Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Problemas que Ressaltam a Importância da Experiência

25 de julho de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: as questões do desenvolvimento dos aviões, contribuições como da Embraer, lições das notícias lamentáveis, o problemas dos trens rápidos

São lamentáveis as notícias com desastres ferroviários como o que ocorreu na Espanha, com um dos seus trens rápidos. Algo semelhante já aconteceu na China no passado recente, que procura ainda acelerar o seu programa de interligações pelas principais regiões daquele país. Também são lamentáveis as informações sobre os novos adiamentos dos lançamentos de aviões regionais da Mitsubishi Aircraft, atribuindo-se as dificuldades dos fornecimentos de importantes componentes. Tudo sugere a relevância de uma longa experiência comprovada no setor quando se utilizam tecnologias avançadas de elevada complexidade.

Os japoneses se orgulham que as tecnologias nos trens rápidos que vêm sendo constantemente aperfeiçoadas nos seus famosos Shinkansen não tiveram desastres importantes ao longo de sua história que já conta com décadas de intensa operação. E isto implica em custos mais altos, mas a vida vale mais que tudo isto. Empresas como a Embraer brasileira comprovaram com a evolução de variados modelos que mesmo num país emergente como o Brasil é possível conseguir uma performance de muitas décadas de sucesso no lançamento de novos modelos, tanto para transporte regional como de aviões executivos. Mesmo a tradicional Boeing vem enfrentando problemas com os seus novos modelos, pois dependem de um elevado número de fornecedores.

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Shinkansen, o trem rápido japonês, e aviões da Embrae

Na realidade, quando se trata de equipamentos que envolvem o transporte de grande número de passageiros, com altas velocidades e uso de tecnologias avançadas, seus sistemas são complexos, exigindo a participação de muitas empresas, especializadas em cada um dos muitos componentes, com a adequada coordenação entre elas, sempre difíceis por envolverem equipes com suas culturas próprias acumuladas ao longo do tempo.

O processo mais recomendado parece ser de uma longa evolução sem saltos tecnológicos extremamente ousados para economizar o tempo de maturação, começando pelos mais simples para chegar aos mais sofisticados. E eles dependem da consolidação de recursos humanos conscientes que mantêm seus objetivos claros, ao longo de suas histórias, tanto nos seus projetos, produção, montagem, manutenção como operações.

Não são conhecimentos que podem ser transferidos facilmente somente pelos seus manuais ou projetos montados no papel. Eles decorrem de experiências acumuladas ao longo do tempo, que vão sendo transferidas para os novos recursos humanos envolvidos, aproveitando a cultura que foi se consolidando. A tentativa de abreviar estas persistentes e cansativas maturações aumenta os seus riscos lamentáveis.

Na economia globalizada, está se comprovando que as tecnologias desenvolvidas somente num país tendem a apresentar problemas, principalmente quando necessitam ser utilizadas em outros países com tradições diferentes. A operação global também tem suas peculiaridades que necessitam ser respeitadas. A transferência de tecnologias que foram desenvolvidas para um cenário é difícil de ser utilizadas no quadro de outras condições.

No fundo, comprova-se que não existem milagres, mas as trabalhosas acumulações de muitos trabalhos, com uma visão de longo prazo. Parece preciso que sejam estabelecidos programas que envolverão muitos anos, inclusive em administrações diferentes. Não de pode colocar em risco vidas preciosas, ainda que muitos desejem abreviar os tempos de maturação indispensáveis.