Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

A Função dos Economistas É Ajudar no Desenvolvimento

4 de janeiro de 2015
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política | Tags: concentração exagerada nas críticas, falta de proposições para medidas desenvolvimentistas, um equilíbrio recomendável | 4 Comentários »

clip_image001No mundo já carregado de pessimismo, o engajamento político dos colegas economistas acaba resultando somente em críticas sem proposições para ajudar no desenvolvimento.

Exageros de críticas econômicas e falta de sugestões construtivas na mídia

É evidente que a imprensa tem como uma de suas funções fundamentais a crítica e quando a economia mundial, e particularmente a brasileira, não caminha como todos gostariam, parece que existe uma inundação exagerada de análises negativas, que em nada contribuem para a solução dos problemas, sem que sejam formuladas sugestões construtivas e operacionais que permitam as superações das dificuldades existentes.

A economia tem como objeto principal tratar da escassez e o natural seria ajudar a formular sugestões que permitam as melhores utilizações dos fatores limitados para uma produção mais eficiente, o que vem ocorrendo ao longo da história brasileira, com pequenos interregnos. E o produto gerado está sendo distribuído entre a população de forma mais equânime, que parece ser a aspiração da maioria. No entanto, dentro deste quadro de limitações, parece que vem ocorrendo atualmente uma maior concentração na distribuição dos benefícios que não corresponde ao desejo da sociedade, como vem se observando no mundo.

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Brasil foi efetivamente ocupado nas últimas décadas e pode ser aproveitado mais intensivamente.

Os recentes desenvolvimentos tecnológicos estão propiciando meios para uma produção mais eficiente utilizando os recursos humanos, o capital acumulado, os recursos naturais disponíveis de forma sustentável. No entanto, existem exageros de desperdícios e recursos que são mantidos ociosos, além de irregularidades de toda ordem em toda a sociedade. Os colegas economistas foram treinados para ajudar a realizar produções de formas racionais e deveriam apresentar, além das críticas, as sugestões para os aperfeiçoamentos possíveis.

Mas, engajados em disputas políticas e ideológicas, o que em si é desejável, parecem acirrar debates que não apresentam contribuições para aperfeiçoamentos, ajudando a ampliar o pessimismo geral que se dissemina com a confusão geral. Com os seus conhecimentos, poderiam contribuir para a superação de muitas das dificuldades atuais.

Todos sabem que o Brasil, ainda que inserido na economia global, conta com uma população relativamente jovem, sem problemas de etnias ou religiosas, que, além de trabalhar, aprecia formas alegres de viver, que impressionam os estrangeiros. Conta com recursos naturais que vêm sendo aproveitados cada vez de forma mais racional, como as imensas regiões utilizáveis do ponto de vista agropecuário. A ocupação do seu imenso território intensifica-se por todas as regiões, que também contam com minérios e potenciais hidroelétricos importantes. Sua biodiversidade disponível é invejável.

Em que pesem algumas críticas, veio ampliando sua classe média de forma expressiva, contando com um mercado interno respeitável. Mas a falta de compreensão adequada das limitações existentes não permitiu aproveitar adequadamente dos mercados externos, notadamente para os seus produtos industriais. A sua democracia nascente está se aperfeiçoando, ainda que muitos dos seus dirigentes políticos não tenham uma clara noção das constantes reformas necessárias. Seus problemas são superáveis e existem conhecimentos internos e externos que podem ajudar a acelerar o seu desenvolvimento, ainda que isto exija muito trabalho, que vem sendo feito e poderia ser melhorado.

As irregularidades que vêm sendo apontadas se restringem a poucos, no contexto geral da população e da economia brasileira. Os culpados devem ser punidos até para elevar o nível da exigência brasileira de comportamento moral, não podendo os males serem generalizados para toda a nação.

O Brasil vem mostrando que é capaz de conviver com grupos que pensam de formas diferentes, o que é da essência da democracia. Há, portanto, esperanças por dias melhores, ainda que muitas reformas exijam grandes sacrifícios que necessitarão ser absorvidos. Comparando com muitos outros países, este país emergente conta com potencialidades que poderão ser transformados em realidade, com um mínimo de racionalidade.


4 Comentários para “A Função dos Economistas É Ajudar no Desenvolvimento”

  1. seiji inoue
    1  escreveu às 15:40 em 4 de janeiro de 2015:

    Prezado Dr. Paulo Yokota.
    Sou Eng. Agrônomo e Economista aposentado e sempre o admirei desde os tempos da saudosa CAC-CC, da qual tive a honra de nela trabalhar em 1977-1980. Todavia, com o meu mais profundo respeito, o título de seu artigo não me parece que retrate a imagem e o conceito dos economistas brasileiros onde, em sua esmagadora maioria eles, ou nós, obedecemos ao nosso empregador e não, ao desenvolvimento da nação. Cito como exemplo recente os novos ministros do governo onde abrem mão de tudo para receber um salário de R$ 30.000,00; a troco de “dias melhores”?.
    Feliz 2015!

  2. Paulo Yokota
    2  escreveu às 07:46 em 5 de janeiro de 2015:

    Caro Seiji Inoue,

    Obrigado pelos comentários.
    Que cabem críticas ninguém duvida. Mas, se só criticar ajudasse, o Brasil já teria melhorado. O que sempre é difícil é sugerir o que possa ser feito de construtivo e ajudar na sua implementação. Tenho receio que a maioria dos economistas estão só informados do que acontece nos grandes centros urbanos, pouco sabendo do que acontece no interior deste imenso Brasil, e como podemos elevar o aproveitamento, por exemplo, da nossa biodiversidade.

    Paulo Yokota

  3. 3  escreveu às 16:57 em 4 de janeiro de 2015:

    Oras, apontar erros é querer contribuir com a solução !
    Afinal, como é que você poderia resolver algum problema se você não sabe onde está o erro?

  4. Paulo Yokota
    4  escreveu às 07:41 em 5 de janeiro de 2015:

    Caro Zé,

    Se apontar corretamente os erros pode ajudar, acho que acrescentando também algumas sugestões operacionais para superação das dificuldades, parece ser a função de nós economistas.

    Paulo Yokota