11 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: artigo do Daily Yomiuri Online, comportamento da esposa japonesa, os dramas das famílias dos que trabalham nas usinas de Fukushima
A vida continua no Japão e no mundo, mas há que se destacar os dramas das famílias daqueles que continuam trabalhando nas usinas de Fukushima, com elevados riscos para suas vidas, decorrente da irresponsabilidade dos dirigentes da TEPCO, empresa de energia elétrica proprietária delas. Os que se ficaram conhecidos como os funcionários samurais estão conscientes das suas responsabilidades e dos riscos que suas vidas correm, merecendo a mais profunda solidariedade de todos, principalmente de seus familiares.
O site do Daily Yomiuri Online relata alguns casos dos dramas por que estas famílias estão passando. Há um relato de uma esposa que faz parte dos membros removidos para fora dos limites de 20 quilômetros estabelecidos pelas autoridades, cujo marido continua trabalhando na usina. Estão casados há 20 anos, com um filho universitário e uma filha no nível colegial. Seu marido tem orgulho do trabalho que vem fazendo, e num jantar revelou à família que no dia seguinte seguiria para o trabalho, tendo a esposa providenciado roupas e meias para uma semana. Ela gostaria de dizer: “Você precisa ir?”, mas respondeu somente, “Sei…”. No dia seguinte, ela informou à filha: “O pai escolheu ir por causa do seu senso de responsabilidade, e ele está trabalhando pelos outros”. A filha respondeu: “Meu pai é brilhante, ele é um herói”.
Alguns dias depois, o marido retornou para casa e disse a ela: “Eu trabalhei num lugar onde o nível de radiação era elevado”, e dormiu até o meio-dia, e ela entendeu que seu trabalho foi extremamente duro. Os parentes a criticavam por não fazer nada para impedir o seu marido a continuar trabalhando, mas ela informou que pensar nisto poderia destruir seus nervos. “É meu trabalho como esposa pensar que ele está a salvo e esperar a sua volta após um trabalho arriscando a sua vida”.
Outros casos semelhantes estão relatados no artigo do Yomiuri, informando que todos os trabalhadores estão cansados, cientes que estão trabalhando em áreas de alta radiação, mas sentem a responsabilidade que pesa sobre eles. Alguns são de empresas subcontratadas que efetuam outros serviços na usina. Suas famílias procuram dar o suporte que eles necessitam procurando não criticar suas atitudes.
Apesar de poderem utilizar os telefones celulares, procuram não incomodá-los enquanto estão trabalhando, enviando somente mensagens escritas. Acompanham pelo noticiário da televisão o que está acontecendo. Estes ombros amigos são vitais para os que estão trabalhando, com o espírito do bushido, o código de honra dos samurais, pensando na coletividade.
Mas também os seus familiares, principalmente as esposas que ficaram com todos os encargos de continuar a administrar os seus lares, cuidando dos filhos, resistindo às pressões dos parentes. O desgaste físico e psicológico delas deve ser sobre-humano, mas se apoiam na cultura dos japoneses, que lhes impôs responsabilidades difíceis de serem avaliadas pelos ocidentais.
Muitos ainda possuem a imagem de que as mulheres japonesas são submissas, caminhando na rua atrás dos seus maridos. Na realidade, as decisões fundamentais da família e da sociedade japonesa dependem delas, tanto na administração do seu patrimônio, que significa também os investimentos do país, e educação dos filhos que é a continuidade da família e do Japão.
Se os trabalhadores das usinas podem ser considerados samurais, elas são as heroínas que continuam sustentando o país, que certamente emergirá mais forte, diante das duras provas por que estão passando.
11 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: artigo de Joseph Stiglitz, avaliações erradas dos riscos, perspectivas, revisões nas teorias econômicas
Temos insistindo, como economista, que muitos colegas apresentam análises que refletem mais os seus interesses, muitos ligados ao sistema financeiro do que aos da sociedade. Surge agora uma onda entre os mais credenciados acadêmicos mundiais mostrando que muitos dos supostos conhecimentos de macroeconomia e instrumentos estatísticos possuem limitações que não são devidamente alertados para os jornalistas e seus leitores leigos. Um crítico que vem insistindo nesta linha é o prêmio Nobel Joseph Stiglitz, que pelo site de uma organização chamada Project Syndicate publica um importante artigo reproduzido no O Estado de S.Paulo de hoje.

Joseph Stiglitz em foto de Antonio Milena/Agência Estado
Utilizando o lamentável exemplo de Fukushima, Joseph Stiglitz informa que os cientistas divulgaram que os riscos de derretimento nuclear, provocando catástrofes na usinas, haviam sido praticamente eliminados. De forma similar, que na crise financeira internacional de 2008, com inovações dos instrumentos estatísticos e financeiros, os riscos poderiam ser reduzidos ao mínimo.
Tecnicamente, os cientistas e os financistas subestimaram e iludiram não só a sociedade como a eles próprios, sem compreender a complexidade dos riscos. Em termos estatísticos, os eventos raros (chamados de black swan ou cisnes negros) têm uma distribuição estatística que originam de causas grossas (fat-tail) diferindo das chamadas normais, ou seja, podem ocorrer mais nos extremos da distribuição. Numa explicação mais clara para os leigos, são eventos que se imaginavam poder ocorrer a cada 100 anos, e que estão ocorrendo a cada 10 anos.
Lamentavelmente, isto elevou os lucros dos bancos e das empresas de energia elétrica, com consequências catastróficas. Os alemães suspenderam o funcionamento das usinas similares, o que não vem ocorrendo nos Estados Unidos, como informa Joseph Stiglitz.
No caso do sistema bancário, inventaram que alguns bancos eram tão grandes que não poderiam quebrar, pois as autoridades monetárias seriam obrigadas a intervirem, ajudando-os. Os lucros foram privados, enriquecendo-os, mas os prejuízos foram socializados, sendo pago por todos. E continua havendo uma resistência política para o controle dos fluxos financeiros internacionais, que podem complicar inclusive a situação brasileira, cujas autoridades estão atentas, contrariando os interesses das instituições financeiras, seus economistas e jornalistas lobistas.
Haveria outros cisnes negros à espreita? Stiglitz informa que sim, o aquecimento global e as mudanças climáticas.
11 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: assuntos bilaterais, China, dificuldade na seleção dos artigos relevantes, reunião do BRICs, visita da presidente Dilma Rousseff
O verdadeiro tsunami de informações sobre a China que está ocorrendo com a visita da presidente Dilma Rousseff àquele país dificulta a seleção das notícias mais relevantes. Muitas informações originárias de jornais internacionais, mesmo tentando ser isentos, sempre apresentam vieses ideológicos e naturais interesses de outras potências, como o exagero dos assuntos relacionados aos direitos humanos, ainda que eles sejam importantes e possam ser mencionados genericamente nos comunicados conjuntos.
O Brasil tem uma melhor consciência do que é de seu interesse nacional, como o relacionamento de longo prazo com a atual economia mais dinâmica no mundo. O que interessa é estabelecer bases sólidas para um intercâmbio como o de tecnologias, onde ambos os países possuem avanços em determinados setores, podendo interessar uma parceria para a sua evolução. Os chineses, pela estrutura do Partido Comunista Chinês, presente em todas as organizações relevantes e com uma estratégia profundamente estudada de longo prazo, sabe exatamente o que pode obter de interessante no intercâmbio com o Brasil.


1. Presidente Dilma Rousseff desembarca na China. Foto Frederic J. Brown – AFP.
2. Capa do suplemento espcial do Valor Econômico
O jornal Valor Econômico inclui na edição de hoje um suplemento especial referindo-se às oportunidades e desafios nas relações bilaterais, com alguns textos resumidos em inglês. Como operação de consequências imediatas, noticia que será anunciada durante a visita a compra de 35 jatos BEM-190 da Embraer, com capacidade para 114 passageiros, pelas empresas chinesas, dentro da linha de aumentar as exportações brasileiras de produtos de maior valor agregado. E noticia a possibilidade de produzir na joint venture que mantém naquele país os jatos executivos do tipo Legacy 600.
A grande comitiva que acompanha a presidente Dilma Rousseff poderá colher alguns resultados interessantes, mas a sua finalidade básica deve ser aumentar o conhecimento recíproco para identificar as oportunidades de negócios interessantes, principalmente que tenham conteúdo tecnológico mais avançado.
É preciso entender que a China é um país e uma economia complexos, com longa história e vasta cultura, com diversidades pelas suas muitas regiões. Com o rápido crescimento por que vem passando nas últimas décadas, desenvolveu tecnologias avançadas em muitos setores, como o da construção civil e infraestrutura, dispondo de elevada capacidade de investimentos. No entanto, só nos interessam na medida em que não exijam a utilização de seus recursos humanos, que são abundantes, em obras locais, como estão fazendo em países de menor nível de desenvolvimento. O Brasil já conta com um complexo industrial, agrícola e de serviços, mais avançado do que o normal para economias do mesmo nível de renda.
Sendo o Brasil um país relativamente jovem, com história ainda recente, e uma elevada miscigenação étnica e cultural, contando com uma invejável disponibilidade de recursos naturais, uma biodiversidade impar no mundo, tem todas as condições para discutir de igual para igual, como já fez com os Estados Unidos. Mas, como todos os jovens, algumas vezes somos mais ousados e muitos dos nossos empresários procuram resultados de curto prazo.
Os interesses nacionais brasileiros devem ser colocados acima de tudo, como os chineses também os fazem. Há mais interesses comuns do que aspectos que nos separam. Vamos procurar tirar o máximo proveito desta oportuna viagem da presidente Dilma Rousseff que será relativamente longa, até a reunião de cúpula do BRICs que deverá ocorrer na próxima quinta feira.
10 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: a valorização exagerada do real, discussões sobre o câmbio, o problema do yuan e do dólar norte-americano | 7 Comentários »
Os noticiários dos jornais nacionais e internacionais apresentam inúmeras discussões sobre os difíceis problemas cambiais e suas consequências. São assuntos complexos, não havendo nem um razoável consenso sobre o assunto entre os economistas. Mas qualquer que seja a posição adotada por um analista, parece evidente que o real está exageradamente valorizado, facilitando as importações que sacrificam empregos locais, e dificultando as exportações brasileiras que criam empregos. No entanto, não existe nenhuma concordância sobre o que pode ser feito para corrigir este desequilíbrio que continua se agravando. O leigo pode entender que o real valorizado significa um benefício, mas nem isto é verdade.
Muitos se queixam que os chineses mantêm o seu yuan extremamente desvalorizado e, para se defenderem, como os norte- americanos, ampliaram brutalmente o montante do dólar no mercado internacional, o que o desvalorizou e continua a fazê-lo, prejudicando os países que ainda o aceitam como referência para os seus negócios. No passado, o câmbio dependia do volume das exportações e importações, mas hoje são determinados pelos fluxos financeiros no mundo globalizado, onde as diferenças de taxas de juros entre os países possuem uma influência decisiva.

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10 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: importância da visita, problemas bilaterais, problemas comuns, reunião do BRICs
A China é o país emergente de maior destaque no mundo atual, e é o mais importante parceiro comercial do Brasil, que também conta com respeitáveis credenciais. A pauta que está sendo preparada para discussão entre os dois países, pelos diplomatas de ambos os governos, parece centrar-se nos intercâmbios de tecnologia, visando o relacionamento bilateral de longo prazo. Os funcionários do governo brasileiro e os representantes do setor privado que acompanham a presidente Dilma Rousseff nesta viagem são expressivos e numerosos, e terão contato com as elites chinesas mais preparadas que pode encontrar no mundo emergente, com clara visão dos seus interesses de longo prazo. Mais que resultados imediatos, o relevante parece ser o estabelecimento de bases sólidas para um intercâmbio profícuo de longa durabilidade.
A presidente Dilma Rousseff é conhecida pela sua qualidade pessoal de estudar profundamente os assuntos que exigem suas decisões. Do lado da China, os brasileiros encontrarão dezenas de chineses com as qualidades dela, preparados nos melhores ambientes nacionais e internacionais, conhecendo profundamente todos os assuntos que possam ser colocados em discussão. A nossa experiência pessoal negociando naquele país nos ensinou que para cada brasileiro preparado é preciso esperar que haja no mínimo dez chineses do mesmo naipe ou superior.

Presidente Dilma Roussef, presidente chinês Hu Jintao e o premiê Wen Jiabao
É do conhecimento geral que o Partido Comunista Chinês controla todas as decisões relevantes na China, ainda que algumas dissidências no país, e a cúpula partidária é composta de uma elite muito preparada e selecionada pelo mérito, que discute intensamente o Plano Quinquenal do país. Tem uma clara idéia de sua estratégia política interna e internacional estabelecida de forma consensual. Consideram o Brasil importante para as suas pretensões de continuarem com um desenvolvimento acelerado, melhorando a qualidade de vida de sua população, necessitando de alianças para assegurar o abastecimento de todas as suas necessidades, bem como colocação de seus produtos.
O Brasil, pelo seu sistema democrático e de mercado, ainda que pragmático, não conta com igual planejamento de longo prazo, nem um consenso tão amplo sobre as políticas a serem adotadas. O governo Dilma Rousseff, ainda no seu início de gestão, conta com um elevado nível de aprovação de sua população.
Existem muitos pontos e interesses que são comuns entre os dois países, mas também alguns aspectos onde existem divergências respeitáveis. As visitas desta natureza podem incrementar e aprofundar sensivelmente o intercâmbio bilateral e estabelecer bases para atuações conjuntas no plano internacional. As diferenças existentes não devem tirar o brilho dos entendimentos, principalmente por que será seguido da reunião do BRICs que, além dos emergentes Brasil, Rússia, Índia e China terá como convidado a África do Sul.
Em que pesem as parcerias já existentes, o desconhecimento recíproco entre o Brasil e a China ainda é amplo e generalizado. Tanto os empresários como a população em geral se conhecem ainda superficialmente, havendo um amplo campo para o seu aprofundamento, que poderá ser feito ao longo de muito tempo. Ambos os países são extensos, com diferenças regionais, étnicas e culturais apreciáveis, bem como potencialidades pouco conhecidas.
A visita pode representar um ponto de inflexão na evolução do intercâmbio bilateral, que é de alto interesse de ambas as partes.
8 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: assassino com evidentes distúrbios, banalização da vida, imagens dos cinemas e televisões | 2 Comentários »
Por mais que se deseje calar em respeito a todos os brasileiros enlutados com o lamentável e insano incidente de ontem na escola de Realengo, Rio de Janeiro, principalmente aos familiares das crianças que se tornaram vítimas, não se pode deixar de registrar a nossa solidariedade e indignação diante desta violência. Mesmo que especialistas diagnostiquem tecnicamente a mente perturbada deste assassino, precisamos admitir que todos nós temos parte das responsabilidades pelas atuais desconsiderações pela vida.
Nossas televisões, cinemas e a mídia em geral disseminam cenas de violência que afetam as mentes mais frágeis, sem que os seus responsáveis efetuem uma autocensura desta banalização da vida. E nos calamos diante destas calamidades alegando repúdio a censura, mesmo sabendo que elas terão consequências. Nos trailers de alguns filmes são apresentadas cenas tão violentas que parecem que os seus responsáveis estão fazendo uma contrapropaganda para que os frequentadores não os assistam.
Só nos resta orar para que este indescritível episódio seja único, e não favoreça outros semelhantes entre nós. Já temos violência demais no nosso mundo para nos considerarmos racionais e humanos. Basta!


Presidente Dilma Rousseff se emociona ao comentar a tragédia
7 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Saúde | Tags: iniciativa criativa e pioneira, possibilidade de patrocínios, unidade móvel para atendimento de pequenas comunidades
Existem algumas iniciativas que merecem serem examinadas com toda a atenção, pois são criativas e atendem amplas necessidades da população. Já tínhamos tomado conhecimento do projeto do dr. . Roberto Kikawa, mas vendo o interessante vídeo que postamos neste site quer nos parecer que é um projeto que poderia ser examinado por potenciais patrocinadores, depois de um exame mais acurado que responda todas as questões que podem ser formuladas por organizações que tenham condições para apoiá-los.
6 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais | Tags: não ficar somente no trágico, observando o belo no Japão atual, reflexão sobre os assuntos tratados na mídia
Uma amiga jornalista brasileira no Japão mandou-me uma mensagem hoje pela manhã, já noite naquele país, que iria dormir pela primeira vez mais tranquila com a notícia da redução do despejo das águas radioativas das usinas de Fukushima Daiichi no mar. Refleti que neste corre-corre dos últimos dias todos só estamos ligados às notícias mais trágicas, sem a capacidade de apreciar também o belo. Morei no Japão por um tempo, e tenho visitado o país regularmente, mas quase sempre envolvido com os trabalhos não tive a capacidade de notar que neste início da primavera há mais que o sakura, como posto abaixo, para deleite de todos nós.





5 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: conjunto de problemas variados, dificuldades para prognósticos razoáveis, fluxos financeiros, tendências inflacionárias | 2 Comentários »
Os noticiários dos principais jornais econômicos do mundo relatam inúmeras reuniões em vários organismos nacionais e internacionais em muitos lugares. É na OECD, no BRICs, no G7, no G20, no FMI e em muitos países. Todos procuram entender o que está acontecendo de forma complexa e integrada, e estudam medidas que possam minimizar as dificuldades atuais e do futuro próximo. Mas estão todos perplexos, sem um consenso do que pode ser feito para reduzir as distorções.
A atual evolução dos problemas no mundo árabe afeta o mercado de petróleo que deve permanecer num patamar elevado. As dificuldades japonesas acrescentam preocupações e custos com as fontes de energia atômica em todo o mundo. Muitas rotas vitais para os sistemas logísticos mundiais acrescentam riscos e custos. As pressões inflacionárias decorrentes das principais commodities continuam presentes, agravadas pelas demais incertezas.



O sistema financeiro internacional resiste a uma regulamentação, ainda que os fluxos estejam se tornando incontroláveis, afetando os câmbios. Muitos governos estão desgastados politicamente, e com dívidas públicas elevadas. Tudo acrescenta os riscos no mundo globalizado que estava tentando se recuperar.
As autoridades de cada país enfrentam problemas sobre os quais não possuem poder suficiente para neutralizá-los, como os das pressões inflacionárias. Nos organismos internacionais, não se consegue obter um razoável consenso para a tomada de decisões gerais. A desejável cooperação mundial só ocorre em alguns casos extremos, com substanciais conflitos de interesses.
Alguns economistas desejam restrições monetárias ainda que seus danos sobre o crescimento da economia sejam pesados. Outros acreditam que intervenções governamentais podem minorar os problemas com menores custos. A única realidade é que o poder do sistema bancário privado internacional continua intacto, apesar da crise que eles provocaram em 2008. Seus lucros continuam sendo elevados, enquanto o setor produtivo continua arcando com a maioria dos encargos.
Muitas autoridades monetárias, mundo afora, se veem limitados nas suas ações diante da possibilidade das suas economias serem fortemente afetadas pelas violentas mudanças dos fluxos financeiros, nos seus câmbios e seus juros. O que era um instrumento financeiro parece ter se tornado o foco do problema, deixando que a tecnologia, a produção, o bem-estar da população sejam meros apêndices. O poder político parece acuado.
Algo parece fora do lugar necessitando-se de um equilíbrio mais razoável na governança mundial, sem que se saiba ainda exatamente de que forma se possa atingi-lo.
5 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: entrevista para a IPC JP – repetidora da Globo no Japão, informações didáticas, insistência, por um médico brasileiro
Mais que naturalmente, muitos dos brasileiros que possuem parentes ou amigos no Japão ficam preocupados com os problemas de radiação que continuam naquele país, e seus efeitos sobre os seres humanos. Das muitas apresentações sobre o assunto a que assisti, o que consta do site http://www.web-town.org/comunidade.php, prestado pelo dr. Eduardo Nóbrega, que incluímos na forma de vídeo abaixo, pareceu-me o mais claro.
Estas informações estão sendo dadas neste site, pois além de aprendermos um pouco mais sobre o assunto, parece útil para todos, mesmo para aqueles que não se encontram no Japão. Os que lá se encontram estão mais tranquilos sobre o assunto, que aparenta estar sob maior controle, mas incomodados com a contínua sequência de tremores que se repetem, ainda que todos tenham notado que os edifícios japoneses resistem aos mais violentos abalos.