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Mitsubishi Materials Fez Acordo Agora Sobre a Guerra

1 de junho de 2016
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias | Tags: depois de mais de 70 anos, indenização para trabalhadores chineses forçados, trabalharam em minas do Japão

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clip_image002Depois de mais de 70 anos do término da Segunda Guerra Mundial, a Mitsubishi Materials fez um acordo com 3.700 sobreviviventes chineses que foram forçados a trabalhar nas minas do Japão durante a Segunda Guerra Mundial.

Foto de alguns dos sobreviventes chineses que foram beneficiados por indenizações do período da Segunda Guerra Mundial publicada no artigo do Nikkei Asian Review

Pelo acordo estabelecido pela Mitsubishi Materials, estes 3.700 trabalhadores chineses sobreviventes que foram obrigados a trabalhar nas minas do Japão durante a Segunda Guerra Mundial receberão cada um cerca de US$ 16 mil como indenização, numa demanda iniciada na década de 1990.

Como é sabido, a China estava ocupada pelo Japão durante a Guerra e cerca de 39 mil trabalhadores chineses foram forçados a trabalhar no Japão. A Mitsubishi Materials admitiu que a sua antecessora, a Mitsubishi Mining, e suas subcontratadas aceitaram 3.765 trabalhadores chineses que foram forçados a trabalhar no Japão infringindo seus direitos humanos.

A notícia originária da agência Kyodo foi publicada no site da Nikkei Asian Review informando que o acordo foi estabelecido em Beijing na última quarta-feira. O grupo dos trabalhadores chineses havia recebido a proposta da Mitsubishi Materials em agosto do ano passado. A empresa japonesa apresentou suas desculpas para as vítimas chinesas e a indenização a cada um dos sobreviventes, o que tinha sido rejeitado pela Justiça japonesa. O entendimento era que os indivíduos não tinham direito a solicitar indenizações diante do acordo estabelecido em 1972 pelos governos de ambos os países.

Destes trabalhadores chineses forçados, 6.830 faleceram entre 1943 e 1945 pela dureza dos trabalhos e privações nas minas e construções japonesas. Certamente, o grupo Mitsubishi deseja manter boas relações com os atuais trabalhadores chineses, pois possui investimentos na China, que também é um bom mercado para os seus produtos.

Parece-me que seja um acordo inusitado, tanto pelo tempo decorrido como pelo acordo estabelecido entre os dois países. De qualquer forma, isto abre um precedente para questões semelhantes entre empresas e seus trabalhadores.