Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Antes Tarde do Que Nunca

27 de março de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: notícia que percorre o mundo, novo julgamento, o mais longo prisioneiro condenado à morte

Os jornais japoneses como os mais importantes no mundo noticiariam que foi libertado Iwao Hakamada, 78 anos, que deixou a Casa de Detenção de Tóquio. Ele ficou 48 anos preso por ter sido condenado à morte, sendo 30 anos numa solitária. Evidentemente, sua saúde mental está abalada depois de tanto tempo em condições precárias, e o juiz decidiu que as provas apresentadas não eram consistentes, pois os exames atualmente disponíveis de DNA comprovaram que o sangue encontrado supostamente em suas roupas não tinha correspondência com os de suas supostas vítimas. Levanta-se a suspeita que muitas provas que foram apresentadas pela promotoria foram inadequadas.

Este lamentável episódio, que mancha a justiça japonesa, deve ser um forte argumento para a campanha da eliminação das condenações à morte nos países que ainda mantêm penas desta natureza. Afirma-se que nos últimos anos este prisioneiro nem recebia visitas dadas as suas precárias condições mentais. Ainda que o Estado japonês venha a ser condenado pesadamente por todos os danos causados a este cidadão, nada poderá compensar por estas falhas. Ainda que a justiça de cada país tenha suas normas estabelecidas em sua legislação, depois de quase 50 anos parece difícil que novos julgamentos sejam providenciados. Se ele tivesse sido executado, não haveria nenhuma condição para a revisão do seu lamentável caso.

hakamada

Iwao Hakamada foi libertado depois de quase meio século. Foto: The Yomiuri Shimbun

Segundo as notícias distribuídas pela agência noticiosa japonesa Jiji Press, ele foi condenado pela Suprema Corte japonesa depois de 34 anos após a sua prisão. Ele, que era um lutador profissional de boxe, foi acusado de roubar, matar e incendiar quatro vítimas na Prefeitura de Shizuoka em 1966. O magistrado Hiroaki Maruyama afirmou que as peças chaves de evidência usados contra ele pensam-se hoje que foram fabricados. Não haveria ligações com os crimes que teriam sido atribuídos a Iwao Hakamada.

Para suspender a sentença que o considerava o criminoso e a detenção a que estava sujeito, o magistrado explicou que Hakamada estava preso por um período extremamente longo, sobre constante ameaça de morte. Considerou que isto era uma injustiça intolerável.

Na sua liberação, ele estava acompanhado de sua irmã.