2 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: desenvolvimento rápido, dificuldades para o resto do mundo, governança eficiente, País do Meio, recuperação do tempo perdido
Todos se impressionam com o atual desenvolvimento rápido da complexa China e muitos se perguntam como eles conseguem tal façanha. Não há uma resposta fácil, mas algumas indicações podem ser esboçadas. Inicialmente, como Joseph Needham, o conhecido professor de Cambridge considerado o maior estudioso da China, explicitou nos seus vários livros publicados sobre aquele país, os chineses lideraram as descobertas e invenções em todo o mundo até a Revolução Industrial que ocorreu na Inglaterra. Portanto, somente se atrasaram relativamente nos últimos 150 anos, como me colocou um amigo diretor da Sinochem, a maior trading daquele país, inclusive de petróleo. Parte disto pode ser atribuída ao orgulho de que foram tomados. Agora, eles estão tentando recuperar o atraso, voltando a se tornar o País do Meio, justificando os ideogramas que significam China.
Como vem destacando o professor Antonio Delfim Netto, a China foi a pioneira na preparação de uma eficiente burocracia pública, que começou em torno da época de Cristo, para servir o Império. Hoje, o país é comandado pelo Partido Comunista Chinês, único no país, constituído de membros altamente qualificados, quase 20% da população, e que ocupam inclusive as direções das estatais e todas as instituições que dão suporte às atividades relevantes para a China. Possui uma organização invejável, mas a custa de um sistema autoritário. Depois de toda a atribulada história política daquele país.

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27 de setembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: aproveitando as eleições, reflexões de jornalistas e estudiosos, suplementos de diversos veículos de comunicação
As vésperas das eleições são oportunidades para diversos meios de comunicação social efetuar os seus balanços sobre os problemas que acham que devem ser resolvidos pelos que forem eleitos. Encarregam seus jornalistas e outros estudiosos para apresentarem suas análises, com uma pauta influenciada pelas suas convicções ideológicas, e com a presunção que os candidatos não equacionam os problemas mais complexos do país. Supõem que muitos que se submetem ao pleito ficam em proposições gerais que não prejudiquem segmentos dos eleitores que são contrários a alguns enfoques, ou os comprometam com projetos que demandam volumosos recursos, que sempre serão limitados.
Ainda que muitos problemas tenham sido razoavelmente equacionados recentemente, como indicam algumas pesquisas, mostrando que as prioridades de aspirações da população tenham se alterado, parece que alguns suplementos como o do O Estado de S.Paulo insistem em apontar a necessidade da melhoria na distribuição de renda. Que as limitações da educação sejam quase consensuais, sempre será compreensível. O que parece mais difícil é compreender que os recursos são escassos, e as aspirações são muitas, destacando-se hoje os de saúde e segurança. Repetimos sempre que o desenvolvimento é a superação de alguns problemas e a criação de novos.
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24 de setembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: o que podemos fazer, primeiras manifestações públicas, reunião de Nagoya entre 18 a 29 de outubro
Começam a aparecer na imprensa as primeiras manifestações sobre o Ano Internacional da Biodiversidade em 2010 e a próxima reunião a ser realizada em Nagoya, Japão, que deve ser de toda a humanidade. A primeira tentativa ocorreu no Rio de Janeiro em 1992. O Estado de S.Paulo traz hoje um artigo de Washington Novaes sobre o assunto e o Valor Econômico reproduz a Carta Empresarial pela Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade, além de editar um caderno especial sobre Tecnologias verdes. Este não é um assunto “deles”, mas de “todos nós”.
As tentativas para estabelecer metas claras para os diversos países não obtiveram sucesso, principalmente dos países mais poluidores como os industrializados e alguns emergentes, mesmo que todos estejam assistindo à assustadora deterioração do meio ambiente, provocando irregularidades climáticas desastrosas nas mais variadas partes do mundo.
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19 de setembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: a imprensa brasileira, influência da economia na política em todo o mundo, tendências eleitorais
Todos sabem que os resultados eleitorais são importantes para as atividades econômicas em qualquer país do mundo, desenvolvido ou emergente. E o caso brasileiro não foge à regra. O que vem sendo constatado pelos analistas políticos mais credenciados é que, reciprocamente, a situação econômica acaba influenciando de forma decisiva os resultados eleitorais, como se comprova novamente até o momento, salvo fatos considerados muito graves pela maioria dos eleitores.
Especialistas em ciência política, com boa formação internacional e não engajados em atividades partidárias, analisando muitos casos no Brasil e no exterior, antecipavam há muitos meses que numa economia com crescimento acentuado os candidatos da situação teriam grande chance de obter resultados eleitorais favoráveis, não só para eleições majoritárias como proporcionais.
Muitos duvidavam da capacidade de transferência de prestígio político de um líder do governo que apresenta índices surpreendentes de aprovação popular para um seu candidato. Os estudos sensatos mostram que o contrário seria uma exceção gritante até na história político-eleitoral no Brasil.
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19 de setembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: apreensão de um navio, disputas territoriais, sanções comerciais
É sempre difícil interpretar as dificuldades enfrentadas por qualquer pessoa, instituição, povo ou país sem estar na situação e no contexto em que eles se encontram. Os problemas recíprocos de relacionamento entre a China e o Japão são de décadas, ou mesmo de séculos, e toda a longa história de etnias diferentes acumulam dificuldades que acabam aflorando a cada novo episódio.
Há uma longa disputa territorial, envolvendo ilhas e domínios dos mares que compartilham. A guerra entre a China e o Japão no começo do século passado bem como a Segunda Guerra Mundial deixaram problemas de difícil superação. Mais recentemente, um navio chinês de pesca e a sua tripulação acabaram sendo apreendidos pelas autoridades japonesas em águas pretendidas por ambos os países. Desenvolve-se uma campanha de uma empresa chinesa, a Baojian, de cosméticos e vitaminas, que cancelou a viagem de 10 mil seus funcionários ao Japão informando que criarão alternativas dentro da China no futuro próximo, do tipo “boicotem o Japão”.

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17 de setembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: Brasil tem todas as condições, pensando grande e a longo prazo
Acompanhando as lamentáveis atuais discussões eleitorais, fica-se com a impressão que os que pretendem serem nossos líderes ainda não adquiriram a consciência que o Brasil tem todas as condições para ser uma potência mundial. Todos admiram o desenvolvimento recente da China, da Índia, de toda a Ásia que há algumas décadas eram tidas como países e regiões problemáticos, cheios de limitações que não tínhamos no Brasil. Continuamos agimos como complexados, incapazes de superar as naturais dificuldades que temos.
Contamos com uma população altamente miscigenada, de muitas etnias e culturas, trabalhadora, com uma dimensão apreciável. Temos os recursos naturais invejáveis, impar no mundo. Somos pacíficos, não temos conflitos internos ou externos, religiosos ou de qualquer outra natureza. Já mostramos que podemos crescer mais de dez por cento ao ano economicamente, por longos períodos. Mantemos um intercâmbio com todos os países do mundo, de forma equilibrada. Melhoramos a nossa distribuição de renda, regional e entre pessoas. Temos poupanças e financiamentos externos.

Importamos e geramos tecnologias, como no setor agroindustrial e alguns setores de ponta. Temos um sistema financeiro sem problemas. Somos capazes de preservar o meio ambiente que temos, contribuindo mundialmente para evitar o aquecimento global. Temos um complexo industrial com participação equilibrada de capitais e tecnologias estrangeiras de variadas origens, com potenciais para um desenvolvimento mais acelerado. Temos uma infraestrutura que pode ser melhorada sem maiores problemas. Temos um sistema de pesquisas avançadas que podem ser melhoradas.
Conquistamos um sistema democrático, com os defeitos que existem em qualquer sociedade humana. Temos um sistema judiciário razoável, que sempre poderia ser melhor. Como todos os demais serviços que prestamos aos brasileiros e estrangeiros que aqui vivem. Seria muito monótono viver num país sem problemas, pois muitos se suicidariam de tédio.
O que nos falta no momento? Um pouco de ambição, um sonho que podemos ser melhores. Que podemos resolver os problemas que todas as sociedades emergentes possuem. De compreender que desenvolver é gerar problemas a serem resolvidos e superados continuamente. Que é um processo de constantes conquistas, que nada existe de insuperável. Formas pelas quais vamos conquistá-los podem existir muitas, e é sobre elas que temos que discutir. Qual o caminho que preferimos?
Somos um povo admirado porque temos capacidade de trabalho e ao mesmo tempo viver com alegria. Vamos transformar o que temos em bens que vão proporcionar melhores condições de vida para todos, não só brasileiros como para a humanidade.
Utopia? Quem não tem sonhos, objetivos elevados, nada vai conquistar. Se nos compararmos com os asiáticos, com os europeus, com os norte-americanos, com os vizinhos sul-americanos ou os africanos, mesmo sem nenhum ufanismo podemos facilmente constatar que temos todas as condições necessárias para alcançar um futuro melhor.
Quem conheceu parte deste mundo e observou as dificuldades que existem em qualquer país constata facilmente que as nossas são superáveis, com um mínimo de diretrizes que sejam traçados. E estejam certos que vão galvanizar as forças desta nação que estão preparadas para travar as batalhas necessárias para conquistar melhores condições, superando eventuais limitações.
Que as lideranças tenham a coragem de empunhar as bandeiras para o desenvolvimento econômico, político, social e cultural. Ou serão atropeladas pelas hordas ansiosas que estão preparadas para estas conquistas.
17 de setembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: Le Monde, suplementos especiais sobre o Brasil, The Economist
O Brasil tem sido objeto de suplementos e edições especiais, como o que acaba de ser publicado pelo Le Monde francês. E artigos do The Economist inglês, importantes veículos de influência internacional que constatam a atual boa situação do país, com algumas ressalvas. Tudo isto pode massagear o ego dos brasileiros, mas também ajuda a provocar um perigoso “boom” de ingressos de recursos de moedas estrangeiras, de curto prazo e voláteis, que acabam valorizando exageradamente o real, entre outros inconvenientes.
As economias emergentes como a China e a Índia estão em moda, e a do Brasil é entendida como o que pode, nas próximas décadas, apresentar crescimentos que foram modestos até o momento, mas já atinge a mais de 7% neste ano. Com a estabilidade política, abundância de recursos naturais, mesmo com seus muitos problemas, apresenta uma perspectiva brilhante para o futuro.

Ilustração do especial do jornal Le Monde, sobre o Brasil. Foto: RFI
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15 de setembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: controle de déficit público, limites para o financiamento externo, necessidade de investimentos
De forma sempre oportuna, o professor Yoshiaki Nakano, da Fundação Getúlio Vargas, publica um artigo no Valor Econômico colocando um desafio para o novo governo brasileiro: o aumento dos investimentos sem um correspondente acréscimo da dívida pública. Ele entende, como muitos organismos que estão se agregando no chamado “Brasil Eficiente”, que o País tem todas as possibilidades de manter um crescimento de cerca de 6% ao ano no futuro. Mas, para tanto, precisaria aumentar o seu investimento para cerca de 25% do PIB ao ano.
Isto só seria possível com o aumento da poupança do governo, que teria que conter os seus gastos, pois o nível do seu endividamento público já está entre os mais elevados, quando comparados com outros países.
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13 de setembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: decisões do BIS, prazo para implementação, ratificação do G20, riscos sistêmicos
Segundo o site de economia de O Estado de S.Paulo, importantes decisões foram tomadas hoje em Basileia, Suíça, no chamado BIS – Banco Internacional de Compensações, uma espécie de Banco Central dos Bancos Centrais. As medidas visam evitar que ocorram problemas financeiros internacionais como os que afetaram o mundo no passado recente, levando economias de todo os países a sofrerem uma paralisação dos seus financiamentos, gerando uma crise global.
Segundo as primeiras informações, que ainda deverão ser ratificadas na próxima reunião do G20, a ser realizada na Coreia em novembro deste ano, os bancos terão elevadas as suas necessidades de capital, principalmente para efetuarem determinadas operações. Os maiores bancos, cujas dificuldades poderão gerar uma crise sistêmica, ou seja, afetando todo o sistema financeiro internacional, serão os mais afetados. As medidas que regulamentam o que se chama “alavancagem” só serão válidas a partir de 2013, dando aos bancos tempo para se ajustarem às novas exigências.
Os bancos, apesar da resistência da maioria dos banqueiros, serão regulamentados, não podendo pagar dividendos ou remunerar os seus dirigentes se não cumprirem as medidas de aumento do capital. Tudo isto visa aumentar a segurança dos próprios bancos, reduzindo a sua liberdade de concederem empréstimos de alto risco que afetem a sua estabilidade.
Estas medidas devem reduzir os empréstimos em todo o mundo e, como consequência, o ritmo de crescimento de muitas economias, afetando a todos. A segurança mundial exigia medidas drásticas regulamentando melhor o sistema bancário, que não poderia continuar contando com a liberdade que estão usufruindo, com influência exagerada sobre a vida de todos.
O tempo concedido para estes ajustes parece generoso, mas muitos países que vieram abusando do seu endividamento terão que redobrar seus sacrifícios, pois contarão com menos empréstimos externos. Em economias, os agentes antecipam o que vai acontecer no futuro, e isto significa que seus efeitos serão imediatos.
Ainda que estes assuntos sejam técnicos, acabarão afetando a todos, que devem aumentar as medidas cautelares, evitando atitudes demasiadamente arrojadas.
12 de setembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: como acompanhar esta evolução, dificuldades dos focos, efeitos na imprensa
Observam-se as dificuldades que os meios tradicionais de comunicação enfrentam com as rápidas mudanças que ocorrem com os instrumentos que transmitem “on time” as informações por todo o mundo pela internet. Fico impressionado ao encontrar no site de um jornal de Bancoc, da Tailândia, os resultados da Fórmula 1 de automobilismo em Monza, na Itália, minutos depois que a corrida terminou. Resultados atualizados sobre o US Open de tênis estão nos mais variados sites de jornais asiáticos, em muitos países. Ao lado da massa de notícias sobre o futebol em todas as localidades. Isto me dá a consciência da importância dos esportes e dos meios de comunicação, tornando o mundo uma aldeia global e, pior, instantâneo e descartável.
Vejo os jornais tradicionais lutando para se adaptar a esta nova realidade, inovando as formas pelas quais se apresentam ao seu público, que está diminuindo, apesar de algumas honrosas informações em contrário. As verbas publicitárias necessárias para sustentar organizações complexas e pesadas estão se reduzindo, o que está obrigando muitos a cobrarem pelo acesso a elas. Vários veículos, inconformados com a superficialidade das notícias que os seus leitores exigem, procuram criar suplementos para análises mais profundas para parte dos seus usuários tradicionais. Eles desejam satisfazer os que procuram reflexões mais cuidadosas. Mas é sempre complicado ajustar o foco e o equilíbrio em que devem se concentrar, atendendo também as publicidades indispensáveis.
Lamentavelmente, para os mais exigentes, o que parece aumentar é a demanda de “fofocas” sobre personalidades sociais ou aqueles que ficam conhecidos, com o seu minuto de fama, pela sua presença nos meios de comunicação, principalmente a televisão. Tenho a impressão que atendem uma necessidade, quando constato a quantidade destas revistas nas salas de espera de muitos consultórios.
As revistas semanais que antes tinham uma importância na formação da opinião pública e até para pautar outros meios de comunicação também passam, cada vez mais, a fornecer informações mais superficiais, tentando concorrer com os meios eletrônicos mais velozes e sintéticos, como se tudo fosse possível de ser transmitido numa frase de um twitter.
Com tudo isto, ainda que a demanda de livros esteja aumentando em todo o mundo, muitos deles também estão se tornando menores e mais visuais. Os que exigem leituras mais cuidadosas parecem estar reservados para um público restrito, mas a esperança é que o hábito da leitura comece na juventude com os mais leves.
Até os bens materiais estão ficando descartáveis. Ninguém compra um computador para a vida toda, bem como automóveis ou produtos eletrônicos. Depois de pouco tempo de uso, necessitam ser substituídos por outros tecnicamente mais avançados. As lojas tradicionais estão sendo substituídas pelas mais ágeis nas mudanças.
A grande dificuldade é que na formação dos seres humanos é preciso um pouco mais de tempo, e uma gestação continua demandando nove meses, ainda que os jovens atuais iniciem os seus estudos ainda em tenra idade. E contem com os estímulos para um rápido aprendizado. Mas alguns conhecimentos necessitam ser decantados, separando-se o joio do trigo.
Mas, assim caminha a humanidade, e certamente o amanhã será melhor do que ontem.