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Consequências dos Problemas do Boeing 787

18 de janeiro de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: complexidade de um avião, principais empresas envolvidas, usuários e fornecedores

Os problemas em que estão sendo envolvidos os Boeings 787 Dreamliner afetam não somente o seu fabricante principal, como os usuários e muitos fornecedores. O jornal econômico Nikkei aponta num artigo que, além dos seus grandes usuários que são a ANA – All Nippon Airlines e a JAL – Japan Air Lines, também existem muitos fornecedores japoneses que estão com as barbas de molho. Muitos apontam que um dos graves problemas estaria ocorrendo nas baterias de lítio-íon que estão sendo fabricadas pela GS Yuasa, que é uma grande fornecedora destes equipamentos para variadas finalidades, como os veículos elétricos e híbridos da Mitsubishi Motors e da Honda Motor. Estas baterias são mais eficientes para carga e descarga, tendo metade do peso e duas vezes mais eficientes que as convencionais de níquel-hidreto metálico.

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Estas baterias apresentam algumas desvantagens, pois podem se superaquecer ou pegar fogo devido ao seu grande armazenamento de energia. O artigo informa que em 2006 ocorreram problemas com computadores da Sony, pelos defeitos destas baterias. Estes problemas podem acontecer por defeito de fabricação ou fatores externos, como falhas de carga e descarga ou ainda com defeitos nos circuitos elétricos. Estes assuntos continuam sendo estudados.

A ANA foi obrigada a fazer um pouso forçado no aeroporto de Takamatsu Kagawa após a fumaça ser detectada na cabine, com avisos de baixa tensão e problemas com o carregador de bateria, de acordo com os investigadores, segundo o jornal. Existem válvulas de segurança, como os utilizados nos carros, para liberar gases eletrólitos superaquecidos.

Infelizmente, muitos problemas vêm ocorrendo com o Boeing 787, tanto que a Federal Aviation Administration dos Estados Unidos resolveu suspender o seu voo até a determinação das causas das dificuldades que estão sendo encontradas, afetando tanto a ANA como a JAL. Outras empresas asiáticas que já adquiriram este aparelho também tomaram medidas idênticas.

A GS Yuasa vende muitas de suas baterias anualmente, não somente para o Boeing. Mas também outras empresas japonesas são grandes fornecedoras, como as fibras de carbono que são fornecidas pela Toray. As asas principais são fornecidas pela Mitsubishi Heavy Industries. A fuselagem superior é feita pela Kawasaki Heavy Industries. A Fuji Heavy Industries faz a caixa da asa do centro. Estas três companhias fornecem 35% dos componentes do corpo principal desta aeronave. E a Nabtesco fornece os sistemas elétricos do jato.

Segundo o jornal, o Boeing 787 não é somente uma grande dor de cabeça para as empresas aéreas, como para todos os seus fornecedores que estão sendo obrigados a rever os seus planos de produção.

A longa experiência da Embraer mostra que todas as aeronaves necessitam de muitos usos por um longo período, não bastando ter a capacidade de produzir um modelo, como alguns dos seus concorrentes estão se capacitando. Há necessidade da acumulação de muitas experiências, sendo que a Embraer já é uma tradicional fornecedora do Boeing. Um aeroplano costuma contar com muitos fornecedores de suas partes ou peças, não sendo totalmente produzido somente por uma empresa.