1 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, webtown | Tags: influência dos seus ensinamentos, Instituto Confúcio, o filósofo Confúcio, Templo Confúcio
O governo chinês utiliza hoje o Instituto Confúcio para a divulgação de sua cultura, à semelhança do que fazem países europeus, como a França com sua Aliança Francesa, a Alemanha com seu Instituto Goethe, entre outros. Existe em Beijing um templo Confúcio que é muito visitado pelos turistas chineses e estrangeiros, sendo que alguns consideram até como uma religião, mas é mais conhecido como uma filosofia. Seus ensinamentos influenciaram não somente a China como os principais países asiáticos como o Japão, a Coreia e o Vietnã.
Este filósofo nasceu no ano 551 a.C. e faleceu no ano 479 a.C. na antiga China e muitos dos seus muitos ensinamentos deixados em vários documentos, entre eles os reunidos no Analectos de Confúcio que são adotados até hoje, não se restringindo somente à China, mas espalhados pela Ásia, principalmente. Seus princípios podem ser resumidos como a lealdade à família, consideração aos antepassados e respeito aos idosos, que acabam determinando uma sociedade organizada hierarquicamente pela idade e pelo conhecimento. Os professores acabam sendo considerados socialmente, como todos os transmissores do conhecimento. Seu princípio até hoje muito utilizado é: “não faça aos outros o que não deseja que seja feito para si mesmo”.


Confúcio ensinando, retratado por Wu Daozi / Estátua em frente ao Templo de Confúcio, em Beijing
Leia o restante desse texto »
1 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política, webtown | Tags: chefe de gabinete do premiê, grande amigo do Brasil, Osamu Fujimura, posto chave
Osamu Fujimura é um tradicional membro da Câmara Baixa do Japão eleito por um dos distritos eleitorais de Osaka, que se encontra no sexto mandato. Sempre foi do Partido Democrático do Japão – DPJ, desde quando fazia oposição ao LDJ – Partido Liberal Democrata, que agora está no governo. Grande amigo do Brasil, que visitou muitas dezenas de vezes, ajudando a fomentar a ida de estudantes brasileiros ao Japão. Colaborou ativamente com a Associação dos Japoneses Residentes no Exterior e foi um dos principais dirigentes da Liga Parlamentar Nipo-Brasileira, fomentando o intercâmbio nipo-brasileiro. Foi escolhido hoje ministro chefe do Gabinete do primeiro-ministro Yoshihiko Noda, que corresponde no Brasil à chefia da Casa Civil, como está sendo noticiado por toda a imprensa japonesa. Como São Paulo e Osaka são cidades irmãs, Osamu Fujimura trabalhou também neste intercâmbio.

Osamu Fujimura sempre foi um político que trabalhou de forma discreta, no estilo do atual primeiro-ministro Yoshihiko Noda, do qual é considerado o braço direito. Poderia ocupar qualquer cargo importante, dentro da composição política na montagem do Gabinete, mas era a pessoa mais indicada para o cargo a que foi designado, que é o principal do governo japonês, organizando todo o funcionamento do Executivo e cuidando das relações tanto com o Legislativo como com o setor privado e a imprensa.
O Brasil conta com este importante conhecedor do país e seu grande admirador, que conhece com profundidade, tanto nas suas dificuldades como nas potencialidades. Ele deve ser o canal mais importante de acesso brasileiro ao Japão. Ao longo de sua carreira, veio cultivando uma profunda amizade com uma rede de brasileiros.
Será uma peça chave para o incremento do intercâmbio nipo-brasileiro, bem como poderá auxiliar na reativação da economia japonesa incrementando o seu intercâmbio com o mundo emergente. Ele acumulou experiências nos assuntos internacionais também como vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão.
É motivo de grande orgulho poder contar com a sua amizade e expressar as esperanças de uma grande gestão, que certamente propiciará grandes contribuições para a intensificação das relações brasileiras com o Japão.
1 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias, webtown | Tags: Banco Central baixa a taxa Selic, determinação do governo, perspectivas positivas | 4 Comentários »
Só os economistas e analistas ligados ao sistema financeiro podem ficar surpresos com a decisão do Copom do Banco Central do Brasil reduzindo em 0,5% a taxa Selic. Eles só expressavam as suas opiniões olhando a economia brasileira e mundial pelo espelho retrovisor, ou seja, para o passado e não para o futuro. Ainda que o nível de atividade da economia estivesse caindo, tanto no Brasil como no resto do mundo, alegavam a necessidade da manutenção de juros elevados, diante de um suposto risco inflacionário, quando são evidentes os sinais que a economia mundial está desaquecida, com redução das pressões inflacionárias. Os preços das principais commodities já passaram pelo ponto de máxima, havendo indícios que muitos cairão, como os de energias, diante de uma economia internacional com menor crescimento.
Alegavam que os serviços estavam com pressões inflacionárias, pois no passado conseguiram que muitas tarifas ficassem indexadas aos indicadores mais perversos, o que ainda não pode ser corrigido sem a quebra dos contratos firmados. O governo federal está determinado a cortar os custeios, e a redução dos juros sobre a dívida pública libera substanciais encargos que podem compensar alguns aumentos inevitáveis das despesas, como os decorrentes da correção do salário mínimo.
O Brasil está mais preparado para enfrentar eventuais problemas provenientes do setor externo, e a redução dos diferenciais de juros internos e externos devem contribuir para a redução dos influxos financeiros de recursos, minimizando a necessidade de acumulações adicionais de reservas internacionais, que não decorrem de superávits comerciais.

Os empresários vinham sofrendo com os juros elevados, bem como o câmbio extremamente valorizado. Mesmo reconhecendo que muitas correções exigem um bom espaço de tempo, o que sempre acontece na economia é que os agentes antecipam as tendências que se visualizam para o futuro.
O Brasil tem todas as condições para um crescimento razoável, sem pressões inflacionárias exageradas, e com sustentabilidade, preservando o meio ambiente e melhorando a sua distribuição de renda, como veio comprovando no passado recente. O seu mercado interno ainda conta com amplos espaços para a sua melhoria, e muitas empresas estrangeiras estão ampliando a sua capacidade de produção local, aumentando o valor adicionado dos produtos industriais.
Os minérios e os produtos agropecuários devem ser adicionados com valores em função de sua industrialização, criando empregos de qualidade no Brasil. Alguns equipamentos pesados devem contar com a margem de preferência quando produzidos no país, dentro das regras estabelecidas pela Organização Mundial de Comércio, mesmo nos projetos financiados pelo Banco Mundial ou o BID.
O governo está deixando mais clara a sua visão do Brasil dos próximos anos, e os empresários devem aproveitar a liquidez financeira internacional, de juros baixos, para efetivar seus investimentos, ampliando a capacidade de produção. As condições sempre reclamadas estão sendo atendidas e os investimentos em infraestrutura não devem sofrer reduções, pelo contrário, aproveitando os eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, com aceleração dos mecanismos de colaboração público-privados, devem atender os gargalos ainda existentes.
O Banco Central, como muitos outros organismos públicos, estão contando com dirigentes de carreira, não necessitando mais de diretores provenientes do sistema bancário privado. Já existem mecanismos para o preparo adequado dos recursos humanos tecnicamente preparados para o exercício das funções de Estado.
31 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Gastronomia, Política, webtown | Tags: dojo, repercussões no The Wall Street Journal, tradicional culinária japonesa, Yoshihiko Noda | 3 Comentários »
Muitos políticos usam imagens conhecidas do público para se autodefinirem, como fez o novo primeiro-ministro japonês Toshihiko Noda, mas não se esperava uma repercussão tão ampla, chegando a merecer um artigo escrito por Yoree Koh e Andrew Joyce no famoso e internacional The Wall Street Journal. Ele se comparou a um dojo, um peixe que hoje só é oferecido em restaurantes tradicionais como o Komakata Dozeu de Asakusa, que é apreciado pelos que conhecem a culinária tradicional do Japão.
Tudo indica que Toshihiko Noda procurou definir-se como um político que procura trabalhar nos bastidores, não pretendendo apresentar-se como um líder vistoso, mostrando-se humilde, como é apreciado pela opinião pública japonesa. Nas primeiras manifestações, ele vem indicando uma grande capacidade de comunicação, ao mesmo tempo em que procura a acomodação com as lideranças tradicionais do seu Partido Democrático do Japão, o DPJ. Seu posicionamento vem agradando aos analistas mais rigorosos, merecendo até comparações com o ex-primeiro ministro Junichiro Koizumi, ainda que não tenha ainda o mesmo carisma. É uma grande esperança para tirar o Japão do marasmo em que se encontra.




Restaurante Komakata Dozeu e seus pratos com dojo. Fotos: Yoree Koh/The Wall Street Journal
Leia o restante desse texto »
30 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, webtown | Tags: exposição em Berlim, retrospectiva de Katsushika Hokusai, seus mangás
Se existe uma semelhança da forma de ser dos japoneses com os ocidentais, seguramente a proximidade é maior com os alemães. Ainda que a ligação do Japão durante o longo período do seu isolamento efetuava-se com os holandeses, que mantinham um entreposto em Nagasaki, quando na Era Meiji o Japão voltou a se relacionar com o resto do mundo, procurou na sua modernização utilizar o Código Civil de inspiração napoleônica. No entanto, com o tempo, verificou-se que o direito alemão ajustava-se melhor à forma de ser dos japoneses, acabando por influenciá-la fortemente. Quando a Europa passou a admirar as coisas do Oriente, a Alemanha acumulou uma impressionante coleção de “ukiyoe”, inclusive de Katsushika Hokusai. Quando se comemora os 150 anos das relações de amizade entre os dois países, nada mais justo que uma retrospectiva deste artista que está sendo realizada em Berlim.
No Berlin’s Martin-Groupius-Bau realiza-se a exposição retrospectiva de Katsushika Hokusai, que é o artista japonês mais conhecido no Ocidente, com o patrocínio da Fundação Japão e suporte de diversas organizações culturais e privadas japonesas, que deve se estender até fins de outubro próximo. Entre as obras mais inusitadas serão apresentadas as “Hokusai Mangá”, pouco conhecidas que mostram gravuras com matrizes em madeira já naquela época.



Gravura do Monte Fuji, os mangás e o Berlin’s Martin-Gropius-Bau
Leia o restante desse texto »
30 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, webtown | Tags: colaboração japonesa, corredor Nova Delhi para Mumbai, enfoque sistêmico, iniciativas da Índia
Todos sabem que existe uma forte ligação entre diversos projetos de infraestrutura onde, se consideradas em seu conjunto, de forma sistêmica, uns podem proporcionar vantagens para outros, fazendo com que a eficiência do conjunto seja maior do que quando considerados isoladamente. Isto só é possível quando as autoridades estão envolvidas fortemente, coordenando os trabalhos que são executados mais eficientemente pelo setor privado. O exemplo recente mais marcante é o Corredor de Nova Delhi até Mumbai, que foi acertada bilateralmente entre o Japão e a Índia, que está sendo ampliado para receber contribuições do Banco Mundial e do Banco Asiático de Desenvolvimento.
Houve um período em que estes projetos eram usuais, como quando se desenvolveu o sistema que permitia a exploração das minas brasileiras, cujas produções eram escoadas de forma eficiente até os portos como Tubarão e Itaqui, para que os minérios fossem transportados com as melhores tecnologias até os portos asiáticos, visando abastecer de forma competitiva as siderúrgicas da Ásia, tendo com carga de retorno o petróleo proveniente do Golfo, do qual o Brasil necessitava na época. Eles chegaram a se chamar National Projects recebendo um suporte coordenado tanto do Japão como de organismos financeiros internacionais voltados ao desenvolvimento, como o Banco Mundial.


Navios sendo carregados no Porto de Tubarão
Leia o restante desse texto »
30 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Economia, Editoriais, Política, webtown | Tags: a eleição de Yoshihiko Noda, acomodações necessárias, estratégias utilizadas
Na cultura japonesa, desenvolvem-se exercícios estratégicos utilizando-se inclusive alguns jogos. O gô, por exemplo, é um jogo para aperfeiçoar os conhecimentos das estratégicas de ocupação de espaços ou territórios. O shogi é uma espécie de xadrez, um pouco mais complicado, pois as peças conquistadas dos adversários que correspondem aos peões, torres, cavalos e bispos podem ser repostas no jogo a seu favor. Há jogadores que conseguem antecipar as alternativas estratégicas para mais de sete jogadas. No caso da atual eleição do novo primeiro-ministro japonês Yoshihiko Noda, muitos jornais japoneses informam sobre os lances que levaram à sua vitória, que ainda precisa ser consolidada com a conquista das facções derrotadas.
O jornal japonês de grande circulação, Yomiuri, relata a sua versão sobre os dois turnos da votação dentro do majoritário DPJ – Partido Democrático Japonês que consagrou Yoshihiko Noda como seu novo presidente. De conformidade com a tradição japonesa, ele foi confirmado na eleição da Dieta. É preciso entender que nas últimas pesquisas efetuadas pelo Nikkei com os parlamentares com direito ao voto era Seiji Maehara, ministro dos Negócios Estrangeiros, que aparecia como o favorito disparado. Ele acabou sendo prejudicado no final pelo escândalo da contribuição de estrangeiros para suas campanhas no passado.


Isto levou o poderoso, mas controvertido por doações políticas, Ichiro Ozawa, que tem a facção com mais seguidores dentro do partido, junto com os ex-premiês Yukio Hatoyama e Naoto Kan, a apoiar o ministro de Economia, Indústria e Comércio Banri Kaieda. Mas, como reação, os demais parlamentares do partido votaram contra esta composição que está considerada ultrapassada na atual conjuntura japonesa.
No primeiro turno da votação, ninguém conseguiu a maioria necessária. Dos 398 membros do DPJ votantes, 292 eram da Câmara Baixa e 106 dos senadores, sendo que deles três estavam ausentes. Kaieda conseguiu 143 votos, Noda 102 e Maehara 74, quando cinco candidatos disputavam a votação.
Noda e Maehara haviam se comprometido antes que se apoiariam reciprocamente no segundo turno, se necessário. Juntando outros que desejavam derrotar Ozawa, no final Noda acabou ficando com 215 votos, enquanto Kaieda com 177.
Existem muitas questões a serem ainda acertadas, pois o novo primeiro-ministro Yoshihiko Noda pretender uma elevação de tributos para fazer face aos custos da reconstrução e redução da dívida pública. Os problemas de relacionamento com os norte-americanos continuam delicados. Ele pretende um entendimento com os oposicionistas, encontrando resistências dentro do próprio partido. A composição do gabinete, com os diversos ministros e cargos importantes dentro do partido, precisa ser considerada.
Mas tudo indica que existe um clima de rejuvenescimento na política, com a tendência que novos líderes sejam capazes de levar o Japão para uma forte recuperação, que acaba sendo relevante para o resto do mundo.
29 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, webtown | Tags: agregar valor ao minério exportado, medidas que exigem tempo, preocupações generalizadas
Um astuto político brasileiro observava com o seu conhecimento acumulado ao longo de sua carreira que “se tiver uma tartaruga num galho de uma árvore, preste muita atenção, pois alguém a colocou lá”. O jornal Valor Econômico publicou um conjunto de artigos na sua edição de hoje informando que existem estudos procurando uma taxação mais elevada sobre o minério bruto, procurando adicionar valor com a sua industrialização no país. Ainda que o assunto exija um exame demorado, todos devem concordar que a exportar minérios que serão utilizados no exterior, o país tem condições de adicionar valor e emprego exportando produtos já elaborados, mesmo considerando que na atual conjuntura isto seja difícil do ponto de vista prático.
O artigo elaborado de forma extremamente competente pelo jornalista Rafael Bitencourt é de suma importância e está baseado nas informações constantes dos trabalhos realizados pela professora Maria Amélia Enríquez, da Universidade do Pará, que trabalhou na Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia. A ideia seria taxar mais pesadamente o que é exportado como minério e reduzir as mesmas quando destinadas à industrialização no país, usando a Compensação Financeira para a Exploração de Recursos Minerais – CFEM. A preocupação é não ficar somente nas alíquotas, mas caminhar para um conjunto de medidas mais amplo, que viabilize as intenções governamentais que faz todo o sentido do ponto de vista da economia nacional.



O minério de Carajás, transportado por trens, é embarcado no Porto de Itaqui, no Maranhão
Leia o restante desse texto »
29 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: avaliações de Kazuhiro Yoshida, educação no Japão, entrevista no O Estado de S.Paulo, na China, no Brasil
O pesquisador e professor do Centro de Estudos para Cooperação Internacional em Educação da Universidade de Hiroshima, Kazuhiro Yoshida, concedeu uma entrevista para Carlos Lordelo, de O Estado de S.Paulo, publicada hoje. Este professor japonês participou em Curitiba do Encontro Internacional de Educação Sala Mundo. Ele reportou as diferenças do Brasil com o Japão, onde na Era Meiji tornou universal o acesso à educação básica, no início do século XX, inspirado pelo confucionismo e como forma de melhorar a qualidade de vida de todos.
Ele informa que existe a opção da formação dos recursos humanos para o exercício de um trabalho eficiente. A universalização do ensino em si não é suficiente, mas é preciso avaliar o que as crianças aprendem, e em sua opinião é importante encorajá-las a estudar em vez de forçá-las pela matrícula.

Pequisador e professor Kazuhiro Yoshida, da Universidade de Hiroshima
Leia o restante desse texto »
29 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política, webtown | Tags: expectativas, novo primeiro-ministro do Japão, relacionamento com o Brasil | 4 Comentários »
Como é do conhecimento de todos, no sistema parlamentar japonês o novo presidente do Partido Democrático do Japão, majoritário na Câmara Baixa daquele país, torna-se automaticamente o seu primeiro-ministro, e o ex-ministro da Fazenda, Yoshihiro Noda, foi eleito por uma expressiva votação, derrotando o ex-ministro da Economia, Indústria e Comércio, Banri Kaieda, que era apoiado pelos tradicionais pesos pesados do partido, como Ozawa, Hatoyama e Kan, ala considerada desgastada.
Ele representa a renovação política do Japão, tendo 54 anos, ao lado de lideranças jovens como Maehara, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e Edano, ex-chefe da Casa Civil que ficou conhecido por ser o porta-voz dos assuntos relacionados com os desastres naturais e problemas com a Usina de Fukushima Daiichi. Seu estilo se aproxima do ex-primeiro-ministro Koizumi, o último com as qualidades de um estadista, ainda que não tenha o carisma de que usufruía Koizumi. Mas também Koizumi, que visitou duas vezes o Brasil, não gozava de muita popularidade no início de sua administração.


Primeiro-ministro Yoshihiko Noda Deputado Osamu Fujimura
Ele advoga a ideia da formação de uma grande coalizão política no Japão, incluindo a atual oposição, liderada pelo Partido Liberal Democrata, que tem uma expressiva representação na Câmara Alta. Ele expressou que não pretende a dissolução da Câmara Baixa, convocando eleições gerais, que poderiam criar um vazio no comando político do país. Ele se revelou a favor da aliança com os Estados Unidos, procurando resolver os problemas relacionados com Okinawa.
Um dos políticos mais ligados com o novo primeiro-ministro é o deputado Osamu Fujimura que mais tem visitado o Brasil, quase anualmente, nos últimos trinta anos, e era o secretário executivo do Conselho Parlamentar Brasil Japão, tendo exercido um forte papel no aumento do intercâmbio de estudantes, promovendo a ida de muitos brasileiros ao Japão.
Tudo indica que Osamu Fujimura, considerado um dos braços de Yoshihiko Noda, com quem se apresentou publicamente nos últimos pronunciamentos públicos do novo primeiro-ministro, tem as chances de exercer um papel relevante no novo gabinete, até com um cargo ministerial de importância. Fujimura foi um dos vice-ministros parlamentares do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, e de qualquer forma deverá exercer um papel relevante como uma das personalidades que devem facilitar os entendimentos dos brasileiros com as autoridades japonesas.