornal japonês Nikkei, referindo-se ao comportamento de uma empresa global durante a crise e a liderança empresarial no mundo globalizado. Ressalte-se que esta série é algo inusitado na imprensa japonesa, demonstrando o elevado prestígio que ele tem no mundo empresarial do Japão, quando o país tenta superar sua estagnação econômica.
Na quarta nota, ele constata as lições que absorveu na superação da crise mundial de 2008/2009, considerada sem precedentes. Como um terço da população mundial vive hoje na China e na Índia, ele entende que há novos desafios, que precisam ser superados com novas parcerias, como as que estabeleceram com a Mitsubishi, paralelamente ao aprofundamento da aliança Renault/Nissan. A consolidação de um grande grupo tornou-se uma necessidade.

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27 de dezembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: artigo no Estado de S.Paulo, ex-ministra da Defesa do Japão, Yuriko Koike
Todos sabem que, infelizmente, a situação política internacional está complexa na Ásia, com a forte ascensão econômica, política e agora militar da China, enquanto a presença norte-americana que sempre foi relevante está tendendo a diminuir. Todos torcem para que haja um entendimento diplomático, com base no forte intercâmbio econômico existente na região, mas existem os que, de forma realista, admitem que os investimentos em segurança internacional tendem a aumentar.
Num importante artigo, Yuriko Koike, ex-ministra da Defesa do Japão e importante dirigente do PLD – Partido Liberal Democrata daquele país, hoje na oposição, publica seus detalhados pontos de vista que foram publicados no jornal O Estado de S.Paulo de 26 de dezembro. Seus pontos de vista devem ser levados em consideração, dada a responsabilidade que teve em diversos cargos ministeriais. A tese dela é que a China, apesar do seu ímpeto pela hegemonia, depende demais do seu relacionamento com os países da Ásia para militarizar a região. Vale a pena ler a íntegra do seu artigo.
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27 de dezembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais | Tags: as diferenças culturais, dificuldades para a adaptação, mudanças que estão se processando
O atual mundo globalizado apresenta desafios que necessitam ser superados. Os econômicos são mais facilmente aceitos, mas os que envolvem as culturas e as religiões dos diversos povos são mais difíceis, pois, além de serem compreendidos pelo intelecto, necessitam ser aceitos pelas emoções que despertam nas pessoas, que dependem menos da racionalidade, mais da fé. Quando a China começa a ocupar uma posição de destaque no mundo, é indispensável que haja adaptações, não só da parte dos chineses, como do resto do Planeta.
Neste final do ano, há que se entender que o Natal é um evento de elevada importância para os cristãos, mas os não cristãos são mais numerosos no mundo. O seu sentido comercialmente deturpado acaba sendo difundido mais rapidamente, mas a sua compreensão religiosa apresenta dificuldades imensas. De forma semelhante, o ano gregoriano predomina no mundo oficial, mas numa parte substancial do mundo, o ano lunar é que é comemorado, como na China, em 17 de fevereiro próximo, quando começa o ano do coelho.

Véspera do Ano Novo chinês em Meizhou. Presépio representando nascimento de Cristo
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