Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Mulheres no Mercado de Cientistas

2 de abril de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: as mulheres conquistam um maior espaço entre cientistas, as remunerações delas ainda são mais baixas, série de artigos no Nature

As mulheres em todo o mundo estão conquistando espaços importantes, inclusive no segmento das pesquisas científicas nos mais variados setores. Uma das mais importantes revistas científicas do mundo, a Nature, publicou uma série de artigos começando com a de Helen Shen, eliminando as diferenças de sexo. Apesar das melhoras, constata-se que ainda as cientistas sofrem discriminações e suas remunerações são mais baixas que dos homens. Comparando dados do ano 2000 com os de 2009, informam que, de pouco menos de 40% dos cientistas, elas chegaram a mais de 47%, neste curto espaço de tempo.

Os recursos que elas conseguem estão melhorando, mas quando comparados os de 2002 com os de 2012, verifica-se que estavam com 24% e subiram para 30%, o que ainda não se aproxima da igualdade. Os seus salários nos setores de biologia, química, física e astronomia ainda indicam que estão cerca de 18% abaixo dos homens.

Kazunateure

Muitas entrevistas foram efetuadas com cientistas, como a Kay Tye, que trabalha na área da neurociência, Keity Souza Santos, que trabalha na área da imunologia, Mônica Bettancourt Dias, na biologia, Amanda Weltman, na cosmologia, algumas que são casadas e com filhos. A neurobiologista Jennifer Raymond, da Universidade de Stanford, e suas colegas afiram que existe um viés contra elas ainda.

Existem algumas líderes que atuam no sentido de eliminar estas desigualdades, como Lihadh Al-Gazali, que luta para remover as barreiras sociais. Virginia Valian, psicologista pede para convidar as mulheres para conversarem. E inclusive homens como Ben Barres, neurobiologista, solicitam para os pós-parto das cientistas. Ling-na Wu, médica pede igualdade na idade da aposentadoria, Eva Y. Andrei, também médica, pede para inspirar as filhas, Jo Handelsman e Corinne Moss-Racusin, microbiologista e psicologista social da Yale University pedem um instituto para reduzir os vieses. Lisa Husu, professora de estudos das diferenças de sexo na Örebro University, da Suécia, pede para reconhecer os obstáculos escondidos que existem.

No Parlamento Europeu, na chamada Plataforma Europeia das Mulheres Cientistas, solicita-se que iguais oportunidades sejam oferecidas, e para tanto reformas profundas são necessárias.

Notas também se referem às cientistas que se tornaram mais famosas, como Marie Curie, Rosalind Fraklin e Marie Tharp, e sobre elas existem livros consagrados. Seria infindável a citação de todas as que deram contribuições importantes para o desenvolvimento das ciências.

Também aqui no Brasil nota-se o sensível aumento de cientistas mulheres nos mais variados setores, com elevado grau de titulação acadêmica, exercendo importantes atividades de pesquisa e se dedicando também ao ensino, além de cuidarem dos seus afazeres nos seus lares. Os homens precisam adquirir a consciência que devem partilhar com elas, inclusive responsabilidades domésticas.