Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Agregação de Valor ao Minério Exportado

29 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, webtown | Tags: agregar valor ao minério exportado, medidas que exigem tempo, preocupações generalizadas

Um astuto político brasileiro observava com o seu conhecimento acumulado ao longo de sua carreira que “se tiver uma tartaruga num galho de uma árvore, preste muita atenção, pois alguém a colocou lá”. O jornal Valor Econômico publicou um conjunto de artigos na sua edição de hoje informando que existem estudos procurando uma taxação mais elevada sobre o minério bruto, procurando adicionar valor com a sua industrialização no país. Ainda que o assunto exija um exame demorado, todos devem concordar que a exportar minérios que serão utilizados no exterior, o país tem condições de adicionar valor e emprego exportando produtos já elaborados, mesmo considerando que na atual conjuntura isto seja difícil do ponto de vista prático.

O artigo elaborado de forma extremamente competente pelo jornalista Rafael Bitencourt é de suma importância e está baseado nas informações constantes dos trabalhos realizados pela professora Maria Amélia Enríquez, da Universidade do Pará, que trabalhou na Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia. A ideia seria taxar mais pesadamente o que é exportado como minério e reduzir as mesmas quando destinadas à industrialização no país, usando a Compensação Financeira para a Exploração de Recursos Minerais – CFEM. A preocupação é não ficar somente nas alíquotas, mas caminhar para um conjunto de medidas mais amplo, que viabilize as intenções governamentais que faz todo o sentido do ponto de vista da economia nacional.

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O minério de Carajás, transportado por trens, é embarcado no Porto de Itaqui, no Maranhão

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Educação Comparada Internacionalmente

29 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: avaliações de Kazuhiro Yoshida, educação no Japão, entrevista no O Estado de S.Paulo, na China, no Brasil

O pesquisador e professor do Centro de Estudos para Cooperação Internacional em Educação da Universidade de Hiroshima, Kazuhiro Yoshida, concedeu uma entrevista para Carlos Lordelo, de O Estado de S.Paulo, publicada hoje. Este professor japonês participou em Curitiba do Encontro Internacional de Educação Sala Mundo. Ele reportou as diferenças do Brasil com o Japão, onde na Era Meiji tornou universal o acesso à educação básica, no início do século XX, inspirado pelo confucionismo e como forma de melhorar a qualidade de vida de todos.

Ele informa que existe a opção da formação dos recursos humanos para o exercício de um trabalho eficiente. A universalização do ensino em si não é suficiente, mas é preciso avaliar o que as crianças aprendem, e em sua opinião é importante encorajá-las a estudar em vez de forçá-las pela matrícula.

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Pequisador e professor Kazuhiro Yoshida, da Universidade de Hiroshima

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Novo Primeiro-Ministro Japonês e o Brasil

29 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política, webtown | Tags: expectativas, novo primeiro-ministro do Japão, relacionamento com o Brasil | 4 Comentários »

Como é do conhecimento de todos, no sistema parlamentar japonês o novo presidente do Partido Democrático do Japão, majoritário na Câmara Baixa daquele país, torna-se automaticamente o seu primeiro-ministro, e o ex-ministro da Fazenda, Yoshihiro Noda, foi eleito por uma expressiva votação, derrotando o ex-ministro da Economia, Indústria e Comércio, Banri Kaieda, que era apoiado pelos tradicionais pesos pesados do partido, como Ozawa, Hatoyama e Kan, ala considerada desgastada.

Ele representa a renovação política do Japão, tendo 54 anos, ao lado de lideranças jovens como Maehara, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e Edano, ex-chefe da Casa Civil que ficou conhecido por ser o porta-voz dos assuntos relacionados com os desastres naturais e problemas com a Usina de Fukushima Daiichi. Seu estilo se aproxima do ex-primeiro-ministro Koizumi, o último com as qualidades de um estadista, ainda que não tenha o carisma de que usufruía Koizumi. Mas também Koizumi, que visitou duas vezes o Brasil, não gozava de muita popularidade no início de sua administração.

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Primeiro-ministro Yoshihiko Noda                                            Deputado Osamu Fujimura

Ele advoga a ideia da formação de uma grande coalizão política no Japão, incluindo a atual oposição, liderada pelo Partido Liberal Democrata, que tem uma expressiva representação na Câmara Alta. Ele expressou que não pretende a dissolução da Câmara Baixa, convocando eleições gerais, que poderiam criar um vazio no comando político do país. Ele se revelou a favor da aliança com os Estados Unidos, procurando resolver os problemas relacionados com Okinawa.

Um dos políticos mais ligados com o novo primeiro-ministro é o deputado Osamu Fujimura que mais tem visitado o Brasil, quase anualmente, nos últimos trinta anos, e era o secretário executivo do Conselho Parlamentar Brasil Japão, tendo exercido um forte papel no aumento do intercâmbio de estudantes, promovendo a ida de muitos brasileiros ao Japão.

Tudo indica que Osamu Fujimura, considerado um dos braços de Yoshihiko Noda, com quem se apresentou publicamente nos últimos pronunciamentos públicos do novo primeiro-ministro, tem as chances de exercer um papel relevante no novo gabinete, até com um cargo ministerial de importância. Fujimura foi um dos vice-ministros parlamentares do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, e de qualquer forma deverá exercer um papel relevante como uma das personalidades que devem facilitar os entendimentos dos brasileiros com as autoridades japonesas.


Diferenças nos Hábitos Alimentares

29 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Gastronomia, webtown | Tags: coluna meu japão, Karina Almeida, notícias no WebTown

Consta no site WebTown, voltada com prioridade à comunidade dos brasileiros residentes no Japão, uma referência sobre uma notícia veiculada na coluna meu japão de Karina Almeida, de O Tempo online. Ela reporta uma experiência que teve ao ser convidada por um japonês para o que denominou “churrasco japonês na varanda” do seu apartamento. Para a melhor compreensão da notícia, é preciso informar que muitos brasileiros residentes no Japão são criticados pelos seus vizinhos japoneses quando efetuam “churrascos” em suas varandas, por espalhar um odor característico da queima de gorduras.

Na realidade, os japoneses grelham muitos alimentos com brasas, como peixes e produtos do mar que têm odores diferenciados e que genericamente são chamados yakimono. Muitos legumes também, mas há diferenças nos temperos utilizando que provocam odores que podem ser estranhos para os brasileiros, pois muitos levam molhos de soja fermentada, como os missô ou shoyu. Os japoneses adaptaram culinárias como as coreanas, inspiradas no que chamam de Gengis Khan, que levam alhos e pimentas que não eram utilizadas Japão, mas que recentemente passaram a ser habituais, por serem adequadas para uma cervejada. Sempre é de bom tom no Japão procurar não incomodar os seus vizinhos, com estes odores e barulhos de música em alto volume.

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Sharp Volta a Atuar no Brasil

29 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: histórico, Sharp no Brasil, sondagens das vendas | 72 Comentários »

Uma notícia publicada no jornal econômico japonês Nikkei informa que a Sharp japonesa volta a atuar no mercado brasileiro, instalando inicialmente uma subsidiária voltada a venda de seus produtos eletrônicos e equipamentos de comunicação. Como é sabido, esta empresa atuou no Brasil numa joint venture, que acabou em pendência judicial com o empresário Mathias Machline e seus herdeiros, montando alguns equipamentos.

Agora, volta ao mercado brasileiro, segundo a notícia, para estabelecer uma subsidiária totalmente controlada pela empresa japonesa, para a venda de televisores e telefones celulares, numa tentativa de efetuar pesquisas sobre este mercado, visando expandir suas operações.

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Este tipo de operação é conhecido como antenna shop procurando fazer uma avaliação mais segura do mercado, diante das perspectivas existentes em mercados emergentes como o do Brasil. No entanto, parece difícil que uma operação meramente comercial, na atual conjuntura, possa ser eficiente, tanto diante da presença de outros concorrentes produzindo ou montando equipamentos similares neste mercado.

Diante dos problemas cambiais, juros internos, tributos existentes e outros problemas relacionados com a competitividade, se não estiverem dispostos a uma produção local em escala apreciável, tudo indica que a sua rentabilidade no Brasil deve ser duvidosa. Se tiverem intenções de um estudo mais amplo, inclusive possibilidades de exportação, estas intenções podem ser consideradas mais sérias, principalmente se as pendências judiciais estiverem totalmente resolvidas.

É claro que as perspectivas dos mercados emergentes como o do Brasil devem ser mais concretas que dos mercados dos países já desenvolvidos, mas não havendo uma forte disposição de fazer operações de escala, visando o mercado globalizado, parece difícil somente se concentrar numa operação comercial.


O Problema da Caligrafia com o Uso dos Computadores

28 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, webtown | Tags: a caligrafia hoje, iniciativas chinesas, problema universal

Tudo indica que com a intensificação do uso dos computadores, principalmente entre os jovens, os problemas da escrita manual começam a apresentar problemas adicionais. Como nas escolas já não se ensina caligrafia como no passado, e as facilidades eletrônicas se disseminam rapidamente, observa-se que a escrita manual apresenta problemas adicionais, afetando inclusive os problemas de redação. O site do BBC Brasil noticia o assunto com um artigo com o título “Pela tradição, China terá mais aulas de caligrafia”, mostrando que o problema tende a se observar em variados países.

A caligrafia sempre foi considerada como uma das formas de revelar parte da personalidade das pessoas, e desde os tempos remotos, na Ásia se cultiva a caligrafia, que teria sido cultivada pelos monges que escreviam os ideogramas de forma personalizada. Eram poemas como os que ficaram conhecidos no Japão como haikais, que podiam ser acompanhados por desenhos do tipo zen.

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Foto publicada no BBC Brasil

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Tendências Expressas na Imprensa Internacional

28 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: além dos editoriais, conveniência da objetividade, tendências nas notícias

Deve se reconhecer que mesmo que os jornalistas procurem a maior objetividade nos seus artigos, sempre existem algumas influências dos seus valores pessoais nas notícias escolhidas e dos ângulos de suas observações. Tudo indica que, recentemente, existe um exagero no trato dos problemas que estão sendo enfrentados no mundo, que são graves, mas não podem ser considerados calamitosos. É evidente que os jornalistas sempre procuram os fatos inusitados e a normalidade nunca atrai os leitores. Assim, ainda que as mais credenciadas instituições estejam prevendo que os Estados Unidos, a Europa e o Japão tenham crescimentos razoáveis em 2011, que giram em torno de 2 a 3%, destacam-se as dificuldades para uma recuperação mais vigorosa no mundo considerado desenvolvido.

A previsão é que os países emergentes, como a China, a Índia, a Rússia e o Brasil, ainda que tenham crescimentos menos acentuados que no passado recente, apresentarão crescimentos iguais ou superiores ao do mundo, mostrando que continuam funcionando como locomotivas internacionais. Ainda assim, destacam-se as críticas que estes crescimentos estejam prejudicando os empregos no mundo desenvolvido, fazendo com que sua recuperação fique mais difícil. Todos admitem que as dificuldades recentes estejam ligadas aos aumentos dos fluxos financeiros internacionais, tendo provocado um aumento de consumo acima da produção, aumentando o endividamento de muitos países. Ora, pelo que se sabe, as instituições financeiras relevantes no mundo são dos países industrializados, e os banqueiros internacionais continuam resistindo a controles adequados.

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Hitachi Kokusai Adquire Linear Equipamentos Eletrônicos

25 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias, webtown | Tags: Hitachi Kokusai, Linear Equipamentos Eletrônicos, programando a mudança, sistemas digitais

O jornal econômico japonês Nikkei noticiou ontem os entendimentos da Hitachi Kokusai para adquirir a Linear Equipamentos Eletrônicos do Brasil, para ter um bom posicionamento no mercado brasileiro de comunicação digital. Segundo a notícia publicada no Japão, as duas empresas chegaram a um acordo básico. Com o acordo, a empresa japonesa terá a maioria do capital da brasileira em princípios de outubro próximo.

Como o Brasil e mais nove outros países sul-americanos estão adotando o sistema japonês de comunicação digital territorial, a Hitachi pretender expandir suas vendas de suas câmeras e outros equipamentos para a região. A Linear detém 50% do mercado de transmissões analógicas e cerca de 30% dos transmissores territoriais digitais para comunicações.

Segundo as informações divulgadas pelo jornal japonês, o Brasil planeja mudar até 2016 o seu sistema para o digital territorial de comunicação. Com o Brasil realizando o Campeonato do Mundo de 2014 de futebol, espera-se que a demanda sul-americana de equipamentos de comunicação digital tenham um expressivo crescimento nos próximos anos.

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Aquisições de Terras Rurais pelos Estrangeiros

23 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política, webtown | Tags: controvérsias sobre as condições para aquisições de terras rurais, posições em debate | 2 Comentários »

Um artigo publicado por Ivandro Ristum Trevelim no jornal Valor Econômico de hoje refere-se à incerteza jurídica que existiria sobre o assunto, diante da interpretação dada pela AGU – Advocacia Geral da União, aprovada pelo presidente da República e publicada no Diário Oficial da União em 28 de agosto de 2010, que tem a força de uma legislação. Ela entende que a aquisição de terras rurais por estrangeiros ou empresas controladas pelos estrangeiros necessitam de aprovação do governo, além de respeitar um máximo por município, que teria que ser acompanhada pelo INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, organismo do qual fui presidente por longos seis anos, já no passado remoto.

Alguns entendem que se trata de um entrave para investimentos de estrangeiros no agronegócio brasileiro, e seria conveniente que fosse esclarecido por uma decisão em nível mais elevado, como o STF – Supremo Tribunal Federal, ou por uma legislação específica, pois em 1997 houve uma interpretação pela mesma AGU que haveria uma isonomia de tratamento entre empresa brasileira e estrangeira, como proposto pela Emenda Constitucional número 6. Esta dúvida não existia no passado, e estava claro que a aquisição de terras rurais por estrangeiros dependia da aprovação do presidente da República, e exame do INCRA sobre a quantidade de terras dos estrangeiros em cada município.

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As Crises Impõem Mudanças Radicais

22 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, webtown | Tags: anúncio de colaboração nos híbridos, Ford, novo comportamento promissor, site do IG, Toyota | 2 Comentários »

As empresas japonesas davam elevada importância para as tecnologias desenvolvidas dentro de suas empresas, contando com muitas dificuldades para operarem com organizações de outros países. A Nissan japonesa, entrando em dificuldades, passou a necessitar da colaboração da Renault francesa, o que se revelou extremamente útil, com o executivo brasileiro Carlos Ghosn comprovando que estrangeiros poderiam aproveitar a cultura empresarial do Japão, comandando uma empresa com forte tradição japonesa, com proveito recíproco. Poucos acreditavam que isto era possível e, desde então, muitas empresas japonesas passaram a ser comandadas por executivos estrangeiros.

Agora, o site da IG, com notícias provenientes da Dow Jones, informa que a tradicional Toyota japonesa se associa com a Ford norte-americana para colaborarem no desenvolvimento de veículos híbridos de gasolina e eletricidade, para caminhões leves e utilitários esportivos, uma colaboração difícil de acreditar até as recentes dificuldades da tradicional montadora japonesa.

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