Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Exaustivas Discussões Sobre a Política Econômica Chinesa

8 de agosto de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: artigo no site de Michael Pettis, credenciado analista da economia chinesa, novos ângulos, residente em Beijing

Michael Pettis é considerado um dos melhores analistas da economia chinesa, morando em Beijing, e seu site é regularmente consultado por muitos outros estudiosos, inclusive jornalistas dos principais veículos mundiais, bem como acadêmicos interessados sobre o assunto. Ele afirma que muitos no exterior imaginam que as discussões internas na China não são acirradas, quando as são. Ninguém em sã consciência pode imaginar que um gigantesco país como a China não conte com diversas correntes de pensamento, podendo haver um controle central. Até no Brasil, com menor importância econômica, existem variadas correntes com opiniões diferentes, muitas vezes por questões ideológicas, outras por interesses políticos ou econômicos.

Ele considera que a China, sua cultura e o pensamento do seu povo são difíceis de serem compreendidos, principalmente pelos estrangeiros. Mas, também, muitos não possuem uma experiência internacional que permite entender parte do que acontece naquele país. Se hoje os seus dirigentes discutem abertamente a necessidade de reformas, segundo ele, já havia estas discussões mesmo quando a economia chinesa crescia a níveis superiores a uma dezena. Parece agora que existe um exagero de pessimismo sobre a possibilidade de uma desaceleração controlada do crescimento chinês, e seus impactos sobre o resto do mundo. Ele utiliza as imagens de Wall Street, como as figuras do touro ou do urso, com seus chifres para cima dos otimistas, como o aperto de um abraço dos céticos.

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Michael Pettis

Alguns entendiam que a China poderia resistir com um crescimento em torno de 7 a 7,5% ao ano, informando que 6% seria um percentual não aceitável. Hoje, existem os que acreditam numa desaceleração mais forte, com as discussões se concentrando sobre as dívidas. O autor admite que existam muitas variações possíveis, em vez de englobar tudo entre otimistas e pessimistas, sendo que o mundo continua andando.

Na realidade, mesmo países asiáticos extremamente endividados historicamente como o Japão continuam tentando se recuperar com o aumento dos seus gastos, parte porque as poupanças são locais, com menor possibilidade de serem transferidos para o exterior.

Existem também outras considerações que precisam ser feitas com relação à China. Trata-se da China e suas circunstâncias, envolvendo muitos chineses residentes no exterior, cujos interesses estão fortemente interlaçados. O que parece que está acontecendo é que a China também não é um fenômeno isolado, mas dentro do contexto de uma economia mundial que mesmo se recuperando, ainda o fará num ritmo modesto.

O que parece sensato é que todas as considerações sejam feitas dentro de um mundo que se globalizou do ponto de vista econômico, pouco havendo de benefícios que possam ser proporcionados pela elevação mundial, tanto em quantidade como em preços.

Hoje, os riscos estão sendo merecendo atenções crescentes, e não havendo projetos que proporcionam retornos capazes de arcar com os custos dos financiamentos, num horizonte mais amplo, acaba se inibindo as iniciativas. Portanto, ainda que cada país apresente suas especificidades, tudo indica que existem problemas comuns que não estão se atacando. Se existem níveis que estão se elevando é o do mar em função dos degelos e do aquecimento global, mas climáticos, que acabam existindo gastos para as suas superações, ou gastos com o aumento de todos os tipos de acidentes continuarão crescentes.