Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Visita do Imperador e Imperatriz do Japão à Índia

27 de novembro de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política | Tags: Brahma Chellancy no Project Syndicate, interpretação correta, visita à Índia

Um artigo escrito pelo professor Brahma Chellancy divulgado pelo Project Syndicate parece necessitar de alguns ajustamentos mínimos na sua interpretação. O autor é professor de Estudos Estratégico no Centro de Pesquisa de Política baseado em Nova Delhi e refere-se à próxima visita do Imperador Akihito e Imperatriz Michiko à Índia como marco antecipatório das relações de economia e segurança entre as duas maiores democracia da Ásia. Não há dúvida que o Casal Imperial é o símbolo do Estado Japonês, da dinastia mais antiga do mundo, e suas ações não interferem diretamente nas ações de governo do Japão. Na realidade, o que o governo japonês vem estabelecendo com a Índia pode estar sendo sancionado pela sua visita, não sendo adequado interpretar que a visita se antecipa ao que o Japão estará efetuando.

A estabilidade política recomenda o fortalecimento das relações entre os dois países, e o governo de ambos os países já estabeleceram fortes laços de intercâmbio, começando pela implantação do importante corredor de exportação entre Nova Delhi e Mumbai, onde as grandes empresas japonesas estão construindo um sistema com financiamentos de longo prazo a custos privilegiados bem como expressivos investimentos. Também o governo japonês vem prestando sua colaboração ao Corredor Oeste da Índia e ao projeto do Metrô de Bengala. A visita pode ser a consolidação do que o Estado japonês está entrosando com o Estado indiano, o que foi estabelecidos por ambos os governos. Parece um detalhe semântico, mas não parece adequado interferir que a Casa Imperial esteja inspirando a ação governamental do Japão.

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Imperador Akihito e da Imperatriz Michiko. Foto: Reuters

O artigo refere-se à visita feita pelo Casal Imperial em 1992 à China, como um apoio ao governo de Deng Xiaoping e a sua política externa. Na realidade, se algo foi efetuado neste sentido, também foi pelo governo japonês da época, sem que sua diretriz fosse dada pelo Imperador, que não interfere nestes assuntos depois da Segunda Guerra Mundial, como está na Constituição japonesa.

O autor ainda faz considerações inadequadas sobre futuras viagens do Imperador Akihito, bem como possíveis contrastes com as do primeiro-ministro Manmohan Singh, quando este é Chefe de Governo, não se confundindo com o de Chefe de Estado.

Ainda que o artigo faça uma série de outras considerações sobre assuntos estratégicos da Ásia, notadamente no seu relacionamento com a China, estas interpretações preliminares que não correspondem às formalidades políticas não atribuem às colocações uma validade que seria desejável, ainda que certamente estejam perseguindo a importância da viagem.

Fica difícil compreender como o Project Syndicate distribuiu um artigo que contém interpretações controvertidas como as que estão apresentados nesta matéria.


O Escritor Hindu Laxman Rao

26 de novembro de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias | Tags: 24 livros tipo cordel escrito em híndi, descrito no The New York Times, escritor que vive vendendo chá

O jornal The New York Times é universal, tendo a capacidade de destacar num artigo de Zach Marks até um escritor modesto de nome Laxman Rao que escreveu 24 livros escritos no idioma híndi tratando de romances, peças de teatro e análises da sociedade indiana e política. Mora hoje em Nova Delhi, mas vive o cotidiano vendendo chá, o suficiente para lucrar o correspondente a 10 dólares diários, com o que vive. Mas conta com leitores fiéis como a falecida primeira-ministra Indira Gandhi e o ex-presidente Pratibha Patil. Com uma educação formal que só foi até o 10º do primário, nasceu no Estado de Maharashtra, passou por outras localidades até chegar à Nova Delhi, na localidade de Hindi Bhavan, um centro cultural.

Estes vendedores de chá são conhecidos como wallahs chai e são pulares na Índia. Laxman Rao publicou seu primeiro livro em 1979, “Uma Nova História de um Novo Mundo”. Seu best-seller é “Ramdas”, publicado em 1992, que conta a história de um estudante que morreu afogado na aldeia onde nasceu o escritor. Ele já vendeu mais de 10 mil cópias dos seus livros que auto publica. O repórter Bhanu Pande, do The Economic Times, escreveu que seus livros exalam um raro sentido de honestidade e humildade. Outro jornalista, Nalini Ranjan, do The Tribune, disse que os escritos dele são tecidos em torno das realidades básicas da vida.

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Laxman Rao em seu ofício de vendedor de chás

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Brasil e Rio de Janeiro na Pauta do Mundo

26 de novembro de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Imprensa, Notícias | Tags: artigo no New York Times, imprensa japonesas sobre arrastões nas praias, megaeventos atraem as atenções do mundo

O fato concreto é que o Brasil e o Rio de Janeiro estão na pauta dos principais meios de comunicação social do mundo, diante da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, sendo objeto de reportagens dos mais variados tipos. The New York Times publica um longo artigo de Michael Kimmelman que visitou o Rio de Janeiro e subiu até nas favelas para conversar com seus moradores. Também a imprensa japonesa registrou os lamentáveis arrastões que ocorreram nas praias do Rio de Janeiro que assustam a todos, ainda que medidas adicionais estejam sendo tomadas pela polícia. Algumas reportagens são mais equilibradas, ressaltando os esforços que estão sendo efetuados, mas os fatos negativos acabam chamando mais espaços nas manchetes.

O artigo do The New York Times procurou registrar as obras que estão sendo feitas, como as que visam a melhoria da zona portuária, procurando modernizar com instalações adequadas para os turistas. Até nas favelas as melhorias que estão ocorrendo mereceram destaque, pois suas vistas são estupendas e os seus moradores procuram mostrar que, mesmo com os seus muitos problemas, também contam com populações que se esforçam para viver e melhorar o padrão do que possuem. Elas estão sendo objeto de visitas de turistas, inclusive estrangeiros, que querem conhecer algo de diferente do que encontram em seus países, que não se restringe somente às desgraças. Como os brasileiros continuam mantendo o seu otimismo e a alegria, como as expressas nos carnavais, acabam interessando aos estrangeiros.

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Reinventing Rio de Janeiro: With the World Cup and the Olympics bearing down on Rio within the next three years, officials here are struggling to reinvent this onetime third-world city with a first-world economy. Foto: Mauricio Lima for The New York Times

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Obras em construção no Rio de Janeiro

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Aumento de Tensões no Extremo Oriente

25 de novembro de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias, Política | Tags: anúncio chinês da nova Air Defense Indentification Zone – ADIZ, áreas disputadas por diversos países, coreanos e norte-americanos, reações dos japoneses | 4 Comentários »

No ultimo fim de semana, o Ministério de Defesa da China anunciou uma nova ADIZ – Air Defense Indentification Zone, no Mar Leste da China, incluindo áreas críticas que abrangem as ilhas disputadas internacionalmente chamadas de Diaoyus pelos chineses e Senkakus pelos japoneses, como estão registrados em todos os órgãos relevantes da imprensa mundial. Já protestaram, ainda em termos diplomáticos, os japoneses, os norte-americanos e seus aliados, bem como os coreanos, todos que possuem interesses nas áreas, alertando sobre os elevados riscos da decisão chinesa.

Todos esperavam que os problemas das áreas em disputa, ainda que motivações internacionais tendessem a acomodar-se em algum tipo de entendimento, fossem resolvidos diante dos volumes dos interesses comerciais envolvidos entre os principais países envolvidos. Ainda que as reações diplomáticas tentem preservar os entendimentos, procurando minimizar a importância do anúncio chinês, todos ressaltam a possibilidade de um incidente com aeronaves que estejam cruzando estes espaços, procurando estabelecer alguns mecanismos de emergências para tanto.

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Quando as dificuldades são marítimas, envolvendo embarcações, ainda tenham se tornados velozes mais recentemente, não são como as aeronaves e foguetes militares, muitos de velocidades supersônicas. Como as distâncias são pequenas nesta região do Mar Leste da China, os tempos disponíveis para alertas são mínimos. Qualquer disparo acidental antes do início das negociações pode desencadear uma crise de proporções monumentais.

Ainda que todos esperem que as devidas cautelas sejam tomadas, já havia tensões que envolvem questões de soberania entre países que possuem cargas históricas lamentáveis, que não conseguem ser absorvidas pelo tempo.

Outros países de comportamento pouco previsível, como a Coreia do Norte, já têm lançado foguetes que provocaram protestos de muitos outros países, bem como acumulação de preocupações. Agora, tanto a China como seus vizinhos contam com muitos armamentos pesados na região, inclusive atômicos. Qualquer acidente pode gerar uma situação de difícil controle.


Esboços da Atual Geopolítica Mundial

24 de novembro de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política | Tags: colocações do The Economist, experiências militares, os problemas em ambos os países, teóricas disputas entre os Estados Unidos e a China na hegemonia das próximas décadas

Ainda que sejam estudos de futurologia que dependem muito do que continuará acontecendo nas próximas décadas em todo o mundo, as hipóteses de geopolítica costumam especular sobre o futuro mais longínquo e as possibilidades da China superar os Estados Unidos na hegemonia mundial nas próximas décadas. A revista inglesa The Economist é uma das que insistem neste assunto, ainda que a China sempre afirme que deseja somente a melhoria do padrão de vida de sua gigantesca população que ainda é muito baixa, não tendo pretensões imperialistas. Ela é feita na análise da atual situação dos Estados Unidos, onde visivelmente o presidente Barack Obama perde importância mundial, num país que depende mais do que acontece no seu setor privado, principalmente na economia. A China também se dispõe a efetuar reformas importantes para superar as suas dificuldades de manutenção de um ritmo de crescimento razoável na próxima década, tentando ampliar suas alianças internacionais.

O que parece evidente é que os Estados Unidos se desgastaram muito com as intervenções que promoveram no Iraque e no Afeganistão, inclusive ameaças na Síria que consumiram muitos recursos e prestígios, exigindo que suas presenças como nos mares que cercam a China contem com colaborações dos seus aliados na região, principalmente nos seus financiamentos. A revista entende que os norte-americanos colheram experiências com suas atuações utilizando suas forças militares em conjunto com os drones, o que os chineses não têm, mesmo contando com o apoio da Rússia, que não aprecia a hegemonia dos Estados Unidos. Mas estas contestações só ocorrem no campo diplomático, onde no Conselho de Segurança das Nações Unidas veta em conjunto as pretensões dos norte-americanos como no caso da Síria e do Irã.

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Os Estados Unidos estão melhorando do ponto de vista econômico com o aumento significativo de sua produção interna de petróleo e gás, notadamente do fraqueamento das rochas do xisto que permite combustíveis baratos, ainda que isto continue poluindo suas águas. Eles afirmam que principalmente o gás é menos poluente que o carvão mineral e continuam dando pequena importância ao lançamento do CO2, mesmo que as irregularidades climáticas estejam aumentando, impondo pesados custos sociais em diversas partes do mundo, inclusive no seu próprio país. Estes e outros posicionamentos determinaram o fracasso das reuniões promovidas em Varsóvia, reunido praticamente todos os países do mundo.

Na China, o presidente Xi Jinping parece ter consolidado de forma impressionante o seu comando político, econômico, tanto interno como o de política externa, impressionando o mundo. Deve esmagar as resistências internas como relacionados com a corrupção, poder das estatais como das autoridades locais, ao mesmo tempo em que promove uma forte distensão política interna, ampliando a participação das massas populares. O primeiro-ministro Li Keqiang tende a se tornar somente a sua sombra, para executar o que ficar sobre a sua responsabilidade. Profissionais preparados como com Liu He, com aperfeiçoamentos em Harvard, com um pequeno grupo de liderança deve ajudar Xi Jinping nas difíceis tarefas de reformar radicalmente a China, adquirindo uma importância política que nem Deng Xiaping, reconhecido como o grande reformador, não teve naquele país.

A China vai depender do fornecimento de energia e matérias primas, ampliando suas influências como na África e em outros países emergentes como o Brasil, consolidando também suas alianças com a Rússia. Sua agilidade e pragmatismo são impressionantes, fazendo uso pleno das reservas de moedas estrangeiras que acumulou os últimos anos. Ainda que esteja aumentando o seu poder militar, ele é insignificante diante dos estoques de armamentos, experiências e tropas de que dispõem os Estados Unidos e seus aliados.

Parece que os chineses possuem a plena consciência desta situação, não se dispondo a correr os riscos como os que levaram a antiga URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas à sua dissolução. A corrida armamentista não parece estar nos seus planos, o que leva a entendimentos para uma convivência com os Estados Unidos, como estão sendo promovidos em diversas reuniões e intercâmbios.

Os Estados Unidos, de sua parte, parecem tentar encurralar estrategicamente a China como movimentos de pinças, tanto com os europeus como com seus aliados na região do Pacífico. Mas conflitos militares entre ambos os blocos não são imaginais pelos custos para todos. Do ponto de vista de relacionamento comercial, todos tentam intensificar com acordos de todos os tipos, mas a experiência passada indica que não suficientes para superar os problemas de hegemonia do poder, segundo a revista.

O quadro atual aparenta contar com dirigentes que se tornaram mais pragmáticos que ideológicos, apesar de sempre se contar com radicais por todos os lados. De outro lado, o poder parece estar mais distribuído, não se concentrando somente nas lideranças de dois blocos, havendo um grande grupo de países intermediários que também aumentaram suas participações nas influências internacionais.


Dificuldades dos Estrangeiros Entenderem os Japoneses

24 de novembro de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias | Tags: diferenças culturais, dificuldades de alimentação, interpretações complicadas, problemas de sexo | 2 Comentários »

Duas matérias publicadas neste sábado na forma de colunas na Folha de S.Paulo mostram como mesmo os brasileiros bem informados contam com dificuldades para entender os japoneses em alguns dos seus comportamentos, no que é básico para todos os seres humanos, a preservação da espécie e a alimentação. O primeiro elaborado por Alexandre Vidal Porto, escritor e diplomata, que leva o título “A economia do sexo” tratando do assunto entre os japoneses, e o segundo de Álvaro Pereira Junior, com o título ¨Churrasco de aorta”, quando procurou um lugar para se alimentar nos meandros de Osaka.

No primeiro, o colunista se confessa que nunca compreendeu como um casal japonês chega do primeiro contato à intimidade física e cita outros meios de comunicação como o The Guardian e a BBC que teriam dificuldades semelhantes com relação ao sexo no Japão. Eles, que são ingleses, informam que cerca de 45% das mulheres e 25% dos homens japoneses da idade entre 16 a 24 anos se declaram desinteressados em sexo, o que não parece refletir a realidade, mas a formalidade. O autor constata que a indústria de pornográfica japonesa movimenta bilhões de dólares, e a arte erótica no país é conhecida desde o século XIV. Para ele, o sexo dos japoneses parece momentâneo, não se relacionando com um relacionamento amoroso mais profundo, o que parece extremamente injusto, ainda que sua interpretação possa ser diferente.

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Aumento dos Estudos Acadêmicos Sobre Yoga e Meditação

22 de novembro de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias, Saúde | Tags: até Harvard estuda os efeitos da yoga e meditação, aumento de praticantes, casos brasileiros, conhecimentos milenares

Apesar dos conhecimentos milenares que o yoga e a meditação ajudam na saúde humana, notadamente no afastamento do estresse e doenças, agora se intensificam os estudos acadêmicos de importantes instituições científicas sobre o assunto. Makiko Kitamura da Bloomberg elaborou um artigo mostrando os estudos que estão sendo feitos pelo psiquiatra da Harvard Medical School, John Denninger, que é diretor de pesquisas do Instituto Benson-Henry de Medicina Body Mind do Hospital Geral de Massachusetts. Por cinco anos, acompanham um grupo de pessoas que apresentam problemas. As formas como estas práticas antigas afetam os genes e as atividades cerebrais das pessoas cronicamente estressadas, prosseguindo estudos já feitos por outros cientistas, mostram que as técnicas assim chamadas demonstram que mente e corpo podem ligar e desligar alguns genes relacionados ao estresse e as funções imunológicas.

Os estudos até agora efetuados tendem a utilizar ferramentas como questionários dos praticantes, bem como frequências cardíacas e monitoramento da pressão arterial, informa o artigo. Recentemente, as neuroimagens e tecnologias genômicas estão sendo utilizadas, permitindo medir as mudanças fisiológicas em maior detalhe. Quando se medita, os efeitos se disseminam não somente sobre o cérebro como por todo o corpo. Este estudo tenta rotas alternativas para enfrentar uma série de doenças modernas.

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Dr. John Denninger

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Formas de Ver a Aliança Militar dos EUA com o Japão

21 de novembro de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias, Política | Tags: evolução do problema da segurança na Ásia, novas revisões entre os Estados Unidos e o Japão, uma visão japonesa

O professor de política internacional da Universidade de Kanagawa Ryo Sahashi, expressa num artigo distribuído pela AJISS – Associação dos Institutos Japoneses de Estudos Estratégicos seu ponto de vista sobre as atuais tendências do entendimento militar entre os Estados Unidos e o Japão. Como todos sabem, depois da Segunda Guerra Mundial, o Japão renunciou a contar com força militar para a sua defesa externa, dispondo somente de meios para a chamada sua autodefesa, passando a contar com o suporte dos Estados Unidos para o que venha a necessitar. Com as despesas militares norte-americanas em diversas regiões do mundo, os Estados Unidos passam a esperar a colaboração dos países aliados para neutralizar o aumento da capacidade militar dos chineses nos mares que cercam a China, com a alegação de proteção de suas rotas de suprimento.

Os dois países mantêm um CCS – Comitê Consultivo de Segurança USA-JAPÃO ao nível dos ministros de Defesa e Relações Externas de ambos os países que se reúnem regularmente, o último no início de outubro último. O Secretário de Estado John Kerry vem afirmando que os Estados Unidos reconhecem que as ilhas Senkaku disputada com a China pertencem ao Japão. Também existem disputas com a Coreia do Sul, e a Coreia do Norte com seus foguetes com armamentos atômicos são preocupações constantes dos japoneses, como do resto do mundo, notadamente dos asiáticos.

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Simplesmente Tomie

21 de novembro de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias | Tags: simplicidade da origem japonesa, suas qualidades humanas

Tomie Ohtake, considerada a Primeira Dama das artes plásticas brasileiras completa o seu 100º aniversário. Muito se vai falar e escrever sobre ela, suas qualidades artísticas e humanas. Mas eu desejava registrar o meu modesto depoimento sobre o nosso longo relacionamento com Tomie, gente, simples, com a qual tenho privilégio de convívio por um bom tempo, menos frequentemente do que desejaria, até por limitações minhas. Respeito sua intensa atividade, inclusive tempo para pensar sobre suas obras, que requer mais elaboração intelectual do que muitos imaginam, exigindo dela uma atitude de reserva.

Conheci-a ainda no tempo do saudoso Seibi, grupo de artistas plásticos de origem japonesa no Brasil, quando no início de sua brilhante carreira, que começou tardiamente, depois de já ter criado seus filhos Ruy e Ricardo sozinha, e ela não era tão reconhecida e merecidamente consagrada.

Desde a minha infância, portanto, antes dela iniciar a sua carreira artística, conheci muitos dos membros deste grupo Seibi e frequentei muitas das suas exposições coletivas. Entre os primeiros, Tomoo Handa, Yoshiya Takaoka, Shigeto Tanaka, Yuji Tamaki, depois Manabu Mabe, Tikashi Fukushima, Kazuo Wakabayashi entre muitos outros. Tomie era uma das poucas mulheres que participavam ativamente do grupo, já no tempo do pós-guerra.

Uma das características mais importantes é que, mesmo depois de sua consagradora fama, continuou a mesma, modesta, humana, zen, prestigiando os relacionamentos com seus amigos. Não procurava o destaque, mas apreciava os vernissages, as novidades, incentivando outros artistas. E mesmo tarde da noite, quando tudo já estava terminado, ainda perguntava: aonde vamos agora?

Todos a admiravam pela sua fina bagagem que trouxe de sua vida em Quioto, antes de vir ao Brasil, onde se naturalizou brasileira. Para todos que tinham origens mais modestas, tendo passado como imigrantes no meio rural, ela já era motivo de admiração, pelo seu diferenciado nível cultural dos demais artistas.

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Permitam-me partilhar de alguns poucos episódios comuns. Ela aprecia um bom missogiru, e quando eu dispunha de um missô de produção caseira levava um pouco para ela. A produtora deste produto faleceu e já não contamos com este missô diferenciado do que se encontra no mercado. Ela sempre me pergunta ainda sobre o missô.

Quando estávamos em Tóquio, depois de uma exposição que ela fez, fomos jantar de forma íntima num restaurante que eu conhecia, também na companhia de Ruy e de Ricardo. Tinha escolhido este restaurante, pois ele tinha boa culinária e uma vista privilegiada para o Palácio Imperial, em frente ao parque Hibiya. O cozinheiro preparou uma escultura de tempura, usando macarrão japonês, o que era usual. Tomie encantou-se com a criatividade da peça que ficou enfeitando a nossa mesa.

Nunca ouvi de Tomie uma queixa, ela se mostrava e transmitia o seu alto astral, mesmo quando acometido de limitações que a obrigava a usar uma cadeira de rodas. Acredito que ela era assim com todos os seus amigos.

Mesmo consagrada, ela continuou a mesma, orgulhosa do seu trabalho que a deixava realizada. Mostrava as maquetes dos muitos monumentos que estava preparando para o centenário da imigração japonesa, peças que pareciam simples, mas elaboradas, e imaginávamos como ficariam nas suas dimensões projetadas.

Poucas pessoas são tão humanas como ela, ainda que a fama de sua imagem tenha corrido o mundo. Simples, é das que facilitam a conversa, mesmo que sejam de assuntos corriqueiros dos seres humanos. Quisera que o tempo não nos limitasse, mas de forma zen, temos que aceitar a natureza das coisas.


Discussões Sobre a China Continuam em Pauta

21 de novembro de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias | Tags: as dificuldades existentes, entendimentos de cúpula entre a China e a Comunidade Europeia, Harvard Business Review sobre as opiniões de Josef Joffe

Os que imaginam que o desenvolvimento é um processo fácil devem observar o que está ocorrendo na China que, apesar das suas dificuldades, empenha-se no estabelecimento estratégico de entendimentos com a cúpula da Comunidade Europeia. Ao mesmo tempo em que é criticado por estudiosos como Josef Joffe, autor do livro “The Myth of America’s Decline” (tradução livre, o Mito do Declínio Americano), que estudou também aquele país. O presidente Xi Jinping da China encontrou-se com o presidente Herman Van Rompuy do Conselho Europeu e o presidente Jose Manuel Barroso da Comissão Europeia, na reunião de cúpula do novo governo chinês com a União Europeia, segundo o China Daily. Justin Fox da Harvard Business Review entrevistou Josef Joffe, que analisou os países que poderiam disputar com os Estados Unidos a supremacia da liderança econômica e política mundial, apontando os problemas que a China deve encontrar.

O que o presidente da China espera é que a União Europeia promova novas áreas de cooperação, incluindo a urbanização, a inovação, a aeronáutica e a astronáutica, cuja discussão será comandada pelo primeiro-ministro Li Keqiang, procurando um plano para até 2020. Ainda que existam interesses de ambas as partes, os mecanismos atuais terão que ser aperfeiçoados, pois a Europa criou problemas com os painéis solares da China, e esta retaliou com investigações sobre o dumping com vinhos da Comunidade Europeia. Os chineses solicitam maiores facilidades para que possam fazer investimentos na Europa. Os parceiros procuram quais os papéis que podem desenvolver num longo prazo.

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Herman Van Rompuy, Xi Jinping e Jose Manoel Barroso. Foto: Xinhua

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