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Filarmônica de Minas na Nova Sala Minas Gerais

2 de março de 2015
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias | Tags: artigo do Estadão informa sobre o concerto inaugural da Sala Minas Gerais, diferença com a Sala São Paulo, projeto de José Augusto Nepumuceno

clip_image002Belo Horizonte ganha a invejável Sala Minas Gerais que deve ser a sede da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, parte de um complexo mais amplo.

 

Foto da Sala Minas Gerais que ilustra a matéria do Estadão

Logo depois da mudança do governo do Estado de Minas Gerais, agora ocupado por Fernando Pimentel (PT), a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais inaugurou a Sala Minas Gerais executando a Sinfonia nº 2 de Mahler, sob a regência de Fábio Mechetti, segundo o artigo de João Luiz Sampaio publicado no O Estado de S.Paulo.

Ainda que o arquiteto José Augusto Nepomuceno seja o mesmo da Sala São Paulo, esta era uma adaptação da Estação Ferroviária Júlio Prestes, o que sempre apresenta limitações. Informa-se que neste importante teste na inauguração da Sala Minas Gerais, com uma programação que também apresentava interessantes canções que permitia avaliar a distribuição do som nesta nova sala, parece que se colheu um resultado feliz, ainda que haja um período para novos e possíveis ajustes. O formato da Sala Minas Gerais é muito diferente, dentro de uma orientação longitudinal ou retangular, com diferentes terraços, com a orquestra localizada no centro, e um amplo coro à sua retaguarda nesta apresentação.

Ainda que o novo secretário da Cultura, Ângelo Oswaldo, tenha declarado que seria uma “Versalhes construída em Minas, com o povo à margem”, espera-se que haja possibilidade de uma ampla programação como a que vem sendo executado na Sala São Paulo, que vem permitindo participações também populares em eventos variados, inclusive com estudantes.

Informa-se que a Sala Minas Gerais, que fica no Bairro Preto, faz parte de um complexo que teria um total de 12 mil m², compreendendo a sede da Rádio Inconfidência, um restaurante e espaço de convivência, que ainda não estaria concluído. Não aparentam serem atividades que ajudem a sustentar o complexo.

Sabe-se que manter uma orquestra e uma sala adequada é algo extremamente custoso. A Osesp e a Sala São Paulo enfrentam seus problemas mesmo com o prestígio que já angariou, inclusive no exterior, contando no seu Conselho com personalidades importantes. É verdade que Minas Gerais vêm surpreendendo o mundo com espaços como o Centro de Arte Contemporânea de Inhotim, que conta com um grupo minerador como seu suporte básico.

A música considerada erudita vem mostrando no Brasil uma forte interação com a considerada popular, e Minas Gerais conta com a longa tradição que vem desde as músicas sacras executadas nas suas igrejas coloniais. Com a carência de atividades culturais no Brasil, torce-se pelo sucesso desta nova Sala como de sua Orquestra, que vem mostrando grande potencialidade, ainda que não tenha ainda testes de apresentações internacionais nem conte com nomes de prestígio mundial na sua direção, como já dispõe a Osesp.