Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Yoshiaki Nakano Sobre a Independência do BC

13 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: colocações ponderadas, coluna no Valor Econômico, respostas às criticas dos economistas ligados aos bancos

O jornal Valor Econômico costuma dar oportunidade para economistas de variadas tendências expressarem suas opiniões, e Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, de forma abalizada, expressa seus pontos de vista sobre a discussão que se trava no Brasil. Desde que o Banco Central reduziu a taxa Selic de juros em 0,5%, muitos economistas ligados ao sistema financeiro e consultorias que dão orientações aos que vivem de suas aplicações financeiras passaram a atacar as autoridades monetárias alegando que a instituição perdeu a sua autonomia, dependendo da vontade do governo, de forma injusta.

Nakano expressa, corretamente, que o Banco Central atual não conta mais com diretores representantes do sistema financeiro, que informavam os seus colegas das instituições privadas, utilizavam o chamado Focus para expressar seus pontos de vista que antes eram acatados como se fossem do “mercado”. Neste sentido, o Banco Central recuperou a sua verdadeira autonomia, baseando-se não somente no que ocorreu no passado, mas compreendendo que a sua função de controlar a inflação no prazo médio depende também do comportamento da oferta. As indicações do Banco Central já estão acelerando a queda dos juros no Brasil, que eram recordes no mundo, apesar de todos considerarem que sua economia tinha condições para atrair recursos externos. O mercado antecipa o que tende a ocorrer ao longo do tempo.

100 Dias do Governo DIlma

Economista Yoshiaki Nakano

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Aumento da Criação do Atum no Japão

12 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: bluefin tuna, criação do atum, parceria da Kyokuyo e Nippon Formula Feed | 7 Comentários »

Como é do conhecimento de todos, a demanda internacional de atum da melhor qualidade (bluefin tuna em inglês, honmaguro em japonês) vem aumentando substancialmente pela popularidade mundial da culinária japonesa, principalmente porque a sua gordura é considerada colesterol de boa qualidade. Recentemente, ela ganhou novo impulso com os numerosos chineses passando a apreciar o sushi e o sashimi. Antes, eles não tinham o costume de consumir produtos crus na sua alimentação. O jornal japonês Nikkei publica hoje um artigo informando sobre uma parceria das tradicionais empresas japonesas Kyokuyo e a Nippon Formula para aumentar a sua produção de atum criado, como forma de reduzir a sua captura em todo o mundo.

O método empregado pelas duas firmas é fertilizar artificialmente as ovas dos peixes capturados e cultivar os filhotes até a idade adulta. Este ciclo é repetido com os peixes cultivados. Este tipo de criação de peixes é presentemente usado somente por poucos criadores, como a empresa líder nesta área, a Maruha Nichiro e Kiinki University. Convencionalmente, peixes ainda jovens são capturados nos oceanos e criados em fazendas por um período de dois a três anos, quando atingem o peso adequado para o mercado. Os japoneses possuem uma tecnologia comprovada para a criação de produtos marinhos em suas fazendas marítimas.

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Artes Marciais e Atividades nos Templos Asiáticos

12 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: China Daily, práticas no Japão, Shaolin na Shenzhen Universiade | 4 Comentários »

O jornal chinês China Daily, na sua seção que cuida de cultura, apresenta uma série de fotos da demonstração de artes marciais efetuada pelos membros do Songshan Shaolin Temple, na Shenzhen Universiade, tendo como alguns assistentes também apreciadores estrangeiros. Diante das versões populares apresentadas intensamente nas televisões e cinemas nas últimas décadas, muitos leigos no assunto acabam fazendo algumas confusões sobre as artes marciais, inclusive como esporte e suas relações com alguns monastérios, tendendo a considerá-las como meras técnicas para ataques e defesas.

No entanto, verifica-se que também no Japão o arco e flecha, que exige uma extrema concentração e depende muito da meditação e do controle da mente, é praticado por alguns monges nos templos. Acabou se tornando técnicas para a concentração e disciplina mental, fazendo parte da filosofia que formam algumas das muitas divisões religiosas.

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Atletas estrangeiras acompanham as apresentações na Universidade de Shenzhen

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Nippon Steel e o Controle da Usiminas Brasileira

10 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: CSN adquirindo ações da Usiminas, noticias no Brasil e no Japão | 4 Comentários »

A Usiminas foi a primeira siderúrgica brasileira que nasceu da cooperação nipo-brasileira, e continua sendo um ícone desta relação bilateral, mesmo com todos os problemas que vêm enfrentando, introduzindo inovações tecnológicas. Uma evidência desta importância pode ser verificada na cobertura que o assunto do seu controle acionário recebe na imprensa de ambos os países. O principal jornal econômico japonês Nikkei publicou seu terceiro artigo sobre o problema, sempre com destaque. Os jornais brasileiros também destacam suas matérias sobre o assunto.

A Nippon Steel sempre foi uma acionista minoritária da Usiminas que era uma estatal, fornecendo sua tecnologia e inicialmente participando da Nippon Usiminas, um consórcio de empresas japonesas, que detinha 40% de seu capital, que se reduziu no tempo. Depois de privatizada a Usiminas, a Nippon Steel voltou recentemente a aumentar sua participação no seu capital, detendo o seu controle num acordo de acionistas com os grupos Camargo Correa e Votorantim. Nos últimos meses, a CSN – Companhia Siderúrgica Nacional, controlada pelo grupo Steinbruck, passou a adquirir ações da concorrente Usiminas, e as notícias recentes informam que deseja adquirir os blocos de ações da Camargo Correa e Votorantim, sobre as quais a Nippon Steel possui direito de preferência. A CSN teria a vantagem de tornar-se uma importante siderúrgica mundial, apropriando-se da tecnologia da Usiminas.

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Equipamentos Pesados de Construção Chinesa no Japão

8 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: noticias do Nikkei, presença também no Brasil, Sany chinesa no Japão | 6 Comentários »

Segundo o credenciado jornal econômico japonês Nikkei, a líder de equipamentos pesados de construção da China, a Sany Heavy, está desafiando os produtores japoneses tradicionais, como a Komatsu, Hitachi Construction Machinery e Kobelco Construction Machinery, efetuando suas primeiras vendas de cinco a dez escavadoras hidráulicas de médio porte para uma empresa local japonesa de aluguel de equipamentos. Esta empresa chinesa já está instalada no Brasil disputando com as grandes empresas internacionais, como a Caterpillar, a Fiat e a própria Komatsu, contando com a liderança pessoal de um dos seus cinco fundadores.

Como é do conhecimento de todos, a construção civil pesada da China chega a representar mais da metade do mundo todo, e a sua gigantesca demanda determinou o espantoso crescimento de empresas como a Sany Heavy, com tecnologias avançadas e preços competitivos. No Japão, seus escavadores hidráulicos de multiuso estão sendo oferecidos com preços 20 a 30% mais baixos que seus concorrentes, que são grandes empresas tradicionais e mundiais.

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Relíquias Chinesas de sua Cultura Milenar

7 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: provas incontestáveis da cultura milenar, relíquias de 6.000 a.C. encontradas nas escavações | 1 Comentário »

Nas visitas que efetuei na China, os meus anfitriões chineses fizeram questão que eu conhecesse uma escavação arqueológica com os resquícios de uma povoação estimada como sendo de 6.000 a.C. (anos antes de Cristo), datação que hoje é possível ter uma boa segurança usando técnicas de radiação. Isto comprovava uma civilização de no mínimo 8.000 anos. Um artigo do China Daily informa hoje que em 1987 foram encontradas 16 flautas de osso, em tumbas do início do período Neolítico em Jiahu, na região central da China, também estimada como sendo de 6.000 a.C., que se encontra atualmente no Museu de Henan, província daquele país. Este jornal se compromete a divulgar sobre estas relíquias culturais semanalmente.

Uma das flautas de osso encontra-se em ótimo estado de conservação, com cerca de 22 centímetros de comprimento com 7 perfurações, sendo que os demais contam com 5 a 8 perfurações. Comprovam que a música sempre esteve presente com os seres humanos desde os seus primórdios. Estas relíquias estão entre as mais antigas encontradas na China, e são mais antigas que as da Mesopotâmia e do Egito.

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Uma das16 flautas da coleção do Museu de Henan. Foto publicada no China Daily

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Publicidade da China na Folha de S.Paulo

7 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: competição saudável, muitas informações, suplemento publicitário sobre a China na Folha de S.Paulo

Os jornais estão sendo utilizados para incluir suplementos com informações concentradas nos assuntos que interessam ao intercâmbio com outros países. Assim, a Folha de S.Paulo, por exemplo, publica semanalmente um suplemento com artigos gerais selecionados do The New York Times, mensalmente da Gazeta Russa com assuntos relacionados com a Rússia e hoje apresenta um suplemento publicitário de 8 páginas sobre a China, incluindo anúncios da Jac Motors que vem importando automóveis chineses, programada para produzir no Brasil a partir de 2014. Os países que não o fazem acabam ficando com menos espaços nestes jornais.

O suplemento sobre a China mostra dados sobre o intercâmbio da China com o Brasil, onde fica claro que exportamos muitos produtos primários, enquanto nas importações predominam os produtos industrializados, mas o saldo continua a favor dos brasileiros. Enfatizam-se a cooperação bilateral no lançamento dos satélites com o uso dos seus portadores, os foguetes de longo alcance. Bem selecionadas, as matérias escolheram os aspectos que mereceram destaque na imprensa internacional, com os ótimos resultados da educação que vem sendo alcançada em Xangai.

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Porto de Xangai, o maior do mundo. Foto: Anamuna

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Ainda a Questão dos Juros no Brasil

6 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política, webtown | Tags: artigo de Delfim Netto, outras considerações, reações à redução da Selic | 2 Comentários »

Como registra hoje o professor Antonio Delfim Netto na sua coluna semanal sempre brilhante no Valor Econômico, a reação de muitos analistas à redução de 0,50% na taxa Selic decidida pelo Copom do Banco Central do Brasil parece estar influenciado pelo fígado e não pelo cérebro. Muitos críticos procuram confundir as coisas, para preservarem seus pontos de vista que eram pela manutenção da taxa, ainda que o mundo esteja em desaceleração, com menos pressões inflacionárias. A economia brasileira com a sua atual situação macroeconômica não tem a necessidade de continuar ser a campeã mundial dos juros, mesmo com a redução que começou a ocorrer. O ponto principal dos opositores à queda dos juros parece atribuir a decisão do Copom à pressão do Executivo, acabando com a independência do Banco Central, com o risco de provocar no sistema de metas um aumento das pressões inflacionárias.

Venho insistindo que estes analistas trabalham vendo o vidro retrovisor, analisando somente o passado, mesmo sabendo que qualquer decisão de política monetária demanda muitos meses para que tenha um impacto efetivo na economia. Muitos países estão facilitando a expansão dos meios de pagamento, mas as empresas insistem em manter seus ativos em caixa, diante da falta de confiança no crescimento da economia mundial, cujas estimativas continuam sendo revistas para baixo. Muitos insistem que os serviços estão com seus preços em alta, não reconhecendo que muitos deles deixaram mecanismos de indexação perversos como os relacionados com as tarifas de energia elétrica, comunicações e outros com indexações baseadas no passado, sem incluir uma perspectiva do que vai ocorrer no futuro. E sobre estes preços os juros têm pouco efeito.

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Banco Central do Brasil, Federal Reserve e Banco Central Europeu

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Consumo de Carnes na Índia

6 de setembro de 2011
Por: Decio Yokota | Seção: Editoriais, Notícias, webtown | Tags: conceitos equivocados, consumo de carnes na Índia, perspectivas

Há uma percepção de muitos que na Índia há um consumo muito limitado de carnes, o que, segundo uma notícia constante de um jornal daquele país, o The Times of India, mostra que isto não corresponde à realidade. Só na região de Kerada, que tem uma população das mais pobres daquele país, que conta com uma população em torno de 30 milhões de habitantes, o consumo diário é de mais de 5.000 toneladas diárias, sendo que 80% da população não é vegetariana. E a produção local é somente de 264 toneladas, o que mostra que é um grande mercado importador de outras regiões indianas.

Entre as carnes consumidas destacam-se os de bovinos, carneiros e frangos, todos muito produzidos no Brasil em condições competitivas no mercado internacional. Como são pobres, o consumo de frangos que era de somente 6% em 1990 conta agora com 45%, e a produção brasileira é exportada para o Oriente Médio e para a Ásia como um todo.

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Os Problemas das Terras Raras Controladas Pela China

6 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: notícias no Nikkei, o problema das terras raras, pesquisas para a procura de alternativas

Como é sabido de todos, as terras raras são minerais estratégicos para diversas atividades, notadamente as ligadas às atuais tecnologias eletrônicas. A China detém 90% de sua atual produção mundial e passou a restringir a sua exportação, criando problemas para muitas indústrias em todo o mundo. É mais que natural que pesquisas sejam incentivadas para a procura de suas alternativas, como está sendo noticiado hoje no jornal japonês Nikkei que informa que o Ministério de Ciência e Tecnologia do Japão decidiu estabelecer quatro centros para estas pesquisas no orçamento do próximo ano fiscal.

Segundo a notícia, o orçamento deve incluir recursos para a pesquisa por uma década. Haverá uma colaboração da indústria, da academia e do setor público. Materiais para magnetos, catalíticos, baterias e eletrônicos estão entre os objetivos destas pesquisas. As inovações procuram conseguir magnetos de uso permanente.

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Nas economias de mercado, é mais que natural que isto ocorra, quando alguns fornecedores utilizam seus controles monopolísticos. Ainda que esta situação possa ser mantida por algum tempo, as pesquisas acabam desenvolvendo alternativas para a superação das limitações.

Muitos novos materiais poderão ser desenvolvidos, ao lado de pesquisas, para a localização de reservas adicionais, mesmo com um teor menos expressivo. Os preços elevados que vigoram atualmente no mercado internacional incentivam estas pesquisas, principalmente quando existe uma retaguarda governamental, pois os resultados são sempre incertos.

Alternativamente, podem se desenvolver tecnologias que dispensem o uso destas terras raras, ainda que sejam difíceis. Nas últimas décadas, muitos novos materiais ficaram disponíveis no mundo, com características que superam os produtos tradicionais. Tudo isto indica que o monopólio não é uma situação que pode ser explorada por muito tempo, pois acabam se encontrando formas para superar as limitações impostas de forma artificial.