24 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: censura da premiação Nobel, problemas existentes, uso da internet
A Folha de S.Paulo, no seu suplemento Ilustríssima, traz uma coluna do jornalista Fabiano Maisonnave com o seu Diário de Pequim, centrado na lamentável censura que existe naquele país sobre a manifestação pública de alguns assuntos que as autoridades chinesas tratam, ainda que sejam possíveis, privadamente. O artigo relata os percalços, por exemplo, do ícone chinês Han Han, que aos 28 anos é um escritor best-seller, cantor, editor de revista, piloto de corridas e sex simbol, para tratar do censurado assunto da premiação Nobel para o dissidente político Liu Xiaobo no seu site muito acessado.
Para marcar criativamente o assunto, ele postou: “ ”, que foi entendido por muitos comentaristas, quase 17.000, com um “entendido”, “concordo” ou “bel” e outras formas de comunicação burlando a censura quando seu site usa Prêmio Nobel ou Liu Xiaobo. Quando estive recentemente em Xangai para visitar a Expo 2010, notei que o meu lap-top sofria pequenas interferências quando usava a internet, possivelmente com a censura.

Leia o restante desse texto »
22 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: aspectos fundamentais, importância do Brasil no mundo, qualidade das campanhas
As repercussões que a atual eleição brasileira provocam na imprensa internacional mostram a importância que o Brasil adquiriu no cenário mundial. Lamentavelmente, as campanhas que vêm sendo desenvolvidas não fazem justiça nem aos candidatos nem ao país, pois estão demasiadamente concentradas nos ataques pessoais e nos aspectos de menor importância.
Os eleitores estão mais interessados, bem como todos que se preocupam com o Brasil, com os grandes rumos que serão perseguidos pelo vencedor do pleito eleitoral nos próximos anos. Por se tratar de um país emergente com grande potencial, comprometido com o resto do mundo num processo de globalização, todos se mostram interessados como o eleito irá governar este vasto território e sua população.
Em que pesem os sistemas vigentes na China e na Índia, nota-se que eles possuem uma visão do futuro, sabendo onde pretendem chegar. E são nossos concorrentes diretos, conquistando uma participação crescente no cenário internacional. Todos reconhecem que o Brasil dispõe de mais recursos naturais, um povo disposto ao trabalho, miscigenado, com relacionamento pacífico com todos os países do mundo, podendo obter melhores padrões de vida para si e contribuir para a melhoria de muitos povos deste universo.

Temos os naturais problemas de um país em desenvolvimento rápido, obstáculos que temos que transpor. Como faremos isto, com que recursos, com que estratégia? Qual é o sonho que perseguimos como nação, como nos relacionaremos com nossos vizinhos, com os nossos parceiros internacionais?
Parece que ainda estas e outras questões fundamentais não estão suficientemente esclarecidas. Muitos eleitores já tomaram as suas decisões, mas para que possamos contribuir galvanizados num programa, parece conveniente que estejamos convencidos dos rumos que vamos trilhar juntos.
Já realizamos muito, aproveitando os nossos recursos, tanto naturais como dos humanos que se miscigenaram neste país, servindo como um exemplo para o resto do mundo. Mas para continuar a evoluir, temos que realizar aperfeiçoamentos de grande profundidade, pois o resto do mundo não está paralisado. Pelo contrário, luta com todas as armas para conquistar seu espaço, que será parcialmente ocupado dos outros.
Como pretendemos consolidar nossas posições, melhorando a nossa educação, a nossa saúde, desenvolvendo nossas tecnologias, contribuindo para uma convivência mais inteligente, até com os que pensam de forma diferente das nossas?
Todos reconhecem que temos boas condições, mas vai exigir muito trabalho para que elas se tornem realidade, aglutinando o máximo das nossas forças. Os obstáculos são naturais, temos que identificá-los adequadamente, e estabelecer a estratégia mais conveniente para superá-los, estabelecendo as prioridades do que vamos resolver antes. Os recursos com que contamos são naturalmente limitados, mas de formas diferenciadas. Existem mecanismos para alavancar outros, gerar novos de forma mais eficiente. Para que todos estejam engajados nas futuras jornadas é preciso que se saiba o que eles pensam sobre os que pretendem ser nossos líderes.
Chega de perder tempo, vamos para os assuntos fundamentais.
20 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: confusão mundial, limitações da economia, restrições existentes
Acompanhando o noticiário internacional, podemos sentir que o mundo está numa confusão generalizada. É a hora em que desejamos ser poetas e não economistas, pois estes são uns pessimistas, sempre lembrando as dificuldades, as limitações e restrições a que todos estamos sujeitos, os conflitos de interesses que temos uns com os outros. Parece que alguns poetas são também pessimistas, mas a maioria deles pode sonhar livremente com as coisas boas da vida, sem se preocupar com um mundo onde tudo é limitado.
No passado, muitos diziam que o ar que respiramos era livre e gratuito para todos. Hoje se sabe, infelizmente, que o ar respirável na qualidade e quantidade que desejamos acaba custando muito, e que nos eventos como o COP 10 em Nagóia, e outros que devem se seguir, mais de uma centena de países discutem quem paga a conta e como.
Ouve se falar muito da guerra cambial e comercial que parece em plena marcha, com países tentando usufruir as vantagens e alguns se defendendo de possíveis danos, ainda que em detrimento de outros, conscientes de que tudo tem alcance limitado. O comércio internacional deixou de ser um meio para proporcionar vantagens para os países parceiros, propiciando bem-estar para suas populações. Os fluxos financeiros internacionais liberalizados, que proporcionam astronômicos lucros para os seus operadores, suplantam em milhares de vezes as cifras dos intercâmbios comerciais, influenciando fatores que deveriam contribuir para uma arbitragem razoável.
As autoridades mundiais constituídas por acordos amplos, como as Nações Unidas e seus principais braços como o Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial ou Organização Internacional de Comércio, mostram-se impotentes para limitar a desastrosa escalada dos confrontos entre países e blocos.
Tudo indica que os problemas terão que se tornar insuportáveis para que um acordo mínimo de convivência se torne possível. Não há mais lideranças capazes de pensar como estadistas, impondo com a sua força moral um mínimo de racionalidade, algo que permita uma convivência entre países que pensam de formas diferentes.
Pelo contrário, parecem predominar as posições dogmáticas, inclusive religiosas, esquecendo-se das esperanças da construção de um mundo ecumênico, tolerante, que respeita a humanidade existente em cada um de nós.
Mas o que nos conforta é que tivemos períodos mais conturbados ao longo da história, que geraram conflitos catastróficos, ou pessimismos como os que alimentaram os malthusianistas. Mas a humanidade foi capaz de superar a todas as intempéries, e hoje estamos mais instrumentalizados e conscientes dos riscos pelos quais passamos. Não podemos ser movidos somente pela emoção, principalmente as que mobilizam coletividades, ainda que ela seja importante.
Conseguir um acordo global sempre será difícil, mas tentativas continuam sendo feitas para alcançar um mínimo aceitável pela maioria, com todos abrindo mão de algo. Não podemos ser suicidas coletivos, ainda que muitos se encontrem no limite do desespero. Será que aprendemos tão pouco com todos os sofrimentos pelos quais já passamos?
Os economistas sabem que existe teoricamente uma curva de conflito onde os interesses se contrapõem e as decisões precisam ser tomadas. Que os nossos negociadores, diplomatas treinados, sejam capazes de estabelecer entendimentos minimamente aceitáveis para as diversas partes, pois as populações da maioria dos países sabem que é melhor ter um pouco mais que perder tudo.
17 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: Estados Unidos e Japão, o que acontece no Brasil, principais incomodados, reações internacionais à política chinesa | 1 Comentário »
Quem acompanha o noticiário internacional sabe que a China provoca reações contraditórias com o recente e acentuado aumento do seu intercâmbio internacional, nem sempre com respeito às regras existentes. Os Estados Unidos, principalmente no seu Congresso, apresentam medidas de retaliação ao que consideram competição desleal em organismos como a OMC, mas ao mesmo tempo provocam uma desvalorização semelhante à chinesa em seu câmbio. Os japoneses reclamam tanto das pretensões territoriais chinesas quanto as de seu câmbio, mas aumentam seus investimentos para utilizar a mão-de-obra mais barata da China, ao mesmo tempo em que aumentam suas importações, inclusive de legumes. No Brasil, começam as reações com relação aos investimentos chineses que procuram assegurar o abastecimento dos produtos que necessitam, mas ao mesmo tempo conta com o seu mercado para a exportação de suas principais commodities.
Observando os principais jornais destes grandes parceiros dos chineses, nota-se que há uma verdadeira campanha contra esta “invasão” chinesa, tanto no Nikkei japonês, Folha de S.Paulo brasileiro como os The New York Times, Washington Post ou Wall Street Journal norte-americanos, para citar somente os mais conhecidos.
Leia o restante desse texto »
13 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: competência chilena, inovações nas tecnologias dos resgates, outras inovações, solidariedade mundial | 2 Comentários »
Poucos assuntos merecem a atenção do mundo como este dramático resgate dos mineiros chilenos, provocando um coletivo sentimento de solidariedade que deve ser canalizado não só para operações similares no futuro. Assistindo pela televisão, eu estava mais nervoso do que aqueles que participavam diretamente da operação.
O que é preciso destacar é a competência do Chile, este nosso vizinho da América do Sul, que a partir da possibilidade de um resgate no período próximo ao Natal, que muitos mineiros não conseguiriam resistir, obteve-se a antecipação de mais de um mês e meio da conclusão da operação. É mais que elogiável a persistência nos duros trabalhos para superar os obstáculos que foram encontrados, inclusive mantendo elevada o moral dos mineiros aprisionados.
Não resta senão apresentar as mais efusivas congratulações a todos que estiveram envolvidos neste dramático episódio, os mineiros, seus familiares, as equipes de resgate e todas as autoridades que não mediram esforços para o sucesso da operação.

Alex Vega beija sua mulher após sair da mina. Foto: EFE
Muitas lições serão obtidas nos próximos meses desta sofrida experiência que ajudarão a humanidade a aperfeiçoar os procedimentos nas situações extremas. Inicialmente, do ponto de vista da operação de resgate em si, mas também na área do comportamento humano nestas situações limites. Para os leigos, as primeiras imagens indicam que os mineiros estavam fisicamente bem logo após serem retirados do isolamento forçado, mas somente exames mais cuidadosos poderão comprovar os efeitos das situações em que ficaram. A medicina vai aproveitar todas estas lições.
O aspecto psicológico terá avanços importantes, pois os seres humanos continuam sendo comandadas pelo cérebro que condiciona o aspecto físico. A convivência forçada de um grupo de seres humanos, em condições tão limitadas, por um período incerto e longo, sempre apresenta complexidades bem acima das usuais.
A esperança é reconhecida como uma das motivações mais importantes dos seres humanos, e o melhor conhecimento do seu papel que deve ser aproveitado para outras situações. Na realidade, o aperfeiçoamento dos seres humanos só ocorre quando há dificuldades, como as destes mineiros que foram extremas impostas pelas circunstâncias.
Há muito que se refletir sobre este episódio, também para os que vivem se lamentando com dificuldades infinitamente menores, como nós mesmos. O regozijo com o sucesso deve ser contido, pois as consequências de prazo mais longo ainda não são conhecidas, mas tudo indica que serão cuidadosamente acompanhados pelos mais qualificados profissionais de cada setor. As minerações de todo o mundo devem adquirir a consciência que precisam proporcionar melhores condições de trabalho para os mineiros.
Quem superou grandes obstáculos merece a nossa confiança de que será capaz de suplantar outros que ainda podem surgir. A humanidade tem razões para a euforia, nestes tempos tão difíceis, onde os verdadeiros heróis são raros, e todos nós precisamos deles que não são virtuais nem meras criações artísticas.
O Chile, um país pequeno e extremamente montanhoso, já provou em outros campos, como a política e a economia, a sua competência. Agora dá uma demonstração de sua capacidade para se mobilizar em solidariedade humana. Vai continuar a se esforçar para superar suas dificuldades, mas estamos confiantes que episódios como estes vão reforçar o seu espírito de luta.
11 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: contrastes, mudanças em andamento, mulheres em muitos países asiáticos
Chama a atenção de todos e a imprensa acaba registrando os contrastes existentes em muitos países, vários no mundo asiático, sobre o papel das mulheres nos dias atuais. Um artigo da Katrin Bennhold, do The New York Times, publicado na Folha de S.Paulo, fala do custoso regime machista, mostrando que a participação feminina na força de trabalho varia muito pelos países e, onde ela é baixa, estes locais estão menos desenvolvidos.
É difícil dizer se a causa é cultural ou o fenômeno é a consequência do nível de desenvolvimento. Na medida em que se registra uma escassez relativa da mão de obra, ocorre um apelo maior para o emprego de mulheres em funções que eram tradicionais de homens, como as atividades de segurança. Também a avaliação da importância das mulheres pode ser relativa, tanto em decorrência da aparência diferindo com o poder efetivo. Mesmo na Ásia, a quantidade mulheres no comando de governos é relativamente elevada.

As mulheres estão ocupando os mais variados postos de trabalho
Leia o restante desse texto »
11 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: laureados japoneses, Prêmio Nobel chinês, problemas políticos
O jornal econômico japonês Nikkei publica uma matéria reconhecendo que a indústria química japonesa deve muito a dois cientistas que foram premiados com o Prêmio Nobel neste ano, Akira Suzuki, da Universidade de Hokkaido, e Ei-ichi Negishi, atualmente na Universidade de Purdue, nos Estados Unidos. E isto vem ocorrendo há décadas, sem o merecido reconhecimento. O que chama a atenção é que muitos japoneses premiados ao longo dos anos atuam nos centros de pesquisa de outros países.
Na cultura japonesa, pouco da contribuição individual é destacada, mas a da coletividade. Os que são dotados de talentos pessoais nem sempre acabam sendo bem vistos, recebendo pouco suporte. Eles acabam encontrando melhores condições de trabalho nos centros de pesquisas em outros países, que procuram atrair cientistas de elevada potencialidade. As patentes das descobertas de novos conhecimentos relevantes acabam sendo atribuídas as empresas, que utilizam pesquisas feitas pelos cientistas.

Akira Suzuki, Ei-ichi Negishi, Liu Xiaobao e Aung San Suu Kyi
Leia o restante desse texto »
9 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: alternativas nos emergentes, dificuldades de relacionamento com a China, Japão procura estudar o Brasil, redução da dependência | 2 Comentários »
Não se duvida que os japoneses, tanto empresários como acadêmicos, estejam mais interessados no intercâmbio com o Brasil e procuram aprofundar os seus conhecimentos sobre o país, do ponto de vista político e econômico, enviando muitas missões. Constata, porém, que o conhecimento deles ainda é precário, havendo necessidade de muito trabalho para que possam ser úteis no incremento deste intercâmbio bilateral.
Somente nesta semana, três credenciados acadêmicos encontram-se no Brasil, um deles bastante conhecido: Heizo Takenaka, diretor do Global Security Research Institute, da Keio University, uma das mais importantes universidades privadas do Japão, que visita o Brasil pela segunda vez, tendo sido destacado ministro do governo Junichiro Koizumi; Yasuhiro Matsuda, do Institute for Advanced Studies on Asia, da University of Tokyo, que está no The Today-Yale Iniciative, especialista em China; e Takeshi Kishikawa, do Department of International Relations, da Sophia University Faculty of Foreign Studies, especialista em México e China.

Leia o restante desse texto »
5 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: desvalorização do yuan chinês, do dólar norte-americano, valorização do real brasileiro
Como o real brasileiro está exageradamente valorizado, inibindo as exportações do Brasil e estimulando suas importações, cortando o emprego dos que moram neste país, as autoridades locais impuseram o aumento do seu IOF – Imposto de Operações Financeiras para operações de compra de títulos de renda fixa pelos estrangeiros de 2 para 4%. Isto gera comentários internos e externos que acham que a medida é inócua ou de alcance limitado, como os que se encontram nos mais variados jornais do Brasil e do exterior.
Argumentam que o mais conveniente seria uma medida de acordo mundial, como a que foi tomada no passado, no chamado Acordo de Plaza, quando se provocou a valorização do yen japonês, com a consequente desvalorização do dólar norte-americano. As reclamações mundiais são de um yuan chinês extremamente desvalorizado, que provoca um desequilíbrio mundial, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos desvalorizam também o seu dólar, para estimular sua economia interna.

Leia o restante desse texto »
4 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: identificação das causas, impacto dos resultados do primeiro turno, pesquisas eleitorais
Como os resultados apurados nas eleições brasileiras no seu primeiro turno aparentaram divergências substanciais com as indicações proporcionadas pelas pesquisas eleitorais efetuadas pelos diversos institutos, a mídia acabou se concentrando nestas diferenças, sem a possibilidade de identificação das causas destas disparidades.
O primeiro dado a ser pesquisado deveria ser o elevado percentual da abstenção que chegou a 18,12% pelos dados publicados pelo TSE – Tribunal Superior Eleitoral, envolvendo 99,97% dos votos. Parece consenso que a população, pelos dados preliminares do Censo do IBGE, está com uma crescente população de terceira idade que não está obrigada a votar. Tudo indica que a complexidade com seis números, de diversos dígitos para os cargos em disputa, com muitos sempre mais difíceis de ser digitados pelos idosos, o fato pode ter funcionado como inibidor do comparecimento nas urnas eletrônicas.
Até aos eleitores mais moços e com maior agilidade mental e física foi recomendado o uso de “colas”. Os mais idosos possuem reconhecidas dificuldades com equipamentos eletrônicos e ninguém gosta de ser motivo de olhares enviesados diante da demora nas votações. Mesmo que tenham as suas preferências eleitorais, muitos evitaram comparecer diante das urnas eletrônicas, o que pode ser constatado por pesquisas dos dados de abstenção por faixa de idade.
O mesmo acontece com eleitores de modestas alfabetizações, sendo interessante a análise dos dados diferenciados pelos meios rurais e periferias das grandes metrópoles, e se possível por escolaridade, para verificação destas hipóteses.
No segundo turno, os cargos em disputa podem ser dois em alguns estados e um para Presidente da República, o que pode reduzir de um lado a abstenção dos interessados na disputa, e de outro aumentar para os que não estão interessados nos candidatos restantes.
Alguns analistas identificaram que as transferências de votos previstos para a candidata primeira colocada ocorreram mais fortemente para a terceira colocada. Muitos atribuem para a “onda verde”, mas as bancadas verdes não receberam benefícios idênticos, podendo se supor que eram pouco conhecidos ou em menor número. Mas muitos identificam que temas como o aborto e o homossexualismo, largamente utilizado pelos meios eletrônicos e de boca a boca, destacaram o assunto, principalmente para o eleitorado evangélico ou conservadores católicos, podendo ter provocado esta transferência. Foi motivo de preocupação das bases governistas, devendo ser objeto de atenção no segundo turno.
O problema dos escândalos certamente influiu em alguma medida, numa faixa específica de eleitores, mas tudo indica que o seu efeito não foi de grande monta, o que também pode se identificado por pesquisas qualitativas, como deve ter ocorrido.
O que se pode afirmar sempre é que tais pesquisas não possuem a precisão que seria de se desejar, principalmente quando as tendências estão evoluindo rapidamente. As amostras são relativamente pequenas, não permitindo desdobramentos regionais e outras diferenciações capazes de captar todas as nuances, para todos os cargos, e nem diferenciar os grupos por religião, idade, escolaridade.