Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Notícias Sobre Interesses Chineses na Soja Brasileira

2 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: dificuldades existentes, informações incompletas, os problemas dos consumos chineses de soja

Com as dificuldades por que passam muitos importantes órgãos de comunicação no mundo, muitas das notícias tornam-se mais superficiais, não permitindo a exata compreensão dos problemas envolvidos. Os meios eletrônicos são extremamente rápidos e todos os consumidores de informações acabam se contentando com trechos curtos que nem sempre são capazes de transmitir as questões mais complexas, mas influem nos veículos que poderiam efetuar coberturas mais detalhadas. Os leitores parecem se contentar com meros títulos. Muitos veículos estão registrando o crescente interesse dos chineses por fontes de fornecimento de produtos do exterior, cujos consumos estão se elevando na China.

Informa-se que a prioridade chinesa, um dos países que procura assegurar um suprimento estável de energia, de matérias-primas e alimentos de toda a natureza, volta-se com elevado interesse pelo Brasil. Ninguém pode duvidar desta intenção, que deve se explicitar mais profundamente por ocasião da visita da presidente Dilma Rousseff àquele país, aproveitando a reunião do grupo BRICs. No entanto, nem todos os dados são fornecidos acuradamente, para permitir a sua devida compreensão.

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Empresários chyineses demonstram interesse em investir no porto público do Complexo Logístico Intermodal Porto Sul

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Retrato de Corpo Inteiro do Japão

2 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: noticiário sobre desastre, o percentual dos que foram afetados, o que acontece com o resto do Japão | 2 Comentários »

Uma vida é importante para todos nós. Até um cão que foi encontrado no mar depois de três semanas do terremoto e tsunami, que afetaram fortemente a região nordeste do Japão, virou notícia em todo o mundo. As manchetes da mídia ainda informam sobre o drama do que ocorre em Fukushima Daiichi, as procuras pelos desaparecidos, os atendimentos aos desabrigados, as cooperações e doações nacionais e internacionais e os esforços de reconstrução, as tentativas de voltar à vida normal. Tudo mais que natural, mas seria interessante tem um panorama geral do Japão de hoje, fugindo das informações que distorcem a realidade, talvez menos interessante, mas mais profunda.

O que está acontecendo com todo o Japão hoje? Aquele país conta com cerca de 128 milhões de habitantes, os lamentáveis falecidos e desaparecidos giram em torno de 30.000 pessoas, ou seja, de cada 10.000 habitantes pouco mais de duas pessoas estão nestas lastimáveis estatísticas. No Brasil, o número de mortos nos acidentes de trânsito anual supera esta cifra. Mais de 99,97% da população japonesa sobreviveram e estão bem, lutando e trabalhando normalmente, de forma anônima.

O esforço concentrado de mais de 25.000 soldados das Forças de Defesa do Japão com os militares norte-americanos neste fim de semana, com o apoio dos melhores equipamentos disponíveis para localizar os corpos, podem chegar a cerca de 400 novos, mostrando as dificuldades de encontrá-los.

Neste desastre, uma das maiores da humanidade nos últimos anos, estima-se que cerca de 600.000 pessoas, no seu pico máximo, foram desalojadas, sendo atendida nos abrigos improvisados, número que já deve estar em torno de sua metade hoje. Muitos já foram reacomodados em outras áreas, com seus familiares, amigos e residências disponíveis, ou seja, resta em torno de 25 desalojados entre cada 10.000 habitantes, que continuam sendo muitos.

O Japão conta com cerca de 55 complexos atômicos que fornecem 30% da matriz energética daquele país, e a que foi afetada é a Fukushima Daiichi, sendo que na mesma província existe a Fukushima Daini. Os trabalhos estão acelerados, agora com a cooperação internacional. Por precaução, algumas foram desligadas e todas estão passando por revisões, pois a intensidade dos terremotos e tsunamis superou as expectativas dos projetistas. Cerca de 100 abalos acima de 6 graus Richter, considerado elevado, foram registrados desde aquela semana fatídica de 11 de março, nas mais variadas regiões japonesas. Isto assusta os estrangeiros, mas os japoneses estão treinados para estes problemas. Os mais profundos problemas de administração do país vêm de longa data, com limitações no comando central, tanto do governo como da empresas excessivamente burocratizadas.

Informa-se que mais de 90% da infraestrutura japonesa abalada pelos acidentes naturais já foi reconstruída pelo pessoal local. Todos estão engajados nesta obra gigantesca, nas frentes de trabalho, em toda a gigantesca periferia da sociedade japonesa. Existem alguns problemas de abastecimento, mas já são mínimos, com os de gasolina. O racionamento da energia elétrica foi suspenso em muitos lugares, pois a colaboração da população está reduzindo o seu consumo de forma voluntária.

Os neons, como de Ginza, foram desligados, os consumos considerados de luxo foram reduzidos, mas as lojas de varejo estão vendendo mais que no mesmo período do ano passado. Alimentos frescos, águas, pilhas, produtos industrializados de preparo instantâneo etc. Haverá uma forte reestruturação da economia japonesa, que pode voltar mais vigorosa.

Todas as atividades relacionadas à reconstrução civil estão aceleradas, dentro do possível no momento. A quase totalidade das escolas funciona normalmente, os jogos do beisebol colegial estão sendo transmitidas pelas televisões, bem como as novelas, as empresas voltaram a empregar os recém-formados.

Quando se pergunta aos familiares do Brasil sobre seus parentes que vivem no Japão, as notícias é que tudo está bem, pelas informações transmitidas pelos telefones, internet ou outros meios eletrônicos. Com pequenas inconveniências, como as limitações do consumo de energia, principalmente nas regiões mais afetadas do nordeste do Japão. Mais desinformados, os que estão no exterior estão mais alarmados que os que vivem naquele país.

Existem problemas das expectativas futuras com relação aos pequenos agricultores e pescadores da região nordeste, mas o governo será obrigado a proporcionar-lhes assistência, efetuando programas como o de land development, como os que foram feitos na província de Ibaraki, na região de Tsukuba, hoje a mais importante cidade científica do Japão.

Os voluntários continuam trabalhando, arrecadando doações, executando trabalhos de assistência por toda a parte. Até estrangeiros que deixaram o Japão estão retornando, a vida está voltando ao normal.

A solução dos problemas das usinas de Fukushima Daiichi levará meses, até o governo admite, mas os graus de radiação continuam se reduzindo em todo o Japão.

As comemorações das floradas das cerejeiras estão mais modestas, mas a primavera já chegou ao Japão. Que ela seja de um grande esforço de reconstrução de sua economia e sociedade, fazendo que aquele país e o seu povo voltem a ocupar o destaque que eles merecem no cenário mundial, dando a sua contribuição cultural, dedicação ao trabalho, de suas tecnologias e suas poupanças para o resto do mundo.

Uma nova geração de japoneses deve assumir o comando do país, muito mais inserido no mundo globalizado, tanto na política como na economia, de forma gradual. Acredita-se que o Japão está passando por um novo ponto de inflexão, como quando terminou a Segunda Guerra Mundial.


Naoto Kan na Terceira Semana Após os Terremotos

1 de abril de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: cooperação internacional, entrevista coletiva, exposição genérica, perguntas dos jornalistas, reconstrução | 6 Comentários »

Lamentavelmente, na entrevista coletiva concedida hoje, após três semanas dos terremotos e tsunamis que arrasaram principalmente o nordeste do Japão, o primeiro-ministro Naoto Kan expôs inicialmente generalidades de agradecimentos, dando uma demonstração que não se trata de um líder com ideias próprias para resolver os problemas ainda existentes e comandar a reconstrução do Japão. A entrevista começou aproximadamente às 17h daquele país, em japonês. Kan vestia terno com gravata, mesmo que no auditório os muitos jornalistas estivessem mais informais, dado o calor do ambiente.

Poderia dar uma demonstração da economia de energia. Isto contrasta, por exemplo, com o ex-premiê Junichiro Koizumi, que mesmo no seu gabinete já utilizava roupas informais, como os uniformes de combate que vinham sendo utilizados pelas autoridades, para transmitir uma imagem de forte engajamento nos trabalhos de socorro e reconstrução. É preciso entender que já estamos na primavera japonesa, no começo de abril, com floradas das cerejeiras em Tóquio, e é conveniente aparentar que as autoridades estão engajadas nas soluções para as dificuldades que desgastam politicamente.

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Primeiro-ministro Naoto Kan

Como novidade, Kan se referiu às novas construções em lugares mais elevados para abrigar as famílias que perderam suas casas. As reconstruções serão feitas segundo as sugestões da população, que receberá assistências que dependem do orçamento que vai ser executado a partir de hoje. Ele citou as assistências técnicas que o Japão está recebendo dos norte-americanos, franceses e de especialistas da Organização Internacional de Energia Atômica, mas informou que as discussões ainda estão sendo feita em nível técnico, ficando em promessas genéricas. Respondendo perguntas dos jornalistas aparentou ser um “sabonete”, escorregando por considerações gerais, ainda que solicitado a informar sobre ações concretas.

Informou que a TEPCO não será estatizada, mas o governo ajudará nas coberturas dos déficits que devem ocorrer, tanto pelas desativações de algumas de suas usinas atômicas como indenizações que terão que ser pagas. A tudo respondia que os estudos estão sendo efetuados, ouvindo as diversas partes para formular as diretrizes da reconstrução. Mais informações devem ser transmitidas por toda a imprensa, no Brasil com alguma defasagem.


Ajuda Internacional nos Problemas Nucleares Japoneses

31 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Tecnologia | Tags: ajuda francesa, colaboração norte americana e outras, tardia solicitação japonesa

Depois da incompreensível e criminosa demora japonesa na solicitação da ajuda técnica internacional para enfrentar os problemas das usinas de Fukushima Daiichi, pelas informações veiculadas pelos principais jornais internacionais, os franceses enviaram seus especialistas da Areva, a empresa de energia nuclear da França, inclusive seu presidente, antes da visita do presidente Nicolas Sarkozy, que visitando o Japão estabeleceu alguns entendimentos com o primeiro-ministro Naoto Kan, de interesse mundial. Eles tentam ajudar no controle das águas contaminadas encontradas em algumas unidades de Fukushima. Como se sabe, a França é o país que conta com maior percentual de energia atômica na sua matriz energética.

Os norte-americanos, tradicionais aliados dos japoneses nas questões de defesa, que sempre estiveram presentes nas proximidades dos lugares afetados, mas só depois do terceiro telefonema de Barack Obama a Naoto Kan é que estão se envolvendo diretamente enviando robôs construídos para manipular bombas. Estão preparados para atuar onde seres humanos correriam riscos elevados, detectando radiações e enviando imagens. Estão mandando 450 técnicos especializados no controle de danos provocados pelas radiações, como noticia o site do Daily Yomiuri Online.

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Presidente francês Nicolas Sarkozy e o primeiro-ministro japonês Naoto Kan

Muitas outras ajudas internacionais especializadas estão a caminho, como roupas especializadas para proteção da radiação dos americanos, materiais especiais para esfriamento, como os provenientes da Coreia do Sul e equipamentos pesados da China para concretagem de cimentos da empresa Sany, a mesma que está se preparando para se instalar no Brasil. A Alemanha envia equipamentos de compreensão de ar e armazenagem de combustíveis nucleares.

Nenhum país dispõe de todas as tecnologias hoje existentes para enfrentar grandes desastres nucleares como a que está afetando o Japão. Mas, juntando o que muitos países dispõem, a eficiência dos trabalhos permite que os danos sejam minimizados, num prazo mais curto, impondo menos angústias e sofrimentos a todos, principalmente aos japoneses.

A dura lição que, infelizmente, está afetando o Japão deve acelerar a superação da sua síndrome de Galápagos, abrindo o seu país para o mundo globalizado, com maior respeito aos avanços tecnológicos que se observam também em outras partes do universo. Sem a necessidade de sacrifícios de verdadeiros kamikazes.

Os japoneses também podem contribuir com suas ricas tecnologias para evitar desastres naturais, como se observou nas aplicadas na construção civil resistentes a grandes sismos. Com sua capacidade de reconstrução rápida, uma defesa civil eficiente, um treinamento de toda a população para enfrentar os desastres, cria uma cultura indispensável sobre o assunto.

Lamentavelmente, muitos desastres naturais ainda serão enfrentados em variadas partes do mundo, e estas duras lições precisam ser absorvidas com a máxima urgência por todos os arrogantes, como autoridades brasileiras que recusaram a oferta japonesa de assistência técnica na defesa civil para enchentes e outros acidentes naturais.


Inconveniências da Cultura Japonesa de Galápagos

30 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: assistência do exterior para os problemas das usinas de Fukushima Daiichi, fechamento das usinas, uso de robôs | 2 Comentários »

Muito preocupante a notícia do Nikkei que somente agora o primeiro-ministro japonês Naoto Kan, no terceiro telefonema com o presidente Barack Obama dos Estados Unidos após 11 de março, acabou aceitando a assistência técnica norte-americana mais profunda para tentar resolver o problema das usinas de Fukushima Daiichi. Os japoneses teriam acertado anteriormente a ajuda francesa, que já está atuando, para a mesma finalidade. Cogitam agora do uso de robôs para resolver o problema das águas contaminadas com radiação, similar com o aventado há dias até por um modesto site como o nosso, que está acompanhando o problema do outro lado do mundo.

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Primeiro-ministro Naoto Kan e o porta-voz do governo japonês Yukio Edano

Segundo informações de hoje do ministro Yukio Edano, porta voz do governo nesta crise, cogita-se também o encerramento das atividades destas usinas, hipótese que, lamentavelmente, postamos há cerca de uma semana neste site, com as precariedades das informações disponíveis a grande distância, mas decorrente de outras experiências internacionais com problemas complexos como os que as autoridades japonesas enfrentam.

Não estamos reivindicando a primazia nestas idéias que são comuns a muitos que se preocupam com tais problemas. Não desejamos concordar com a ideia expressa pelo The Economist, da semana passada, acerca da incompetência do atual governo japonês, que goza de baixo prestígio nas pesquisas de opinião efetuadas no próprio Japão. Mas procuramos entender o que está inibindo ações mais eficientes de suas autoridades.

Os japoneses vêm lamentando que no Japão há certa cultura que chamam “de Galápagos”, ou seja, específica de um arquipélago que mantém pouco intercâmbio com o exterior. Exageram na confiança em sua própria tecnologia, desenvolvida internamente, sem uma saudável troca de experiências com outras aperfeiçoadas em países estrangeiros.

Como as usinas atômicas japonesas eram consideradas as mais seguras até pelos organismos internacionais que cuidam do assunto e como os nipônicos competem no acirrado mercado mundial de novos projetos, há a possibilidade que não desejassem que estrangeiros os conhecessem nas suas entranhas.

Que houve uma subavaliação dos riscos dos violentos terremotos e tsunamis como os que se verificaram, parece não haver dúvida. As novas e atuais usinas em todo mundo devem ser revisadas, com a dolorosa experiência japonesa, notadamente nas alternativas para resfriamento diante de um desastre.

Em muitos outros setores, como o da tecnologia da construção civil ou de reconstruções de infraestrutura, os japoneses vêm demonstrando a sua competência, por estarem mais sujeitos aos terremotos. Seria conveniente que intensificassem seus intercâmbios com países estrangeiros, utilizando-os como moeda de troca.

Não parece mais fazer sentido um exagerado nacionalismo no atual mundo globalizado. Todos nós sobrevivemos numa aldeia global e precisamos estar abertos às mais variadas contribuições, pois sempre temos algo a aprender com a experiência dos outros.


O Brasileiro Zé Alencar e Suas Lições

30 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: lições deixadas por ele, otimismo, Universidade da Vida

O brasileiro Zé Alencar, doutorado pela Universidade da Vida, deixa um curso completo para todos, até os bacharéis deste Brasil. Ele, Amador Aguiar, Sebastião Camargo e outros grandes líderes que ajudaram a fazer este país não necessitaram de diplomas universitários. Venceram, criaram empregos para os brasileiros, espalharam bem-estar para o povo.

O otimismo era a sua marca, mesmo nos momentos mais difíceis. Tornou-se vice-presidente da República porque já tinha criado o gigantesco grupo Coteminas, mantendo sua sensibilidade para todos quantos trabalham, constroem com preocupações sociais, criticando juros e tributos altos, que prejudicam o aumento da produção.

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Bem brasileiro, sua pinga, a “cachaça do vice” figura entre as melhores deste país, servido até nos almoços da Fiesp. Muito vai se continuar falando, e por muito tempo, deste personagem que, empresário consagrado, foi dar a sua contribuição para a atividade mais nobre de uma sociedade, a Política com “P” maiúsculo.

Ético, destacou-se entre seus pares, preocupado com as coisas relevantes do Brasil. Teve a coragem de falar abertamente mesmo contra o poderoso sistema financeiro, que insiste em transferir recursos do setor produtivo para o especulativo. Sem rancor, até com graça, com conhecimentos profundos e fortes decorrentes das experiências vividas.

O Brasil vai ficar devendo muito a este personagem que só semeou otimismo, plantou comércio e indústria, produziu, criou empregos.

Ele foi decisivo na eleição de Lula da Silva, outro personagem sem curso universitário, um operário metalúrgico, agora reconhecido pela Universidade de Coimbra. Tornou-se o vice-presidente da República que mais contribuiu para a melhoria deste país, com ascensão das classes menos favorecidas, criando um poderoso mercado interno que ele conhecia como a palma de sua mão. Contribuiu no governo com seu equilíbrio, ajudando no que acadêmicos sonharam, mas não conseguiram transformar em realidade.

Parece chegada a hora dos arrogantes “doutores”, formados em cursos superiores, que continuam contando com incompreensíveis privilégios, reconhecerem, humildemente, que pessoas simples como Zé Alencar são mais capazes que eles.

Não se trata de golpe de sorte, mas de muito trabalho persistente, como milhares de pessoas humildes deste nosso Brasil continuam fazendo. São eles que vão tornar este país uma potência, utilizando todos os recursos que dispõe, se não forem impedidos pelas “elites”. Vão desenvolver este país de forma mais justa e sustentável, pois eles vivem a dura realidade.

Não precisamos lamentar a sua perda, pois as lições dadas pela sua vida vão continuar permanentemente conosco.


Dilma Rousseff Surpreende Analistas que a Subestimaram

29 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: Dilma Rousseff mostra-se firme na condução do Brasil, elevados níveis de prestígio na elite e no povo, políticas externas | 2 Comentários »

imagesCA73Z3VZMuitos analistas no Brasil e no exterior subestimaram a presidente Dilma Rousseff, fazendo as mais variadas projeções do seu comportamento como presidente da República. Alguns afirmavam que ela seria comandada por Lula da Silva, outros que ela acabaria se desentendendo com o ex-presidente em pouco tempo, que ela era mera prosseguidora da política do governo anterior como gestora etc. Ela vem surpreendendo as elites brasileiras como o povo, com uma personalidade firme e uma política determinada, que nem todos ainda absorveram totalmente, nestes três primeiros meses do seu mandato. Seus índices de aprovação nas pesquisas de opinião são invejáveis, mostrando que conta com capacidade de comunicação e determinação de uma política, interna e externa, com características próprias.

Muitos aguardavam que no contato com Barack Obama ela ficasse inibida, num momento em que eclodiam problemas graves em todo o mundo, tanto no Japão como na Líbia. Mas mostrou-se consciente de que nos contatos com o representante máximo do país líder no mundo atual não poderia colher resultados de curto prazo, nem conseguir um apoio claro para a aspiração brasileira de um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, mas estabelecer as bases de uma cooperação bilateral ao longo de muitas décadas, mesmo havendo divergências sobre alguns pontos de política internacional. Fez questão de discursar sobre as divergências comerciais brasileiras com os norte-americanos, bem como dos danos da política monetária daquele país aos demais, inclusive o Brasil, colocando em posições de igualdade.

Ela vem demonstrando que a política externa brasileira está se aperfeiçoando, com a firme defesa dos direitos humanos, mas com a continuidade dos contatos e negociações com os países, mesmo com os quais o Brasil não se afina totalmente, como o Irã e a Líbia. Está programando acompanhar as homenagens à Lula da Silva em Portugal, que teve a sabedoria de não ofuscá-la nos contatos com o presidente dos Estados Unidos. Portugal é o país do qual o Brasil recebeu a principal herança cultural, e que passa por dificuldades econômicas no momento.

Está programando uma importante visita à China em abril próximo, aproveitando a reunião dos países emergentes de grandes dimensões geográficas do chamado BRICs – Brasil, Rússia, Índia e China que estão aumentando a importância econômica e política mundial. A China, que vem bloqueando o assento do Japão no Conselho de Segurança da ONU, manifestou que não apoiará a pretensão brasileira. Imediatamente, no mesmo tom, o Brasil respondeu que não reconhece aquele país como economia de mercado, reservando-se ao direito de retaliar o maior importador e exportador mundial, em alguns itens, como os que utilizam mão de obra considerada como de condições degradantes.

No plano interno, apesar das muitas manifestações dos membros da chamada base política do governo, inclusive líderes sindicais, vem se mostrando hábil e consciente do seu poder, conseguindo manter o seu apoio com concessões mínimas. Diante das pressões inflacionárias, vem reafirmando a importância que atribui ao seu controle, inclusive com cortes substanciais nas despesas públicas, mesmo com as dúvidas de alguns analistas. Os que convivem mais diretamente com ela recomendam que os que não acreditam nas suas posições firmes poderão se enganar, acabando por serem prejudicados. Ela vem reafirmando que persegue a redução dos juros reais na economia brasileira.

Nas suas visitas aos Estados brasileiros vem mostrando isenção partidária, lançando em Minas Gerais um importante programa para as gestantes, elogiando publicamente o governador pertencente a um partido que está na oposição ao governo federal.

Ela tem sido implacável na fiscalização dos seus principais auxiliares, até no nível ministerial, exigindo uma administração eficiente. Até na indicação de um novo membro do Supremo Tribunal Federal optou por uma feliz escolha, de um magistrado com tendência para uma rigorosa obediência aos preceitos legais, mesmo com o clamor pela imediata aplicação das normas da recente legislação chamada de Ficha Limpa, que só terá vigência nas próximas eleições.

Por tudo isto, parece de bom alvitre que se passe a acreditar na sua firme determinação, convicção adquirida com aprofundado estudo das questões que dependem de suas decisões.


Velocidade da Reconstrução Japonesa e Lições Para o Brasil

29 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: 90% dos aeroportos, estradas e portos já reconstruídos, redução do consumo de energia, refluxos dos fundos japoneses | 6 Comentários »

Como o prof. Delfim Netto colocou hoje, brilhantemente, na sua coluna no Valor Econômico, os mais credenciados economistas do mundo estão sendo obrigados a rever as teorias econômicas em que acreditavam pela imposição de novas realidades, com toda a humildade. Do Japão, já chegam as notícias que 90% dos aeroportos, das estradas e dos portos afetados pelos terremotos já foram restabelecidos. Que parte do racionamento de energia elétrica tornou-se desnecessária diante da redução voluntária do seu consumo, ajudada pelo aquecimento do clima que já permite as primeiras floradas das cerejeiras.

Os seres humanos, com destaque para os japoneses, são capazes, diante das catástrofes naturais, de mudar o comportamento que pode estar consagrado nas teorias e superar rapidamente os desafios a que estão sujeitos. A realidade é muito mais complexa que as admitidas pelos acadêmicos que orientavam, entre outras, muitas instituições financeiras nas suas análises.

Os nipônicos possuem poupanças nos seus fundos operados pelas instituições financeiras, estimadas em cerca de US$ 500 bilhões aplicados mundo afora, parte significativa no Brasil, estimada pelo mercado em cerca de US$ 80 bilhões. A velocidade com que elas podem retornar para a reconstrução japonesa pode surpreender os operadores do mercado, ajudando até as autoridades monetárias brasileiras que não terão que comprar e sustentar, com elevados custos, as exageradas acumulações de reservas internacionais, mantendo o câmbio em níveis razoável.

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Em apenas sete dias, esta estrada foi totalmente reconstruída

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Informações Atualizadas e Relevantes do Japão

29 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Destaque, Editoriais, Notícias | Tags: duas indicações excepcionais, temos destacado o twitter da Silvia Kikuchi

Dentro do verdadeiro tsunami de informações, procuramos destacar os mais importantes para o público em geral. O twitter da jornalista Silvia Kikuchi, do IPCTV do Japão, vem com notícias que todos deveriam tomar conhecimento, tanto no Japão como no Brasil. Repetimos: http://twitter.com/silviakikuchi

Uma é sobre a esclarecedora entrevista efetuada pelo JP TV com o Dr. Eduardo Nóbrega Pereira da Silva sobre a radiação, níveis toleráveis, bem como todos os termos técnicos sobre o assunto, numa linguagem acessível a todos. Pode ser encontrado no http://bit.ly/ex38Lm e em menos de 10 minutos ele dá uma aula espetacular e didática sobre o assunto, tranquilizando a todos. Só podemos transmitir os nossos mais entusiasmados cumprimentos a todos que colaboraram para permitir a sua divulgação.

Outra notícia que ela postou, e nos deixa a todos estupefatos, é que 90% das obras de restauração dos aeroportos, estradas e portos afetados pelos terremotos permitiram os seus restabelecimentos. É claro que se trata de uma situação de emergência, mas todos nós devemos aprender que diante de desastres naturais existem tecnologias e pessoas disponíveis para resolver estes problemas rapidamente, sem maiores burocracias como as que se arrastam nos mais variados lugares.


Economia da Escassez ou Economia da Produção

28 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: a cada dificuldade muitos economistas e jornais econômicos falam de uma crise profunda, para os chineses o ideograma crise tem também o sentido de oportunidade, seguidores de Malthus

Diante das dificuldades pontuais pelas quais passa o mundo, abrindo-se muitos jornais econômicos do mundo que dependem fortemente das publicidades de instituições financeiras, nota-se a volta de sentimentos semelhantes aos que foram apontados por Thomas Robert Malthus no início do século XIX, de que a humanidade seria dizimada pelas fomes e pelas doenças. Acabou-se chamando esta doutrina de malthusianismo, que sempre volta à tona com novas versões, ainda que sempre desmentida pela realidade. Poderia-se chamá-los de adeptos da economia da escassez, que sempre vai existir neste ramo do conhecimento, que acaba determinando juros elevados e lucros fabulosos para o setor financeiro.

Todos os desafios acabaram sendo superados pelos aumentos de eficiência que, mesmo com recursos limitados, proporcionaram produções crescentes, contribuindo para a melhoria do bem-estar de toda a população. Eles dependem das pesquisas e dos desenvolvimentos tecnológicos. Muitos se esquecem que o papel dos economistas sempre foi o de promover a produção e o desenvolvimento, superando as limitações existentes. Se elas não existissem, não haveria sentido para existência desta arte, que se denomina economia política, que pouco tem de científico.

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Thomas Robert Malthus

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