Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Reivindicação na Melhoria da Assistência de Saúde

24 de junho de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias, Saúde, webtown | Tags: disseminação para o interior, melhoria das elites, o poblema da saúde para a população, os custos

O problema da saúde no Brasil é dos mais complexos. Ainda que tenha muitos lugares onde se proporcionam assistências médico-hospitalares da melhor qualidade, elas estão concentradas em alguns centros urbanos, com elevados custos para os seus usuários. Grande parcela da população, tanto das periferias das grandes metrópoles como as regiões mais distantes do país, conta com enormes insuficiências nos seus atendimentos. A medicina, em termos mundiais, é um dos poucos setores onde o desenvolvimento tecnológico costuma resultar em custos mais elevados, tanto em novos equipamentos e atendimentos médicos como em tratamentos de todos os tipos, inclusive dos medicamentos que estão sendo desenvolvidos, que envolvem custosas pesquisas.

A Constituição brasileira de 1988 consagrou o SUS – Sistema Único de Saúde como o sonho ainda não realizado de atendimento universal e gratuito da população brasileira. Conta com sistemas até dos normalmente deficientes estabelecimentos públicos, com instituições privadas complementares com preferência para as instituições beneficentes, e de hospitais integralmente privados que tendem a se concentrar nos atendimentos daqueles que contam com condições privilegiadas do ponto de vista econômico, ainda que sejam dos chamados planos de saúde. Estes são objetos de constantes reclamações, pois as autoridades ampliam as suas exigências sem a correspondente elevação dos seus preços, além da ganância de muitos dos seus responsáveis por resultados expressivos. Os muitos médicos formados recentemente, mesmo com suas eventuais deficiências, tendem a se concentrar onde podem se manter atualizados, que são próximos aos grandes centros universitários.

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Vista aéres do Complexo do Hospital das Clínicas da USP

Os recursos disponíveis para atendimento do princípio constitucional são limitados, e, com a elevação da idade média da população brasileira, as necessidades de atendimento dos mais idosos tendem a elevar-se, como acontece em todos os países. Nos Estados Unidos, o país considerado mais poderoso do ponto de vista econômico e tecnológico, os programas chamados Med-Care e Med-Aid também enfrentam problemas.

O atendimento universal, lamentavelmente, tem suas limitações. Os mecanismos que parecem mais eficientes contam com uma participação dos pacientes em parte dos seus custos, que podem variar de percentual dependendo de sua situação econômica. Sem um freio desta natureza, a tendência é que alguns pacientes acabam transformando seus atendimentos em uma forma rotineira de vida.

Os países que utilizam a medicina pública como regra universal, como a Inglaterra e outros países que formam suas antigas colônias, também contam com limitações na qualidade dos seus atendimentos, mas os mais necessitados europeus tendem a ir para aquele país para alguns atendimentos básicos, mais custosos. No Canadá, existem pacientes que procuram hospitais nos Estados Unidos, quando podem arcar com suas despesas.

É preciso esclarecer que os médicos que venham do exterior, por tempo certo, terão que permanecer em localidades interioranas, onde os formados no Brasil não desejam se estabelecer. Os que desejarem continuar no país terão que prestar os exames para exercício de sua profissão por aqui.

Certamente, a saúde é a mais difícil de ser financiada, mas em algumas localidades soluções como as que foram adotadas em Cuba podem atender as regiões menos servidas. O restante, lamentavelmente, deverá continuar sendo dos orçamentos públicos.