Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

O Problema de Ser Negro no Japão

26 de dezembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias | Tags: as exceções dos que conseguiram superar o problema, as pessoas comuns, matéria publicada no Washington Post, parece que vai demorar a deixar de ser um problema, um povo peninsular

Uma matéria elaborada por Simon Denyer foi publicada no Washington Post, mas parece refletir o que acontece com poucos que se destacaram no Japão, sem refletir com o que clip_image002acontece com as pessoas comuns naquele país. Quando morei lá na década dos 1980, notava-se a discriminação racional naquele país que é peninsular, com pouca miscigenação com outros povos. Observando as japonesas que caminhavam pelas ruas com soldados negros norte-americanos, constatava-se que os japoneses estranhavam esta situação que não era muito frequente. Hoje, tenho três netos mestiços com não descendentes de japoneses, mas que moram no Brasil, onde a situação é bastante diferente.

Aishi Harumi Tochigi, de pai de Gana e mãe japonesa, tornou-se Miss Universo de 2020

Deve-se observar que o padrão de beleza mudou também no Japão. No passado, as japonesas eram mais claras, pois evitavam tomar muito sol, mas com o tempo as mais morenas passaram a ser consideradas mais saudáveis, ainda que não fosse por influência racial. Elas passaram a ser preferidas como modelos nas imagens de revistas e outras utilizadas para publicidades.

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Modelo Raimu Kaminashi, filha de japonesa com pai nigeriano

Muitos japoneses se referem à Naomi Osaka, a tenista japonesa que se tornou famosa tendo pai negro, que procura usar todas as oportunidades para se expressar contra a discriminação racial. Mas, parece que para a média da população japonesa, ela não é ainda considerada japonesa, até porque vive mais nos Estados Unidos, falando o idioma japonês com muita dificuldade.

clip_image006Jun Soejima, ator de personalidade da televisão japonesa NHK , de mãe japonesa e pai afro-americano, aparece regularmente no programa matinal daquele canal. Todos se referem aos problemas que tiveram quando crianças ou adolescentes, com seus colegas, que conseguiram superar. Muitos, por terem sido criados pelas mães e avós, além das escolas, não possuem sotaques de estrangeiros, ainda que sejam considerados “gaijins”, ou pessoas do exterior.

Jun Soejima, ator de mãe japonesa e pai afro-americano, apresenta-se regularmente na TV NHK oficial do Japão

Este problema da discriminação no Japão não ocorre somente pela cor da pele. Os japoneses discriminam coreanos e chineses, ainda que todos sejam amarelos, sendo um problema que se acentuou politicamente. No passado mais distante, os japoneses aprenderam muito com os chineses, principalmente o budismo e algumas filosofias. Os ideogramas são da China. Mas os problemas das guerras, desde o final do século XIX, acentuaram as rivalidades dos japoneses com os chineses e coreanos, superando mesmo alguns problemas raciais, o que enfatiza o problema de ser um povo que se consolidou uma península. Este tipo de discriminação também ocorre com os nativos japoneses, os chamados ainus, o que enfatiza tudo que é diferente da maioria.

Tudo isto indica a grande complexidade dos problemas das discriminações, que também ocorrem em muitos outros países.