Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Todos os Ovos Numa Cesta só

29 de fevereiro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: duras lições das crises atuais, industrialização e serviços, nenhum país pode depender de poucos mercados tanto para as exportações como para o seu abastecimento

Ainda que os assuntos relacionados com as coronavírus sejam relevantes, pela sua dramaticidade provocando muitas mortes, há que se considerar que as economias de muitos países necessitam de uma maior diversificação para evitar depender de poucos parceiros internacionais, quando a economia da maioria deles passa por uma sensível redução de suas atividades. As populações de todos os países dependem para a sua sobrevida, num horizonte mais longo, de uma economia mais diversificada, que dependa menos de alguns outros poucos parceiros internacionais.

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Todos os países, mesmo no mundo globalizado, necessitam de economias diversificadas para sofrer menos quando se observam crises como as atuais

Países de dimensões continentais como o Brasil, ainda que sejam competitivos com suas produções agropecuárias e de variados minérios, também necessitam de uma indústria razoavelmente desenvolvida, ao lado de sistemas eficientes de serviços, para não sofrerem impactos exagerados como na atual crise que está afetando a maioria deles.

Já tivemos no passado uma indústria que, além de atender às necessidades internas tinha a capacidade de colocar alguns produtos industriais no resto do mundo, não somente junto aos seus vizinhos, mas até para países antípodas, contando com um eficiente sistema logístico para enviar seus produtos por todos os lugares, além de importar produtos como equipamentos com novas tecnologias para atender às suas necessidades.

Os produtos agropecuários brasileiros são competitivos em todo o mundo, como muitos dos seus minérios. No entanto, suas exportações são fortemente concentradas em alguns parceiros asiáticos, que estão passando por uma importante redução do crescimento de suas economias. Ao mesmo tempo, muitos componentes industriais indispensáveis são fornecidos também por eles, que, sofrendo calamidades como o coronavírus, não contam com possibilidade de sua continuidade, no mínimo por algum tempo. Parte destes produtos necessita ser produzida no Brasil, que tem demandas com dimensões para tanto, como os que se destinam à exploração das energias solares e eólicas. As autoridades brasileiras deveriam pensar de forma ampla para que a economia local não dependa exageradamente das importações destes produtos.

Ainda que todos sofram com a atual crise, países como os Estados Unidos, salvo alguns poucos componentes eletrônicos, contam com produções como de autopeças para a sua indústria automobilística, mesmo não sendo os mais eficientes nos seus custos e atualizações tecnológicas. Contam com serviços que atendem às necessidades de sua população e até de terceiros.

A Comunidade Europeia também tinha parte substancial destas características, que estão perdendo com o Brexit e aumento de suas medidas protecionistas. Isoladamente, tanto a Alemanha como a França não contam com mercados locais de dimensões para comportar estas atividades. No Sudeste Asiático parece haver uma maior consciência desta necessidade, procurando-se aumentar a sua integração.

Na América Latina há que fazer um esforço para continuidade do Mercosul, ainda que existam muitas dificuldades. A infraestrutura para esta integração costuma provocar sensíveis melhorias como as que se observaram no passado dentro do próprio Brasil. Tudo indica que há necessidade de se pensar grande e num prazo mais longo, pois muitos problemas novos ainda surgirão como desafios a serem superados.