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O Início da Volta de Japoneses Para o Meio Rural

23 de março de 2018
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias | Tags: ainda menor dos que se deslocam para as grandes metrópoles, aumento da volta de japoneses para o meio rural, recuperação de regiões que estavam se atrofiando

clip_image002 A revista The Economist observa que no Japão até casais jovens estão voltando com seus filhos para as áreas rurais onde a vida é mais tranquila, contribuindo para a sua recuperação.

Panorama no meio rural japonês para onde estão retornando até casais jovens com seus filhos, constante do artigo na revista The Economist

Das 47 províncias do Japão, sete já apresentam uma migração de retorno de população maior do que o deslocamento para as grandes metrópoles, dentro de uma tendência geral de redução da população total. Não se trata somente de migrantes estrangeiros, mas até de jovens japoneses.

O artigo do The Economist cita diversos casos concretos que, mesmo sendo ainda em pequeno número, são crescentes nos últimos anos. São famílias em que marido e esposa se encontram bem empregados e possuem filhos, mas procuram melhor qualidade de vida para todos, evitando os estresses que são normais nas grandes metrópoles.

Alguns observaram que em países como a Austrália ou Nova Zelândia, onde estiveram como turistas e observaram que existem os que vivem muito bem nos meios rurais, com elevada qualidade de vida. Voltando para o Japão, estão descobrindo que existem localidades onde as habitações são mais baratas, faltando serviços que podem ser prestados por eles para atender a população remanescente, entre eles muitos idosos, cujos filhos migraram para as grandes metrópoles. A vida nestas localidades é mais tranquila e os meios de comunicação permitem acompanhar o que ocorre no Japão como no resto do mundo, além de oferecerem todos os serviços sociais indispensáveis.

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Pequenos vilarejos rurais japoneses que estão atraindo famílias das grandes metrópoles

Estão sobrando hoje muitas casas amplas que estão praticamente abandonadas, algumas adaptadas para acomodar eventuais turistas, com custos baixos. Isto está ocorrendo em muitas províncias, sendo que na região de Kochi este fenômeno parece mais acentuado, envolvendo muitos que estão migrando para suas proximidades. A intensidade desta nova migração ainda é diferenciada, mas parece estar ocorrendo por toda a parte. Existem até ONGs que estão ajudando as pessoas que desejam migrar para estas regiões rurais.

Muitos estão executando trabalhos artesanais que são valorizados no Japão, sendo divulgados até por programas de TV e revistas japonesas. O interessante é que este movimento está envolvendo pessoas jovens, que têm menos de 50 anos. Isto está ajudando a recuperar algumas regiões que estavam decadentes.

Isto também parece estimular também o sentido de comunidade que existe no meio rural e que não é acentuado nas grandes metrópoles japonesas. Pode-se avaliar como um fenômeno novo e sensível, para até virar um assunto a ser abordado por uma revista internacional como The Economist.

O que se observa na Europa, principalmente, é que as grandes metrópoles são poucas, sendo que mesmo as cidades conhecidas não são tão grandes para gerarem problemas de poluição e de trânsito, havendo muitas populações que vivem confortavelmente em áreas que aparentam serem rurais.

No Brasil também parece haver um exagero com as periferias das grandes metrópoles apresentando favelas, enquanto existem cidades no interior que apresentam condições para uma qualidade de vida razoável e que já foram mais ativas no passado.