23 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: fracasso nas alternativas propostas pelas autoridades japonesas, nível de contaminação baixo, riscos ainda existentes
Todos devem estar conscientes que as radiações detectadas até hoje em muitos produtos alimentícios e até águas fornecidas em Tóquio são baixas para danos físicos nos corpos humanos, mas as autoridades tomaram a precaução para evitar os seus consumos, pois o uso continuado deles durante um ano pode acabar acumulando radiações prejudiciais. Os limites estabelecidos pelas autoridades japonesas são extremamente cautelosos, mas hoje o mundo adota cuidados considerando sua acumulação durante a vida, havendo casos excepcionais onde algumas pessoas já receberam radiações pelas mais variadas razões.
Mas o fato lamentável é que, depois de 12 dias após o acidente, as autoridades já tentaram diversas alternativas para controlar os aquecimentos que se observam nas diversas unidades do conjunto de usinas atômicas de Fukushima, sem um resultado satisfatório. Uma pessoa de minhas relações, sempre preocupada com questões ecológicas que devem estar sempre nas nossas mentes, logo após o acidente, expressava a sua opinião que deveria se tomar medidas semelhantes às adotadas em Chernobyl que, lamentavelmente, depois de muitas tentativas, acabou-se lacrando fortemente com concretos, de forma que seus danos radiativos não prosseguissem. Achei na hora que a proposta era muito radical.

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23 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: notícias mais tranqüilizadoras ainda que exigindo cuidados, padrões rigorosos utilizados pelos japoneses
Diante das preocupantes informações divulgadas pelas autoridades japonesas, mostrando que radiações foram localizadas em vegetais provenientes da região nordeste do Japão, suspendendo o seu fornecimento, e até de águas que abastecem Tóquio, recomendando que crianças não as utilizem para as suas necessidades alimentares, sempre é conveniente informar, o mais didaticamente para todos, o que está ocorrendo. Muitos veículos de comunicação no Brasil, no Japão e em outros países procuram, com informações objetivas, evitar a possibilidade de provocar pânicos que em nada ajudam a resolver os graves problemas.
O Daily Yomiuri Online publica em inglês artigos esclarecedores, que podem ser melhor compreendidos quando se observa que os limites estabelecidos pelas autoridades japonesas são extremamente conservadoras, dando margens amplas de segurança. Vamos tentar esclarecer com dados médicos brasileiros que os riscos de danos humanos são extremamente baixos, ainda que todos os alimentos e bebidas contaminados devam ser evitados, pois hoje se adota o critério que eles podem ser cumulativos durante a vida dos seres humanos.

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22 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Tecnologia | Tags: efeitos sobre as crianças, os níveis que se tornam perigosos para o câncer e a tiróide, radiações nos alimentos e líquidos
Diante da radiação detectada nos espinafres e no leite, o jornal japonês Yomiuri, no seu site em inglês, explicou o problema com base nas informações fornecidas por cientistas credenciados.

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22 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: dificuldades de compreensão, esforços da imprensa, informações desejáveis, interessados no Japão e no Brasil | 2 Comentários »
Todos os veículos de comunicação estão procurando manter os brasileiros abalados psicologicamente informados sobre o que vem acontecendo no Japão, com prioridade para os residentes naquele país, estimados em mais de 250 mil pessoas. Além de milhões de seus parentes, amigos e outros interessados residentes no Brasil, preocupados com eles. Todos passam ainda por uma situação crítica, tanto com os novos terremotos menores que diferem de intensidade regionalmente como com informações das evoluções constantes relacionadas com as contaminações decorrentes das radiações. Os controles das usinas atômicas de Fukushima preocupam a todos, pois ainda não estão totalmente resolvidos, apesar dos esforços das autoridades e funcionários das mesmas. Além das limitações pelas quais os japoneses ainda passa no cotidiano de suas vidas, com o racionamento da energia elétrica e outros. Muitos colocam em dúvida as informações regulares fornecidas pelas autoridades, no mínimo sobre a sua precisão.
Existem desinformações que facilitam a disseminações de boatos, pois muitos dos brasileiros residentes no Japão possuem limitações para compreender o que as autoridades divulgam regularmente pela televisão local, em linguagem mais elaborada e com explicações técnicas, sempre difíceis para os leigos. Algumas chocam com as fornecidas pelas fontes externas, emitidas de pessoas credenciadas tecnicamente, mas desinformadas das condições locais atualizadas, que continuam preocupantes.


Alguns alimentos foram contaminados pela radiação proveniente das usinas de Fukushima
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21 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: acordos assinados durante a visita do presidente Barack Obama, ênfase nos assuntos relacionados com o intercâmbio no prazo mais longo
Relevantes acordos foram assinados entre os dois países mais importantes das Américas na visita do presidente Barack Obama ao Brasil, durante um período conturbado com os problemas relacionados com a Líbia e os decorrentes do desastre natural no Japão e suas consequências. Como já referido neste site, o presidente dos Estados Unidos procurou manter o máximo de sua programação, sendo que os entendimentos feitos pelas duas chancelarias foram reforçados pelas suas recomendações como da presidente Dilma Rousseff. Ele procurou criar uma empatia com as autoridades e o povo brasileiro, apesar das restrições da segurança, visitando pontos que lhe proporcionassem a imagem popular.
Como esperado, os intercâmbios entre os dois países devem contar com mecanismos adicionais que facilitem a redução de atritos comerciais e estimular o desenvolvimento de recursos humanos indispensáveis ao desenvolvimento. Criou-se a Comissão Brasil-Estados Unidos para relações econômicas e comerciais, além de entendimentos visando resolver eventuais dificuldades de comércio. Algumas parcerias foram estabelecidas como no transporte aéreo e eventos relacionados com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, por eles terem experiência na área da segurança, segundo site de O Globo.


Obama e a primeira-dama durante visita à Cidade de Deus (Foto: Governo do Rio de Janeiro).
O presidente discursa no Theatro Municipal (Foto Agência France Press)
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21 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: desperdícios, mudanças até no exterior, paralisação dos consumos de luxo
Como não podia de ser, até os ricos japoneses estão mudando radicalmente seus hábitos diante do desastre natural que se abateu sobre o Japão. Um artigo do The Wall Street Journal, publicado no Valor Econômico, informa que muitas lojas de artigo de luxo, como as das grifes internacionais japonesas Issei Miyake, Commes de Garçons, ou até estrangeiras como Louis Vuitton, Prada, Chanel, Cartier, Gucci, Bulgari, Dior e outras, ou estão com suas lojas fechadas em Tóquio, ou estão sem movimento.
Evidentemente, quando muitas vítimas passam por dificuldades, com limitações do fornecimento de energia elétrica e outros problemas de abastecimento básico, não convém a ninguém estar ostentando com consumos luxuosos. Mas, muito mais do que isto, até os meus amigos de classe média estão reduzindo os consumos de energia em suas residências e até consumindo alimentos modestamente, para colaborar com os que mais precisam. Tenho a impressão de alguns estão aproveitando a oportunidade para fazer um regime nas suas dietas.

A capital Tóquio, com pouca movimentação nas ruas após a tragédia
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21 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: as barreiras para o tsunami, outras lições, problemas com as usinas atômicas
Os lamentáveis desastres naturais no Japão estão forçando a revisão de uma série de exigências de segurança vigentes em todo o mundo. O primeiro, que já provocou a paralisação de algumas usinas atômicas mais antigas em alguns países, vai reforçar as exigências de segurança de todas elas, provocando a necessidade de proteções adicionais bem como novas exigências para as situações de emergência, como os mecanismos adicionais de desaquecimento dos reatores. De outro lado, as medidas de barragem dos tsunamis mostraram-se insuficientes para a violência da natureza, exigindo revisões nas mesmas, ainda que tivessem provocado o atraso no avanço dos tsunamis.
O sistema de alarme antecipado dos sismos, bem como das possibilidades de tsunami, não permite antecipações adequadas quando nas regiões mais próximas do litoral, mas a velocidade dos mesmos pelos oceanos impressiona a todos, proporciona o tempo para medidas preventivas, que não foram consideradas com a devida atenção. As tecnologias de construção e os sistemas de defesa civil do Japão estão proporcionando conhecimentos úteis para outros países mais sujeitos a fenômenos semelhantes.

Barreiras não foram capazaes de deter ondas com cerca de 10 metros de altura
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20 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: intenção de preservar ao máxima a visita ao Rio, preservando o programa de Brasília com a autorização do ataque à Líbia
A difícil conciliação do programa da visita de Barack Obama ao Brasil com a guerra na Líbia e outras graves preocupações relacionadas com os problemas do Japão acaba destacando a importância que o presidente dos Estados Unidos está dando ao nosso país. Mesmo as autoridades brasileiras seriam capazes de admitir alguns cancelamentos nos eventos programados, mas ele está cumprindo o que lhe é possível, com o mínimo de adaptações.
Ele é o comandante máximo das Forças Armadas do mais poderoso país no mundo atual, que coordenado com outras potências desenvolvidas decidiram executar um ataque maciço à Líbia, com a alegação de que estão defendendo o povo daquele país contra as forças de Kadaffi, dando a autorização de Brasília. Ele, naturalmente, é a autoridade máxima de todas as forças militares que efetuam o ataque que visa controlar o espaço aéreo líbio para evitar o massacre das forças que se opõem a Kadaffi, já reconhecidas como os verdadeiros representantes da Líbia por alguns países. Tudo estaria dentro das decisões do Conselho de Segurança da ONU, com a abstenção do Brasil e outros importantes membros.

Dilma Rousseff, Barack Obama e sua mulher, Michelle: Foto: Agência O Globo / Michel Filho
A imprensa brasileira informa que os auxiliares de Obama lhe transmitiam as informações sobre a evolução dos acontecimentos cruciais, mesmo quando almoçava no Itamaraty com os demais convidados, e o mesmo acontecia com Dilma Rousseff, chegando a haver algumas trocas de informações entre as duas partes. .
Toda a estrutura de comando militar dos Estados Unidos deslocou-se com a comitiva de Barack Obama, permitindo que ele tenha reuniões com os seus comandados imediatos, inclusive com os meios eletrônicos reservados, no que for necessário. A imprensa se manifesta impressionada com a estrutura que o cerca, tanto para a sua segurança como de sua comitiva, mesmo nos deslocamentos para o Rio de Janeiro.
Informa-se que o máximo do programa que envolve aspectos turísticos e conhecimento a projetos brasileiros na Cidade Maravilhosa, bem como o possível contato com empresários e representantes do povo brasileiro está preservado, inclusive com a programação da sua esposa e filhas.
Os analistas de comportamentos diplomáticos devem dar a devida atenção ao que está acontecendo, além da importância do que foi negociado pelas autoridades de ambos os países, que não está relacionado com questões banais, mas de importância estratégica de longo prazo no intercâmbio entre os dois países e todo o mundo. As marcas pessoais de Barack Obama devem ser devidamente consideradas, bem como a química do seu relacionamento com Dilma Rousseff e todos os brasileiros.
O momento é extremamente adverso, mas está se superando as limitações, e o Brasil deve ficar extremamente grato por toda esta consideração. Fosse um país sem nenhuma importância, era natural o adiamento de toda a visita, por motivos compreensíveis.
20 de março de 2011
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos, Editoriais | Tags: A Grande Onda de Hokusai, charges sobre o tsunami
Com colaboração de Paulo Yokota
Katsushika Hokusai (1760-1849), natural de Edo (antiga Tóquio), pintor xilogravurista, é um dos mestres do ukiyo-ê, “pinturas do mundo flutuante”. Observador atento da natureza e do ser humano, seus trabalhos retratam a vida cotidiana e o homem comum da Época Edo (1608-1868). A Grande Onda de Kanagawa é sua mais conhecida obra; faz parte das “36 Vistas do Monte Fuji” em que Hokusai retrata o sagrado monte dos japoneses, sob várias perspectivas (circa 1826-33).
Note-se o poder avassalador da natureza: a imensa onda parece querer encobrir tudo. O Fuji-san aparece pequenino ao fundo, homens em três barcaças enfrentam corajosamente a grande maré. São pescadores levando peixe para mercados da Baia de Edo. É um quadro com muito movimento: a luta dos pescadores, os barcos balançando, as enormes ondas levantando espumas – um solene e estático Monte Fuji a tudo contempla. Acredita-se que Hokusai tenha se inspirado num grande tsunami de mais de cinco metros de altura que sacudiu o nordeste do litoral japonês em 1700, após um terremoto de magnitude nove, do qual ele deve ter ouvido relatos anos mais tarde. Hoje sabemos que o tsunami difere das grandes ondas.

É a pintura mais famosa de Hokusai, quiçá a mais conhecida pintura japonesa no ocidente. Por ilustrar símbolos sagrados do Japão – o Monte Fuji e o mar, fonte de vida que cerca o arquipélago -, é um cenário muito venerado pela cultura japonesa, e que diz muito da sua alma.
Por isso, foi com dupla e dolorosa incredulidade que deparamos na página dois do jornal Folha de São Paulo do dia 12 último, a charge fazendo troça da tragédia do tsunami do dia anterior, em cima desta obra de Hokusai. Como poderia o editor de um jornal de penetração permitir publicar tal gozação, logo no dia seguinte à maior tragédia daquele país? E pior, anônimo: como se o responsável já temesse a reação dos leitores. Depois ficamos sabendo que o autor era jovem de 14 anos. Cartunistas do mesmo jornal se apressaram em sua defesa, enaltecendo a “beleza artística” da charge. “Coleguismo” oblige. A ombudsman da Folha comenta hoje o dilema, mostrando outras charges semelhantes publicadas mundo afora, mas na lide da matéria registra: “É um engano pensar que cartunista pode tudo, mas é difícil decidir o que pode ser publicado quando se trata de ilustrar tragédias”.
Perdoam-se imaturidades. Mas por mais jovem que seja um ser humano, espera-se dele sensibilidade e compaixão – coisa que até bichos e pássaros demonstram para com seus iguais. Como nos sentiríamos brasileiros em geral se algum jornal, de qualquer país, publicasse piada sobre a tragédia da serra fluminense em cima de imagem do Cristo do Corcovado (ícone do país, como também o é A Grande Onda) deslizando em lama, no dia seguinte ao desastre?
Ninguém nasce preconceituoso. Um indivíduo se imbui de influências que o cercam desde tenra infância, no meio familiar, social, racial. Conforme vai amadurecendo, pode ir alcançando discernimentos que mudem suas idiossincrasias, xenofobias e intolerâncias adquiridas. Ou não: quanto mais seus horizontes forem estreitos, menor será sua capacidade de crescer e discernir. Aliás, realidade triste aqui, acolá, a começar pelo Japão, há uma juventude consumista e egoísta, insensível e superficial. Claro, com exceções honrosas: a globalização em muito vem contribuindo para criar cidadãos do mundo, abertos e esclarecidos, aptos para entender e praticar tolerância, sensibilidade, humanidade, espiritualidade e, sobretudo, humildade. Como os grandes mestres.
“Se os céus me tivessem concedido pelo menos dez, cinco anos (de vida) mais, eu poderia ter me tornado um artista de verdade.” – Hokusai, pouco antes de falecer aos 89 anos de idade.
Não há dúvida nenhuma que os que sofrem mais influência da cultura japonesa se sentem mais ofendidos com estas charges, mesmo que tenham o maior respeito pela liberdade de imprensa e artística.
20 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais | Tags: Kotaro Horisaka, papel da Universidade de Sophia – Tóquio, Rei Oiwa
Existem algumas instituições que vêm contribuindo de forma expressiva no intercâmbio do Japão com a América Latina e uma delas é a Universidade de Sophia de Tóquio, também conhecida como a Jochi Daigaku – Universidade Católica de tradição franciscana. É uma tradicional escola criada em 1913 na capital japonesa, onde por longo tempo foi dirigida por um consagrado brasileiro, Dom Lorscheider, parente de Dom Ivo e Dom Aloísio. Dedicou-se sempre aos assuntos latino-americanos, contando com um importante curso de língua portuguesa, onde se formaram centenas de pessoas que continuam tendo um papel importante neste intercâmbio.
Um destaque é o maior brasilianista conhecido no Japão, hoje professor honorário Kotaro Horisaka, uma das fontes mais importantes no intercâmbio nipo-brasileiro. Ele é filho de um diplomata que trabalhou no Brasil ainda quando a capital era no Rio de Janeiro, onde viveu parte de sua adolescência. Voltou a trabalhar no Brasil como correspondente do Nihon Keizai Shimbum, conhecido simplificadamente como Nikkei, o importante jornal econômico japonês. Fez parte de uma equipe que elaborou um importante estudo que incrementou as relações nipo-brasileiras, chefiada por Saburo Okita, consagrado economista japonês, depois ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão.

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