Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

O Grave Problema da Defesa Civil

24 de janeiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: assistências técnicas, correções necessárias, experiências de outros países | 4 Comentários »

Os problemas das intensas chuvas que afetaram diversas regiões brasileiras de forma lamentável mostram que são indispensáveis muitos aperfeiçoamentos em todo o sistema de defesa civil, sendo insignificantes os mecanismos de alerta que começam a ser introduzidos em algumas localidades. Muitos países são afetados constantemente por tufões que são acompanhados por chuvas intensas, agravados por terremotos, e muitas grandes metrópoles ficam ao nível do mar, mas foram tomando medidas ao longo do tempo para que os danos causados por estes fenômenos climáticos fossem suportáveis.

O governo japonês enviou uma missão técnica ao Brasil, explicando o que fazem por lá e oferecendo assistência técnica, que não mereceu a devida atenção das nossas autoridades, que continuam com orientações errôneas na ocupação dos solos. A maior parte da cidade de Tóquio, por exemplo, fica a menos de cinco metros do nível do mar, mas não se ouve falar há muito tempo de inundações, pois seus principais rios, como Sumida, foram domados, em muitos trechos, por barreiras de muitos metros, mantendo uma margem de centenas de metros, destinados à prática de esportes e lazer.

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Rio Tame, perto da cidade de Ome, na Tóquio Ocidental: sua margens são cobertas de grama e arbustos, formando um cinturão de vegetação. As áreas livres são usadas para lazer

No Japão, foram os desastres naturais que forçaram a cooperação comunitária para enfrentar as suas adversidades, havendo muitas proteções junto aos seus rios de forma que as atividades rurais e das pequenas vilas fossem menos afetadas. As proximidades dos tufões provocam precipitações concentradas nos seus arredores. O sistema meteorológico japonês, extremamente desenvolvido, permite prever os detalhes das velocidades dos ventos, precipitações, umidades, horários, diferenciados por pequenos bairros, com atualizações por diversas vezes ao dia.

Com a ocorrência dos terremotos, toda a população tem a consciência de que necessita efetuar exercícios de mobilização, dispondo de kits de sobrevivência, tendo determinados os pontos para cada um deve se dirigir. Eles envolvem o esvaziamento de um prédio de dezenas de andares, sem o uso de elevadores, de forma mais ordeira possível.

Na maioria das cidades importantes do mundo, evita-se que as margens dos rios sejam utilizadas por sistemas de transporte, enquanto em cidades como São Paulo, por uma conveniência de custos, muitos córregos foram canalizados sendo cobertos por avenidas.

Como tudo indica que há uma tendência para o aumento destes problemas climáticos, o mínimo que poderia se fazer é tentar absorver parte da experiência de outros países na minimização dos danos provocados por estes fenômenos. Começando pela terminante proibição do uso das encostas de alto risco como locais de moradia, que parecem gritantemente arriscadas.

Os meios de comunicação social, como as rádios e televisões brasileiras, só fornecem informações genéricas, imprecisas, pois não contam com o suporte adequado do serviço meteológico que conta com poucos pontos de observação. Em muitos países eles antecipam os problemas e não retratam os problemas já acontecidos.

Temos que trabalhar muito para contar com um sistema razoável.


4 Comentários para “O Grave Problema da Defesa Civil”

  1. Tweets that mention O Grave Problema da Defesa Civil » Asia comentada -- Topsy.com
    1  escreveu às 21:40 em 24 de janeiro de 2011:

    […] This post was mentioned on Twitter by fanara, Paulo Yokota. Paulo Yokota said: O Grave Problema da Defesa Civil http://goo.gl/fb/7EcsS […]

  2. Paulo Yokota
    2  escreveu às 08:35 em 25 de janeiro de 2011:

    Thank you for the reference.

    Paulo Yokota

  3. Rafael Sugano
    3  escreveu às 18:49 em 27 de janeiro de 2011:

    Excelente artigo!
    Apoio sua crítica sobre os meios de comunicação brasileiros, que estão sempre um passo atrasados.

  4. Paulo Yokota
    4  escreveu às 18:59 em 27 de janeiro de 2011:

    Caro Rafael Sugano,

    Muito obrigado pelo comentário. Na realidade em muitos países existem problemas semelhantes há muito tempo, e existem tecnologias que foram desenvolvidas para minimizar os danos sobre a população. Acho que necessitamos tratar o assunto de forma sistemática, e não como algo eventual que depende somente da administração de plantão. Esta consciência depende de todos e precisamos pressionar os nossos representantes.

    Paulo Yokota