21 de fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: avaliação do crescimento do produto e da inflação, consideração sobre o lado real, interesses vinculados ao setor financeiro
Existem fortes evidências que o mercado funciona e os preços de todos os tipos influenciam na alocação de recursos. Os salários dos profissionais relacionados com o setor financeiro têm sido relativamente elevados quando comparados com o lado real da economia. Isto provoca uma natural atração dos melhores talentos para as atividades financeiras, que nem sempre efetuam análises isentas sobre o comportamento da produção que são mais trabalhosas e demandam mais tempo para se efetivarem.
Nas estimativas de crescimento da economia brasileira, bem como da inflação para 2011 e 2012 efetuados pelos economistas ligados aos estabelecimentos bancários e consultorias econômicas com eles relacionados, fica-se com a impressão que existem tendências para alguns vieses, sobre os quais as autoridades deveriam tomar as devidas cautelas. As estimativas de crescimento costumam considerar a participação dos setores primários (que é baixa), secundários (que é moderada) e terciários (que é grande e usualmente baseado no crescimento populacional) pelo percentual na formação do PIB total que deveria ser apurado pelos censos econômicos e é utilizado pelos responsáveis pelas contas nacionais. Os jornais anunciam que as autoridades batalham para que o crescimento seja superior a 4% em 2011, com uma inflação que ficaria ligeiramente acima da margem superior da meta inflacionária que está fixada em 4,5%.

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16 de fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: anúncio da fusão das bolsas de Nova Iorque e Frankfurt, sinal da globalização, uso do meios eletrônicos nas operações
O anúncio da fusão das bolsas de Nova Iorque e Frankfurt é o sinal mais evidente da globalização das operações financeiras mundiais. É evidente que existe uma economia de escala nesta fusão e que resistências tiveram que ser removidas, mas a realidade econômica acabou sendo mais forte, provocando um acelerado esforço para o mundo Ocidental fazer frente aos avanços asiáticos. No mundo financeiro, já não existiam as barreiras territoriais e dos fusos horários, e os agentes que atuam nas bolsas eram obrigados a acompanhar desde o que acontecia na Nova Zelândia até nos Estados Unidos, durante as 24 horas de cada dia.
Uma nova realidade dramática é que os norte-americanos ficarão com 40% das ações que controlam a nova organização, com os europeus majoritários com 60%, mostrando que os Estados Unidos perderam a sua primazia econômica que detinham desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Na economia global, infelizmente, não existe nacionalidade.

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15 de fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: o PIB chinês e japonês, outros problemas relacionados, tamanho de suas populações
A humanidade sempre viveu de marcos e símbolos que precisam ser profundamente analisados nos seus significados. A oficialização dos dados que demonstram que o PIB chinês ultrapassou o japonês acabaram ganhando manchetes em muitos jornais do mundo, para decepção de muitos nipônicos, mas pouco festejo de cidadãos do País do Meio. Até pelo contrário, muitas observações dos chineses indicam uma preocupação, com novas pressões internacionais que devem sofrer.
O ponderado jornal econômico The Wall Street Journal publicou uma matéria mostrando que a diferença das cifras do PIB chinês de US$ 5,88 trilhões, que vem crescendo rapidamente, não difere muito do US$ 5,47 trilhões do japonês, estando muito longe dos US$ 14,66 trilhões dos norte-americanos, pelos dados publicados em janeiro deste ano. Em termos per capita, o da China ainda está somente em um décimo do Japão, entre os mais pobres do mundo, que leva uma ex-autoridade chinesa a descrever como “um país rico, com população pobre”. Mas o jornal alerta que os japoneses têm sido aliados geopolíticos dos norte-americanos, mas os chineses potenciais desafiadores.

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11 de fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: a crise do Egito, acumulação de problemas, mundo emergente, problemas asiáticos
Todos sabem que a economia mundial é um animal muito arredio que teme os riscos decorrentes das incertezas que parecem estar aumentando por todos os lugares. A crise no Egito é a sua atual face mais dramática onde as manifestações populares que começaram na Tunísia provocaram a renúncia do Hosni Mubarak, sem que haja indícios sobre como será o futuro da região. Mais do que este fato, o lamentável foram os serviços de inteligência das potências internacionais se mostrarem incapazes de fornecer um quadro mais preciso das tendências, não fornecendo indícios de potenciais problemas em todo o mundo árabe. Ao mesmo tempo em que ocorreram vazamentos lamentáveis de informações diplomáticas dos Estados Unidos, que constrangeram a muitos dos seus aliados.
Sente-se também um aumento das tensões ainda latentes com o rápido crescimento econômico, político e militar da China, e a relativa queda da influência norte-americana na segurança dos mares que separam aquele país com seus principais vizinhos. Os apetites chineses em assegurarem os produtos indispensáveis para a manutenção do seu crescimento econômico prenunciam a intensificação das pesquisas em águas profundas.
Todos acreditam que se trata do interesse geral manter um razoável equilíbrio entre potências que estão tendo os seus poderes desgastados, com aqueles que estão num processo de ascensão. Mesmo que existam outros fatores que provoquem apreciáveis custos sociais diante dos envelhecimentos de algumas populações.
Ainda que todos admitam que o poder mundial necessita ser partilhado por maior número de países, ainda não se desenha claramente como ele ficará, por exemplo, no Grupo dos 20, com a participação de alguns emergentes. Mesmo com a tendência à consolidação da Organização Mundial do Comércio, os arranjos do Banco Internacional de Compensações não são suficientes para impor controles para as instituições financeiras privadas que, mesmo com a crise de 2008, continuam sem regulamentações adequadas.
Os fluxos financeiros internacionais, exagerados e em grandes montantes, podem provocar movimentos bruscos decorrentes das mudanças no quadro psicológico coletivo. Principalmente quando muitas decisões são tomadas por referências estabelecidas por duvidosas análises com usos de informática sem ponderações humanas, que também não são tão racionais como seriam de se desejar.
É evidente que a humanidade dispõe de mecanismos instintivos para a sua sobrevivência, não se aguardando crise agudas no futuro próximo. Mas seria sensato que regras adicionais de controle sejam estabelecidas no mundo financeiro, pois os interesses coletivos devem prevalecer aos de alguns segmentos.
8 de fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: importância das duas economias, preparação com Timothy Geithner, problemas comuns, propostas objetivas, visita de Barack Obama
Os contatos entre as autoridades máximas dos dois maiores países das Américas sempre são importantes, principalmente quando os Estados Unidos iniciam a sua recuperação econômica e o Brasil pretende continuar mantendo um crescimento significativo como país emergente. Nem tudo são flores nos relacionamentos destes dois países, mas existem problemas comuns, sendo útil que suas ações sejam coordenadas no plano internacional. No entanto, para os que só dispõem de informações veiculadas pela imprensa, fica-se com a impressão que ainda falta uma idéia força capaz de promover uma maior aglutinação dos interesses comuns.
Na rápida visita preparatória do secretário do Tesouro Norte-americano Timothy Geithner fica claro que a pauta bilateral deve se concentrar nos assuntos econômicos, ainda que existam outros assuntos sensíveis do ponto de vista da política internacional. Pelo que afirmou publicamente o secretário, ambos os países têm o interesse que o câmbio chinês acelere a sua valorização, e até parecendo uma ação coordenada, o governo da China elevou a sua taxa de juros.
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7 de fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: dificuldades para voltar ao Japan Incorporation, notícias variadas dos esforços efetuados, poucos resultados obtidos
Notícias provenientes de diversas fontes japonesas e estrangeiras informam sobre os esforços de adaptação que estão sendo efetuados pelas empresas japonesas para se ajustarem ao novo quadro econômico globalizado. Ora são projetos de expansão no exterior, ora são inovações tecnológicas, ora a junção de esforços de diversas organizações, todos de limitada dimensão. Denotam o quanto é difícil superar as dificuldades, quando elas se instalam e se consolidam.
Desenvolveu-se o conceito no Japão que eles acabaram ficando com uma cultura de “Galápagos”, muito particular de um arquipélago, difícil de ser utilizada no resto do mundo. Os que observam as diversas tentativas ora efetuadas notam que eles valorizaram exageradamente o trabalho coletivo, inibindo as iniciativas individuais que estimulam o surgimento de excepcionais empresários inovadores, como os apontados por Joseph Schumpeter. Os méritos individuais precisam ser reconhecidos, pois muitos dos prêmios Nobel japoneses desenvolveram os seus trabalhos no exterior, mostrando que existem dificuldades nas suas organizações internas.

Ainda que os trabalhos coletivos sejam importantes, há que reconhecer o papel dos estadistas, sempre individuais, tanto políticos como empresariais, capazes de exercer uma liderança que arrastem multidões de seguidores de suas iniciativas. O Japão parece ter desenvolvido uma cultura onde estes talentos individuais são inibidos.
Como mero exemplo, nas escolas japonesas, os alunos que se destacam acabam sofrendo o chamado “ijime”, uma espécie de sanção imposta pelos seus colegas para que se iguale na mediocridade dos demais. Os desenvolvimentos tecnológicos dentro das empresas japonesas costumam decorrer do acúmulo de pequenas contribuições de toda a equipe interna, sem que contribuições externas importantes sejam também incorporadas, ou reconhecidos os talentos individuais.
Parece conveniente que os intelectuais, acadêmicos e as lideranças japonesas façam uma autocrítica do comportamento das últimas décadas, que se seguiu ao chamado milagre econômico, que decorreu em grande parte da desvalorização cambial permitida pelo resto do mundo. Lembre-se de que o câmbio japonês manteve-se, por muito tempo, a 360 ienes por dólares, acabando por se modificar pelo chamado Acordo de Plaza.
Nada indica que as muitas qualidades dos japoneses deixaram de existir. O hábito de uma elevada poupança, a parcimônia nos desperdícios, a dedicação ao trabalho. Mas o sucesso econômico fez com que fossem exageradamente condescendentes com seus filhos, que não mais necessitavam fazer os sacrifícios que foram efetuados pelos seus antepassados, criados num arquipélago dotado de poucos recursos e muitos desastres naturais.
Há que se recuperar o espírito de enfrentar as limitações, usando-as como desafios para novas criações. Não se pode permitir que o melhor de sua juventude se conforme com a mediocridade, ou se desespere até chegar ao suicídio. Seria interessante estimulá-los a trabalhos voluntários em países que enfrentam as mesmas dificuldades dos seus antepassados, no sudeste asiático, na África ou outros rincões isolados de extrema pobreza.
O Japão tem ainda um grande papel a desempenhar no mundo, com tudo que já acumulou. Mas precisa se conscientizar que faz parte deste mundo, necessitando incorporar também as culturas que permitiram a sobrevivência dos outros. Não pode continuar a viver na dependência de outros países, é preciso “desmamar” os japoneses.
Muitas das considerações desta nota são duras e a generalização é sempre injusta. Mas o mundo não pode ficar indiferente diante da deterioração que continua ocorrendo no Japão. Há que se recuperar e voltar às grandes iniciativas que os caracterizaram antes mesmo do surgimento dos chamados Tigres Asiáticos, quando chegavam ao outro lado do mundo, como o Brasil, para viabilizar iniciativas conjuntas que beneficiaram todo o mundo.
Intercâmbios com o exterior, sem dúvida, mas não se sujeitar vergonhosamente à dependência alimentar, energética, de defesa externa. Parece chegada a hora de levantarem novamente suas cabeças, sem ficar lamentando indefinidamente suas desgraças. Se não contam com quadros masculinos, há que se socorrer das que enfrentaram as dores do parto, como lembrava o saudoso Toshiwo Doko, referindo-se à Margareth Thacher.
29 de janeiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: dois casos de intercâmbio bilateral, Financial Times relata projeto do Vale do Silício, The New York Times relata projeto de genética | 2 Comentários »
Em que pesem as naturais dificuldades de intercâmbio científico e tecnológico entre a China e os Estados Unidos, há que se admitir que os norte-americanos são ousados no incentivo de projetos inovadores que superam as resistências, prestigiando as iniciativas de competentes empreendedores, mesmo que envolvam os chineses que estão competindo com eles na vanguarda de muitos conhecimentos. O Financial Times relata sobre o projeto de um fabricante de lâmpadas de luz com baixo consumo de energia emitindo diodes (light bulbs that use low-power light-emitting diodes), na linha de tecnologias verdes no Vale do Silício. E o The New York Times sobre uma odisséia sino-americana na construção de um melhor mapa genético dos ratos.
Estas notícias vêm no rastro da visita do presidente chinês Hu Jintao aos Estados Unidos, marcado por declarações preocupantes sobre a atual rivalidade entre os dois países que disputam a liderança das inovações nas pesquisas e tecnologia.

Presidente da China Hu Jintao ao lado do presidente norte-americano Barack Obama
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24 de janeiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: correção paulatina de uma distorção, críticas pouco ponderadas, decisão de política econômica do governo Dilma Rousseff
Apesar do Brasil tratar-se de um país que conta com uma quantidade relativa de mão de obra que necessita de emprego, que tem escassez de capital e de tecnologia, adotaram-se encargos no passado que sobrecarregam a folha de pagamentos, induzindo a redução da sua utilização. Desde a época da criação da Sudene, os incentivos fiscais foram para a utilização de equipamentos, acreditando-se que isto facilitaria a capitalização, o que provocou a instalação de fábricas automatizadas no Nordeste, que não estimulavam atividades empregadoras de mão de obra, abundante naquela região.
Agora, o governo Dilma Rousseff, de forma correta, inicia um processo de redução de encargos sobre a folha de pagamentos, ainda que de forma cautelosa. Seria primeira medida de política econômica visando um resultado de longo prazo. Os críticos contumazes apressam-se a preverem a criação de novos impostos para fazer face à redução da receita da previdência. Eles esquecem-se que já houve casos de redução de tributos que provocaram aumento da arrecadação, pois a população tem em mente um máximo de tributação, a partir da qual aumenta a tendência ao uso de mecanismos de sonegação.

Presidente Dilma Rousseff, em foto de Roberto Stuckert Filho
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24 de janeiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: assistências técnicas, correções necessárias, experiências de outros países | 4 Comentários »
Os problemas das intensas chuvas que afetaram diversas regiões brasileiras de forma lamentável mostram que são indispensáveis muitos aperfeiçoamentos em todo o sistema de defesa civil, sendo insignificantes os mecanismos de alerta que começam a ser introduzidos em algumas localidades. Muitos países são afetados constantemente por tufões que são acompanhados por chuvas intensas, agravados por terremotos, e muitas grandes metrópoles ficam ao nível do mar, mas foram tomando medidas ao longo do tempo para que os danos causados por estes fenômenos climáticos fossem suportáveis.
O governo japonês enviou uma missão técnica ao Brasil, explicando o que fazem por lá e oferecendo assistência técnica, que não mereceu a devida atenção das nossas autoridades, que continuam com orientações errôneas na ocupação dos solos. A maior parte da cidade de Tóquio, por exemplo, fica a menos de cinco metros do nível do mar, mas não se ouve falar há muito tempo de inundações, pois seus principais rios, como Sumida, foram domados, em muitos trechos, por barreiras de muitos metros, mantendo uma margem de centenas de metros, destinados à prática de esportes e lazer.

Rio Tame, perto da cidade de Ome, na Tóquio Ocidental: sua margens são cobertas de grama e arbustos, formando um cinturão de vegetação. As áreas livres são usadas para lazer
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21 de janeiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: análise equilibrada, experiência com a Ásia, vantagem da distância
Muitos comentários estão sendo publicado na imprensa de todo o mundo sobre as atuais relações sino-americana, em função da visita de Estado do presidente Hu Jintao aos Estados Unidos. Como já são usuais, as mais judiciosas análises costumam ser publicadas pelo The Economist, possivelmente em função do seu distanciamento do palco das discussões e suas longa experiência em assuntos internacionais e asiáticas.
Todos sabem que os interesses dos dois países são divergentes e as dificuldades dos norte-americanos foram comparadas com a situação quando a extinta URSS conseguiu lançar o seu Spunik, em 1957, provocando uma forte reação dos Estados Unidos. As pesquisas espaciais foram aceleradas, conseguindo-se colocar os homens na Lua. O esforço exigido dos soviéticos para acompanharem os americanos ajudou a acelerar a dissolução do Leste.
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